Mostrando postagens com marcador Gíria. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Gíria. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 29 de maio de 2018

Expressão idiomática "Estar pez en algo"


A expressão idiomática espanhola estar pez en algo significa não ter conhecimentos sobre alguma coisa ou sobre um assunto determinado.

Ex.: Yo de francés sé algo, pero en inglés estoy pez.

Assim, se alguém diz: “Estoy pez en la natación”, não significa que a pessoa saiba nadar como um peixe, pelo contrário, significa que nada como um prego, ou seja, que não sabe nadar.

A origem desta expressão estaria na crença de que o peixe seria pouco inteligente. Digo crença, porque navegando pela rede, achei uns artigos em que cientistas afirmam que os peixes são mais inteligentes que os primatas, e outros que dizem que os peixes podem ser maquiavélicos. Ôxe, por essa eu não esperava... Mas não venham me falar da inteligência dos golfinhos, que esses não são peixes, são mamíferos. Esses são "cabeça"!

No Brasil, quando não temos conhecimento de alguma coisa ou não entendemos algo, podemos dizer “estou boiando” o que não deixa de lembrar nossos amigos aquáticos.

Aliás, desculpem o trocadilho, mas os peixes são “pêxe”, isto é, são nossos chegados, nossos camaradas. É isso aí, uma gíria puxa outra... caiu na rede é peixe! 


Ah, sim, um peixe também pode ser uma nota de cem reais em referência à gravura no reverso de uma Epinephelus marginatus — vulgo garoupa —, peixe marinho da família dos serranídeos, e um dos mais conhecidos das costas brasileiras.

Cabe lembrar que "estar pez en algo" é uma expressão local, da Espanha, além disso, é linguagem coloquial, dificilmente você a encontrará na imprensa, mas sim em foros de dúvidas, em situações do tipo: "estoy pez en javascript"; "me dedico a vender ropa de trabajo y estoy pez en legislación"; "me gustaría jugar con más gente, pero estoy pez en este tipo de juegos"; "Agradezco que contéis conmigo, pero estoy pez en materia de plantillas"; etc.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Significado da expressão espanhola "un chute de..."


Hoje vamos ver o significado da expressão espanhola un chute de..., que inicialmente surgiu como uma gíria no submundo das drogas, do inglês shoot up. Como verbo pronominal, chutarse significa injetar droga (ex.: Las marcas en sus brazos indicaban que se chutaba con frecuencia). Também temos o substantivo chute que significa injeção de droga (ex.: Habíamos visto a un tío prepararse un chute).

Com o tempo, esta gíria, inicialmente marginal, passou para outros contextos como expressão coloquial, perdendo o caráter negativo e assumindo, na maioria das vezes, um aspecto positivo. Atualmente, na Espanha, sua presença é frequente na mídia, na publicidade, e no dia a dia, em frases do tipo “estos alimentos te darán un chute de energia”, “tus elogios son un chute de autoestima para mí”, “esta película es un chute de adrenalina”, “ la propaganda penetra en las consciencias como un chute de morfina”, etc.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Gíria estudantil na Espanha

Os estudantes espanhóis, assim como os brasileiros, têm um vocabulário próprio repleto de criatividade. Vejamos algumas expressões consagradas entre eles:

calabazas = obter nota zero. “En Inglés, calabazas”, significa “Zero em Inglês”.

cagarla = cometer um engano, pisar na bola. “La he cagado en el examen… Lo he hecho fatal, voy a suspender”.

catear =  não alcançar a nota média, ficar com nota vermelha. Esta palavra deriva de “cate”, que em caló (a língua dos ciganos) significa “pau, porrete”, isto é, semelhante a nossa expressão em português “levar pau” no sentido de reprovar. Usa-se ainda como substantivo ou como verbo na gíria estudantil: “Dos cates me han dado este trimestre”; “Mi compa es un fenómeno: no catea nunca”.

chuleta = o que chamamos de “cola” no Brasil. Isto é, a arte de escrever o conteúdo inteiro de um bimestre ou semestre no mínimo espaço possível. 

Segundo o antropólogo José Dueso, há três possíveis origens dessa acepção. A primeira se encontra no livro Un invierno en Mallorca de George Sand. No texto aparece o termo xuete, usado pelos maiorquinos para referir-se depreciativamente aos judeus, que pode se originar do francês chuette, termo que tinha o mesmo fim. Parece ser que em tempos de expulsão dos semitas, estes tentavam dissimular sua origem comendo “chuletas” suínas diante de todo o mundo; a outra possível origem está relacionada a uma espécie de cunha usada pelos carpinteiros, que a chamavam de chuleta, para dissimular fissuras na madeira. Finalmente, pode derivar da palavra chulo, que designava o indivíduo do subúrbio de Madri que se preocupava em aparentar que sabia mais que os outros sobre qualquer coisa. As três opções estão associadas à dissimulação para obter benefícios particulares, sociais ou profissionais.

estar chupado = refere-se a algo muito fácil: “¡Qué fácil! ¡Esto está chupado!”.

estar pez = Estar pez en Geografía” significa “não saber nada, não ter nem ideia de Geografia”.

hacer la pelota, ser un pelota = puxar o saco. Assim, “el pelota” é aquele aluno que pretende se dar bem adulando o professor.

hacer pellas, hacer novillos = matar aula, gazear aula para ficar à toa.

ir de culo = utiliza-se para dizer que “vai mal” em alguma matéria. “Voy de culo en química”, ou “llevo el examen de culo”.

írsele a alguien la olla = perder-se, distrair-se, esquecer-se. “Se me ha ido la olla”.
dar un palo = Quando um professor “se ha cargado a media clase”, isto é, reprovou a maioria da sala, diz-se que ele “ha dado un palo”: “¡La de mates en este examen ha dado un palo…!”.

la seño = a professora, encurtamento da palavra “señorita”.

las mates = encurtamento para referir-se à disciplina de matemática.

no pillar = significa “não entender”, assim, “no lo pillo” significa “não entendo”; ou “¿lo pillas?”,  “você está entendendo?”.

rosco = é a mesma coisa que um cate (ou seja: reprovado), mas pior, porque, por sua forma, concreta mais evidente: é um zero (0).

ser empollón, empollar = no Brasil, diz-se “ser um CDF” (ser um cabeça de ferro, apesar de que já ouvi muitos dizerem cú de ferro). Expressão depreciativa para referir-se ao estudante excessivamente dedicado, como uma “gallina cuando empolla sus huevos”. Não significa necessariamente tirar boas notas ou ser um “pitagorín” (expressão derivada de Pitágoras).

ser una maría = uma “maría” é uma disciplina de pouca importância, ou melhor, aquela que não reprova.

ser un hueso, hueso = diz-se dos professores exigentes, que não se deixam “enrolar”. “¡Menudo hueso que nos ha tocado este año en Física! ¡Qué mala pata!

sacarse algo con la gorra = diz-se de algo que é fácil. Quando alguém diz “me saqué esa asignatura con la gorra”, significa que aprovou sem muito esforço.

soplar a alguien, dar un soplo = em uma prova, sussurrar a resposta a um colega.

tocho, ser un tocho = sinônimo de muito, também de livro muito grosso. “Me tengo que estudiar un tocho de apuntes”, ou “menudo tocho de libro”.

tener un cacao (mental) = estar confuso, com muitas dúvidas, não entender algo. “Tengo un cacao con las fórmulas de matemáticas”.