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quarta-feira, 10 de julho de 2024

Olhos de... olhar...

            Hoje, como um urso que sai de sua toca após um longo período de hibernação, acordei com uma ideia para um artigo sobre um assunto que me fascina bastante em matéria linguagem: a relação entre texto e imagem.

Lembrei de uma das aulas que mais marcou minha formação acadêmica. Fazia parte da disciplina Literatura e Cinema; uma aula que discorreu sobre a relação entre o sentido da visão e a realidade. Se não me falha a memória, esse era o xis da questão. A professora falava da necessidade de ver para acreditar, de como o cinema recria a realidade e a transforma ou a deturpa, e dos efeitos que as imagens produzem em nós. Enquanto o cinema se vale da estética da imagem, a literatura se vale da linguagem, e o leitor reconstrói, através de sua imaginação, uma imagem visual daquilo que está sendo descrito e narrado. Por isso a leitura é uma experiência tão singular, porque cada leitor constrói sua imagem particular, enquanto na tela do cinema todos os espectadores veem a mesma cena.

Naquela ocasião, a aula começou com um repertório de ditados e provérbios relacionados à visão:

Vi com esses olhos que a terra há de comer” e  vi com meus próprios olhos”, duas frases que dão conta do poder da visão como testemunha inquestionável da realidade.

Por outro lado, “o que os olhos não veem o coração não sente”, provérbio geralmente relacionado ao adultério e que traz a ideia de que enquanto não houver um flagrante de infidelidade haverá felicidade, que por extensão aplicamos a outras situações, como, por exemplo, à forma como uma comida é preparada... Se a comida é gostosa, mas a higiene de sua preparação é duvidosa, usamos essa frase para afirmar que, se não vemos algo desagradável, não sofremos por isso.

Olho por olho, dente por dente”, para transmitir a ideia de vingança, de fazer justiça retribuindo um mal com outro.

Em terra de cego, quem tem um olho é rei”, que afirma que num ambiente onde a maioria das pessoas tem limitações, mesmo uma pequena vantagem pode fazer uma grande diferença.

Os olhos são a janela da alma”, significa que os olhos revelam os sentimentos e o caráter de uma pessoa.

Depois desse compilado de frases que nos mostrou o peso do sentido da visão em nossa cultura, falamos de sua relação com a percepção da realidade. Lembro que comentei com a professora que eu havia assistido a um filme espanhol — El orfanato —, um filme de suspense em que a protagonista tinha visões sobrenaturais, e, num momento dado, uma médium explica: “No se trata de ver para creer, sino de creer para ver”, que sugere que é preciso estar predisposto para ver além do óbvio. Ou seja, o que vemos está condicionado a nossas crenças.

Como se tratava de uma disciplina sobre literatura e cinema, assistimos ao filme Blow-up, dirigido por Michelangelo Antonioni em 1966, que é uma adaptação do conto Las Babas del Diablo, escrito por Julio Cortázar em 1959. O protagonista é um fotógrafo que captura as imagens de um casal discutindo num parque, e, ao revelar as fotos, percebe algo suspeito e resolve investigar. Tanto o conto como o filme podem ser interpretados como uma metáfora sobre o poder de congelar momentos tanto por parte do escritor como do fotógrafo, a relação entre realidade e fantasia, sobre enxergar apenas o que queremos ver. E ainda, sobre como o escritor pode participar ou intervir nos fatos.

A respeito dessa relação entre texto e imagem, escrevi também aqui no blog uma resenha do filme “Por falar de amor” (em inglês, Words and Pictures), no qual o ator Clive Owen interpreta um desiludido professor de literatura a ponto de perder o emprego, que decide desafiar a professora de arte e pintora, interpretada por Juliette Binoche, a travar uma disputa entre os alunos de ambos para ver quem consegue transmitir um significado maior: as palavras ou as imagens. Para ler essa resenha, clique aqui.

Enfim, a presença do sentido da visão, dos olhos e do olhar é uma constante em nossa cultura, há diversos exemplos, como o da tragédia grega Édipo rei, que culmina com Édipo furando os próprios olhos como punição por não ter conseguido driblar seu destino. Ou o mito da Medusa, uma mulher amaldiçoada da mitologia grega que transformava em pedra todo aquele que olhava diretamente para ela. Temos também o mito da caverna de Platão, que faz uma alegoria à visão além das aparências. O conto de E.T.A. Hoffmann, O homem de areia, uma narrativa fantástica sobre uma figura sinistra que roubava os olhos das crianças que não iam para a cama, história serviu de inspiração para muitas outras criações. Não somente a visão, como também a falta dela são temas presentes na literatura, como é o caso do Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago. São temas que povoam nosso imaginário e se cristalizam em crenças populares como o mau-olhado ou olho gordo, que atribuem desgraças ao olhar invejoso de alguém, tradicionalmente associado à ideia de “secar com os olhos”. O assunto é inesgotável, mas não posso deixar de citar a sábia frase do nosso querido pequeno príncipe: “O essencial é invisível aos olhos”.

Neste momento, estou relendo Memórias póstumas de Bras Cubas, e não pude deixar de lembrar de uma das figuras metafóricas mais bonitas de nossa literatura, em Dom Casmurro, quando Bentinho se refere ao olhar de Capitu como “esses olhos de ressaca”. Cabe aqui uma anedota... Quando li o livro pela primeira vez, meu português era ainda muito incipiente, e eu muito nova para a magnitude da obra, o que me levou a pensar nos olhos da pessoa que está de ressaca pelo consumo excessivo de álcool: a visão dupla e embaçada, as olheiras em volta dos olhos. Mais tarde, pude captar o verdadeiro sentido da metáfora: o do olhar com a força do mar que arrasta tudo para si durante a ressaca. Referindo-se ainda ao olhar de Capitu, o agregado da família de Bentinho, José Dias, disse: “olhos de cigana oblíqua e dissimulada”, ou seja, um olhar malicioso, enigmático e traiçoeiro.

Quanto a outro assunto que também me fascina, o léxico, toda essa reflexão despertou minha vontade de compilar uma lista de adjetivos que qualificam o substantivo “olhar”, para convertê-la em uma nuvem de palavras. Eis o resultado:


Uma nuvem de palavras é uma representação gráfica da frequência e do valor de uma palavra numa determinada fonte de dados. Neste caso, não há uma relação de hierarquia, pois o objetivo foi simplesmente criar um material de consulta para usar naquele momento em que procuramos um adjetivo que qualifique com precisão o “olhar” que queremos descrever.

Por hoje é só! E, pra vocês, eu deixo apenas meu “olhar 43”.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

A importância das colocações na tradução


O que seria uma colocação? Uma colocação é uma combinação de palavras cristalizada pelo uso, isto é, internalizada no subconsciente dos falantes pela frequência de uso. Trata-se de uma convenção, um uso endossado pela comunidade linguística. São exemplos de colocações com substantivo + adjetivo, desejo ardente, amor cego, ódio mortal. Embora haja colocações com vários tipos de classes gramaticais (substantivo + adjetivo; verbo + substantivo; verbo + advérbio; adjetivo + advérbio, etc.), vamos focar nas colocações com verbo + substantivo, tais como ministrar um curso, agendar uma consulta, cometer um erro, causar uma impressão, conciliar o sono, formular uma pergunta, etc.

Qual é a importância de conhecer as colocações para a tradução? Como dissemos, as colocações são combinações de palavras consagradas pelo uso, portanto, conferem naturalidade e fluidez ao texto/discurso. É um conhecimento refinado, que não passa despercebido pelo leitor/ouvinte e que denota domínio linguístico.

Suponhamos que, ao ler um texto, deparemos com algo do tipo “ele fez um erro ao aceitar o cargo” ou “ela fez uma opinião sobre o fim da parceria”. Provavelmente nos causaria estranhamento, já que algo não encaixa, não soa bem. Isso porque o verbo fazer não é o mais adequado nessas construções, o verbo fazer é um verbo genérico, abrangente, utilizado como um curinga, devemos fugir de verbos clichê, de sentido vago. Vejamos os exemplos anteriores, desta vez com os verbos adequados: “ele cometeu um erro ao aceitar o cargo” e “ela emitiu uma opinião sobre o fim da parceria”. Eis outros verbos curinga que devemos evitar: dar, dizer, ter e pôr.

Em lugar de um verbo genérico como dar, por exemplo, devemos optar por sinônimos mais precisos, tais como atribuir, conferir, outorgar, oferecer, legar, etc., que expressem de forma mais específica a ideia que desejamos transmitir.

Uma das qualidades do bom texto é a precisão, portanto aí reside a importância de conhecer as colocações, para produzir traduções de boa qualidade; precisas, fluidas e convincentes.

Vejamos abaixo algumas colocações frequentes em espanhol e suas respectivas traduções:

Sentar las bases = Estabelecer as bases

Librar una guerra = Travar uma guerra

Celebrar una reunión = Realizar uma reunião

Impartir un taller = Ministrar uma oficina

Concertar una cita = Agendar ou marcar uma hora/consulta

Propinar una paliza = Dar uma surra

Entablar um diálogo = Iniciar um diálogo

Plantear una idea = Levantar/apresentar/propor uma ideia 

Asestar una puñalada = Desferir uma punhalada

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Precisión léxica en la traducción de ruidos y sonidos

El Árbol Sonante Cantante (Singing Ringing Tree), es un instrumento de viento diseñado por los artistas visuales, Mike Tonkin y Anna Liu, en el año 2006

Buscar la palabra que expresa de manera más precisa una idea es una de las claves que debemos tener en cuenta a la hora de traducir un libro. Entre los recursos retóricos para lograr que el lector «viva» la historia, destaca el despertar de los sentidos. No se trata de contar al lector lo que pasa, sino de hacer con que lo experimente por sí mismo.

La imagen sonora consiste en tratar de reproducir de manera figurada los sonidos de la naturaleza, de los hombres y de las máquinas o instrumentos. El dulce trino de los pájaros o el monótono tamborileo de la lluvia sobre un techo de zinc; el familiar silbido de una tetera o el aterrador estruendo de una avalancha; el ensordecedor estallido de las bombas o el molesto zumbido del mosquito, la descripción del ambiente sonoro agrega vida a la acción que se relata y evoca recuerdos y sensaciones. Por lo común, se usar sonido para describir algo agradable y ruido para describir algo molesto o impactante.

Para reproducir el paisaje acústico con fidelidad y verosimilitud, debemos buscar el correspondiente exacto o el que reproduzca, tanto como sea posible, el efecto del original. Veamos, a continuación, algunos ruidos frecuentes en la literatura, su traducción al portugués y sus respectivas definiciones:

Abucheo (vaia): manifestación ruidosa de un auditorio o muchedumbre para expresar reprobación.
Alboroto (alvoroço): vocerío, desorden, tumulto, como el que producen los niños en el recreo.
Alarido (alarido): grito lastimero de pena o dolor, como el que emite un herido.
Balbuceo (balbucio): habla dificultosa y vacilante, trastocando a veces las letras o las sílabas, como la que emiten los bebés.
Bramido (bramido, rugido): voz del toro, ciervo y otros animales; grito colérico o voz fuerte; ruido grande producido por el viento o por el mar.
Bullicio (bulício, barulho, confusão): ruido o rumor resultante de la concurrencia de mucha gente.
Carraspeo (pigarro): tosecilla emitida repetidamente para aclarar la garganta.
Cascabeleo (chocalho): sonido producido por cascabeles, como el que producen los coches de caballos.
Chasquido (estalo, estalido): ruido seco y súbito, producido al partirse algo, al sacudir un látigo o al separar la lengua bruscamente del paladar.
Chapoteo (chape, chapinhar): ruido producido al mover las manos o los pies en el agua o lodo, o al pisarlos.
Chirrido (chiado, chilreio/chilrada de pássaros): sonido agudo y desagradable, como el que produce una puerta oxidada al abrirse.
Chisporroteo (crepitar)= sonido emitido por un cuerpo en el fuego, que despide chispas reiteradamente, como la leña en la hoguera.
Clamor (clamor, protesto): grito que se profiere con vigor y esfuerzo, muchas veces por una multitud.
Crepitar (crepitar): sonido repetido, rápido y seco, como el que produce la sal en el fuego.
Crujido (rangido): sonido producido por algunos cuerpos, como tela, dientes, madera, cuando se rozan o se rompen.
Cuchicheo (cochicho): habla en voz baja al oído, de modo que otros no se enteren.
Estallido (estouro): ruido fuerte producido por una cosa que se revienta de golpe, como el de un cohete.
Estampido (estampido): ruido fuerte y seco como el producido por un disparo.
Estrépito (estrépito): ruido considerable, como el de una pieza de artillería.
Estruendo (estrondo): ruido grande, como el de un avión.
Farfulleo (algaravia): ritmo rápido del habla con interrupciones en la fluidez, habla atropellada y confusa.
Fragor (estridor, fragor): ruido estruendoso, como el de los truenos.
Frufrú (frufrulhar, fru-fru): ruido que produce el roce de la seda o de una tela semejante.
Martilleo (martelar): ruido semejante al producido por los golpes de un martillo.
Ovación (ovação): manifestación ruidosa, mediante aplausos y gritos, de un auditorio o muchedumbre en tributo a alguien.
Rechifla (vaia): silbido para burlarse o demostrar desaprobación.
Rechinido (rangido, chiado): ruido producido generalmente por el roce de dos cosas, como el que produce el roce de los dientes.
Repiqueteo (repicar): ruido resultante del golpe repetido de un objeto, como el de las campanas.
Resonar (ressonar, ecoar): hacer sonido por percusión, como el que emiten los tambores.
Resoplido, bufido (resfôlego, bufo): respiración fuerte y ruidosa.
Retumbar (retumbar): resonar mucho, hacer gran ruido o estruendo, como el de las bombas.
Ronquido (ronco): ruido bronco con el resuello cuando se duerme; ruido sordo o bronco del mar o del viento.
Ronroneo (ronrom, ronronar): ronquido del gato en demostración de contento.
Rumor (rumor): voz que corre entre el público; ruido confuso de voces.
Silbido (assobio): ruido producido por la agitación del aire; sonido agudo producido al soltar el aire con fuerza con los labios fruncidos o con los dedos en la boca o con un silbato.
Siseo (susurro, chiado): emisión del sonido inarticulado de s o ch, por lo común para manifestar desaprobación o para pedir silencio.  
Susurro (susurro): murmullo o ruido suave y remiso, como el de un arroyo.
Tamborileo (tamborilar, batuque): sonido repetido que imita un tambor, como el que producen los dedos sobre la mesa.
Timbrazo (toque): alerta sonora fuerte emitida por un aparato, como un teléfono o un timbre.
Tintineo (tilintido): sonido del tintín, como el de las llaves.
Traqueteo (estridor): ruido continuo del disparo de los cohetes.
Triquitraque (estridor): ruido como de golpes repetidos y desordenados, como el de los telares.
Tronido, tronar (trovejar): trueno de las nubes; estallido, estrépito, estruendo.
Ululeo, ulular (ululo, ulular): gritos o alaridos; sonido producido por el viento.
Zumbido (zumbido, zunido): ruido continuado y bronco como el que se produce a veces dentro del propio oído, como el que  producen  ciertos insectos al volar.

Si te ha gustado esta entrada, quizá te guste este artículo acerca de las onomatopeyas y voces de animales. 

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

¿Casi lo mismo?


Hace rato que me apetecía escribir sobre este tema, pero como no me sobraba tiempo para organizarlo y tampoco sabía bien cómo abordarlo, lo fui dejando en el «cajón», así que, mejor publicarlo de una vez, a ver qué sale…

Al traducir, muchas veces me doy cuenta de que algunas palabras que al principio parecen sinónimos perfectos se emplean de formas distintas según el contexto en que se encuentran. O sea, son «casi» lo mismo, pero ese «casi» hace toda la diferencia. En general, la preferencia por una u otra forma se debe a una convención social, es decir, a lo que dicta la costumbre.

Un ejemplo son las palabras «fuga» y «huida» que, en teoría, son sinónimos, ya que básicamente ambas significan «escapar» y comparten un mismo origen. La palabra «huir» procede del latín vulgar fugire, por fugere, a su vez la palabra «fugar» viene del latin fugare, por vía culta. De ahí también las palabras fuga y fugaz. Fugare (espantar, hacer huir) deriva de fugere (huir), por eso en latín fugar significaba ambas cosas: perseguir y huir. 

Tratando de encontrar un rasgo que distinga las dos palabras, me da la impresión de que «huida» es algo planeado, con un objetivo; y «fuga», algo accidental, ya que se suele decir «fuga de gas o petróleo» para referirse a la salida accidental de un gas o líquido por un orifício. Sin embargo, mi teoría cae por tierra, cuando me encuentro con «fuga de cerebros» que no tiene nada de accidental, ya que se emplea para referirse a la emigración de personas destacadas por su formación técnica, científica o intelectual. Por otro lado, cuando una pareja se escapa para vivir una situación romántica y de ensueño, se suele decir que  tuvieron una «huida romántica», y no una «fuga romántica». Así que hay tendencias de uso, pero no una regla.

Incluso cuando los sinónimos son perfectamente intercambiables, notamos preferencias de uso. Por ejemplo, si haces una búsqueda exacta en Google por las combinaciones «presos se escapan» y «prisioneros huyen», verás que la frecuencia de ambas construcciones presenta una razón de 100:1, respectivamente. Lo que indica que aunque sean sinónimos perfectos, hay preferencia por la primera combinación. Eso puede resultar indiferente a la mayoría de los hablantes, pero no a los traductores, para quienes la elección de una u otra forma puede implicar una traducción más, o menos, verosímil.

El uso de sinónimos inadecuados en determinadas situaciones, puede comprometer la fiabilidad del mensaje. Por ejemplo, si uno va a un restaurante y pide una «empanada de pez» o si va a una tienda de mascotas y dice que quiere un «pescado payaso» su interlocutor lo mirará con desconfianza, pues aunque «pez» y «pescado» parezcan sinónimos, queda claro por los ejemplos que no lo son.

Otro aspecto interesante es cuando uno de los sinónimos adquiere un sentido metafórico. Por ejemplo, mientras los verbos «bucear» y «sumergirse»  se pueden intercambiar para referirse a alguien que se mete bajo el agua, pero solo la segunda forma se puede usar en sentido metafórico para referirse a alguien que concentra la atención en algo, «sumergirse en la naturaleza indígena», por ejemplo.

Este tema también es relevante a la hora de optimizar los motores de búsqueda, es decir, a la hora de encontrar las mejores palabras clave para mejorar el posicionamiento de una página o las visitas a una publicación en las redes. 

Bueno, como ya se nota que hay tela para un buen rato, volveremos a ello en otra ocasión.



sexta-feira, 6 de maio de 2016

Palabras con acepciones dispares


La relación entre la palabra y su significado tiene razones que nuestra razón desconoce, en algunos casos, es totalmente arbitraria, o sea, no tiene un motivo, es puramente convencional, e incluso puede suceder que una misma palabra abarque acepciones parcial o totalmente contradictorias, o más bien, dispares.

Sin contar con el lenguaje literario, en que para lograr expresividad  las palabras sobrepasan su sentido ordinario y cobran sentidos figurados. Incluso se puede afirmar algo con la intención de expresar justamente lo contrario, mediante el recurso de la ironía.
Por eso, traducir palabras aisladas es una tarea prácticamente imposible y muy propensa a confusiones, ya que el significado se extrae del contexto.

La lengua está viva y las palabras sufren cambios semánticos a lo largo del tiempo y según el contexto en que se utilizan. Las principales causas de estos cambios son las siguientes:

1) históricas, muchos objetos y costumbres cambian de uso a lo largo del tiempo, por ejemplo, la palabra satélite, que proviene del latín satelles, vocablo que significaba ‘lo que estaba en torno o alrededor de alguien’ y antiguamente se utilizaba para designar a los soldados o guardias encargados de proteger a los reyes y soberanos. La moderna pluma de escribir mantiene ese nombre en referencia a las plumas de ave utilizadas antiguamente para escribir, aunque el objeto haya cambiado a lo largo del tiempo, se mantuvo el mismo nombre.

2) Sociales, una palabra que en el lenguaje ordinario tiene un significado general, puede tener un significado más específico  según el área en que se aplica. Por ejemplo, la palabra faena, significa trabajo; pero en el lenguaje taurino designa la manera de torear en un momento dado.

3) Psicológicas, la causa psicológica más notable es el tabú, es decir, cuando por motivos como superstición temor, política o pudor, las palabras son “prohibidas" y sustituidas por otras, consideradas más adecuadas. Así sucedió, por ejemplo, con la palabra retrete, que al asociarse con palabras malsonantes, se ha sustituido por eufemismos como cuarto de baño, lavabo, servicio, baño. Por motivos supersticiosos se utiliza bicha por culebra o serpiente y por razones sociopolíticas se utiliza productor por obrero o reajuste por subida de precios.

4) Literarias, por motivos de expresividad, el lenguaje literario utiliza los cambios semánticos con asiduidad, dando lugar a la metáfora (Los luceros de tu cara. Luceros = ojos) y a la metonimia (El espada actuó bien. Espada = torero).

Dejando a un lado las razones de los cambios semánticos, veamos algunas palabras que abarcan significados dispares o contradictorios:

Sancionar: esta palabra por una parte significa autorizar o aprobar un acto, uso o costumbre; y por otra parte aplicar un castigo o una pena a alguien o a algo que infringe la ley.

Ejemplos:

La Ley Sáenz Peña, sancionada por el Congreso de la Nación Argentina el 10 de febrero de 1912, estableció el voto universal secreto y obligatorio para los ciudadanos argentinos varones, nativos o naturalizados, mayores de 18 años de edad, habitantes de la nación y que estuvieran inscriptos en el padrón electoral (con el sentido de aprobar)

Hamilton recibirá una sanción de 5 posiciones en la parrilla del GP de China (con el sentido de castigo).

Oler: El verbo oler, en español, se refiere tanto a la acción de percibir un olor por el sentido del olfato como a la acción de exhalar una fragancia que deleita o un hedor que molesta.

Ejemplos:

Policías dicen que el autor del doble crimen "olía a alcohol pero no estaba borracho" (con el sentido de exhalar hedor)

Los perros huelen mil veces mejor que los humanos. Para un perro, oler el suelo es la mejor manera de saber las últimas novedades de la banda. Impedir que un perro huela el mundo al su rededor es como impedirlo de conocer las características del local donde vive (con el sentido de captar fragancias por medio del olfato)

Alquilar: El verbo alquilar se refiere tanto a la acción de cobrar dinero para ceder un bien temporalmente como a la acción de pagar un precio acordado para usar algo temporalmente.

Ejemplos:

Para conocer bien los alrededores, lo mejor es alquilar un coche (con el sentido de pagar para usar)

Con esta crisis, no nos queda más remedio que alquilar nuestra casa de playa (con el sentido de cobrar para ceder)


quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Distinção entre os verbos “crear” e “criar” em espanhol

Diferentemente do português que têm somente o verbo criar, o espanhol tem dois verbos:  “crear” e “criar”, que apesar de compartilharem a mesma origem, ‘creare’ (engendrar, fazer, produzir, nascer). Por sua vez, esse verbo procede do grego ‘kepao’ (misturar, fazer um composto). Em sânscrito, temos ‘kre’ (fazer). Desse mesma origem, derivaram duas ações similares: ‘crear’ (inventar a partir do nada ou com uma grande transformação) e ‘criar’ (manter, nutrir, educar, cuidar um ser vivo).

Da mesma forma, também existem dois substantivos diferentes “creación” (obra de engenho, arte ou artesanato, produzida a partir do nada) e “cría/crianza” (ação e efeito de cuidar uma criança ou um animal). Para plantas, prefere-se o verbo “cultivar”.
O surgimento da forma “crear” se deu por eruditismo.

Vejamos alguns exemplos de uso dos dois verbos e os respectivos substantivos:

Crear / creación
Dios creó el mundo en siete días.
Investigadores crearon una tecnología para poder "hablar" por celular en silencio.
¿Has logrado crear una cuenta en Facebook?
Estoy haciendo un curso para crear páginas de Internet.
La creación literaria es un fenómeno que se produce en todas las culturas.

Criar / cría, crianza
Hoy en día se necesita mucha valentía para criar a los hijos.
La crianza de ganado caprino representa una actividad principal e importante fuente de alimentos.
La crianza de los hijos es la acción de promover y brindar soporte.
He comprado un libro sobre la cría de gallinas.

La crianza de los hijos es una de las tareas más difíciles y reconfortantes del mundo

Para encerrar, uma frase em que aparecem as duas formas verbais e um substantivo:


Estamos participando en un seminario para criar peces ornamentales, luego crearemos nuestro propio criadero.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Tradução e precisão vocabular

Em princípio pensei em escrever este artigo em espanhol; mas, como é um assunto que compete à tradução de qualquer idioma, decidi escrevê-lo em português e mais abaixo tratarei alguns exemplos específicos do espanhol.

A precisão vocabular consiste no uso adequado das palavras, com a maior propriedade e precisão possível, com seu significado peculiar, permitindo uma correspondência biunívoca entre o vocábulos e o conceito que se deseja expressar, daí sua importância no ofício do tradutor, pois ela revela um profundo conhecimento da língua.

Em gramática, a semântica corresponde ao estudo dos significados das palavras, da evolução do significado ao longo do tempo, da interpretação de sentenças e das relações de sentido entre as palavras: sinonímia, homonímia, paronímia, antonímia, polissemia, denotação, conotação, vícios e figuras de linguagem.

Para escolher a palavra exata para o conceito que desejamos expressar, além de estudar semântica, devemos ler muito e praticar exercícios de aquisição e ampliação de vocabulário.

Há palavras que compartilham um significado comum, mas que servem para situações específicas. Por exemplo, há vários sinônimos que expressam o conceito geral de produzir, gerar, dar origem; no entanto, para cada situação específica há um vocábulo mais preciso, isto é, que consegue expressar com maior exatidão a ideia que desejamos transmitir. Assim, os instrumentos emitem sons, as flores exalam perfume, um olhar exprime tristeza, uma pessoa remete uma carta, um juiz despacha uma decisão, um ferimento jorra sangue, um vulcão expele lava, o poder emana do povo, a fotossíntese libera oxigênio, as glândulas sudoríparas excretam suor, etc.

É claro que, em algumas situações, um vocábulo pode ser usado em lugar de outro sem comprometer o sentido da sentença; mas, em outras situações, diferentes combinações resultam em diferentes significados:
A chaminé / expele / fumaça
O tubo / lança / gás
O duto / solta / dejetos
O escapamento / emana / fuligem

Situações específicas exigem vocábulos específicos. Por exemplo, quando ensinamos um cão a obedecer, estamos adestrando-o; quando habilitamos alguém para exercer uma função, estamos qualificando-o; quando preparamos alguém para uma competição esportiva, estamos treinando-o; e quando preparamos alguém para executar um procedimento, estamos capacitando-o. Assim, apesar de todos os vocábulos (adestrar, qualificar, treinar e capacitar) compartilharem um sentido comum — o de tornar hábil para algo — eles apresentam leves variações semânticas que os tornam mais ou menos adequados a determinada situação.

Eclodir = emergir da casca de um ovo
Outro exemplo. Para o ato de emergir da casca de um ovo, temos uma palavra específica: eclodir. Assim, os ovos de uma tartaruga marinha demoram cerca de 50 semanas para eclodir. Em uma publicação informal é possível usar sinônimos como quebrar, rachar ou abrir, em lugar de eclodir. Por outro lado, o uso do vocábulo preciso, denota conhecimento e, consequentemente, atribui credibilidade ao texto.

Agora que já falamos bastante do assunto, podemos observar alguns exemplos de precisão vocabular próprios da língua espanhola. Lembro-me bem de uma palavra que despertou minha atenção logo no início do romance La Sombra del Viento, do escritor espanhol Carlos Ruiz Zafón: Todavía recuerdo aquel amanecer en que mi padre me llevó por primera vez a visitar el Cementerio de los Libros Olvidados. Desgranaban los primeros días del verano de 1945 [...]” . 

Em outra parte do livro este vocábulo aparece novamente: "[...] presumiblemente adquiridos en su mayoría por las señoritas de virtud fácil y otros habituales del local donde el autor desgranaba nocturnos e polonesas por unas monedas." 

Na versão em português, as frases citadas acima foram traduzidas, respectivamente, da seguinte forma: “Ainda me lembro daquele amanhecer em que o meu pai me levou pela primeira vez a visitar o Cemitério dos Livros Esquecidos. Desfiavam-se os primeiros dias do Verão de 1945 [...]” e  “[...] presumivelmente adquiridos na sua maioria pelas meninas de virtude fácil e outros frequentadores habituais do local onde o autor desfiava noturnos e polacas a troco de umas moedas.” 

O sentido literal da palavra desgranar é retirar ou extrair o grão de algo (desgranar el trigo = debulhar o trigo). No entanto, usa-se também no sentido figurado para transmitir a ideia de soltar pouco a pouco as peças que formam parte de um todo. Vejamos outros exemplos de tradução em que tentamos manter a precisão desse termo.

El reloj desgrana las horas lentamente = O relógio marcava as horas lentamente, ou dito de outra forma mais metafórica, As horas arrastavam-se lentamente ou O relógio pingava as horas vagarosamente (nem sempre encontraremos equivalentes perfeitos).
Rezaba mientras desgranaba entre sus dedos las cuentas del rosário = Rezava enquanto desfiava/debulhava entre seus dedos as contas do rosário (em português, também usa-se o termo debulhar no sentido de mover entre os dedos). 
La campana desgranaba sus sonoros tañidos = O sino repicava/baladava/dobrava sonoramente.

Muitas vezes, quando não conhecemos os vocábulos precisos em espanhol, ou em outra língua, usamos palavras clichês, isto é, palavras comuns utilizadas para transmitir diversos sentidos. Isso ocorre com frequência com os verbos hacer, poner, tener e decir. Como profissionais de língua, devemos evitar o uso de palavras clichês e dar preferência a vocábulos mais específicos e expressivos.



Que tal encarar uns exercícios de precisão vocabular?

1 - Substitua o verbo “tener” nas frases abaixo pelas seguintes opções: conseguir, estabelecer, desempeñar, fijarse, obtener, desarrollar.

Sandra tiene una gran actividad en la asociación de Defensa de los Animales, porque tiene el cargo de directora de zona. Por lo general tiene muchos contactos con los demás miembros. La asociación tenía una meta desde el principio: tener un local donde recoger a los animales del barrio que la gente abandona. Hasta ahora han tenido muy buenos resultados.
(Solução: desarrolla, desempeña, establece, había fijado, conseguir, obtenido).

2 – Faça o mesmo com o verbo “decir” nas frases abaixo. Substitua-o por outro mais preciso: narrar, pronunciar, revelar, declarar, recitar, proferir.

Decir un poema.
Decir un discurso.
Decir insultos.
Decir un secreto.
Decir la verdad.
(Solução: recitar, pronunciar, proferir, revelar, declarar).

3 – Substitua cada construção por um verbo que tenha a mesma raiz que o complemento:

Poner atención
Ponerse de rodillas
Poner un anuncio
Poner un ejemplo
Poner un castigo
Poner un marco

(Solução: atender, arrodillarse, anunciar, ejemplificar, castigar, enmarcar)

4 - Substitua o verbo "hacer" por um verbo mais específico.

Hacer una película
Hacer un formulario
Hacer una fiesta
Hacer amistades
Hacer una carrera
Hacer un daño
Hacer un atentado
Hacer preguntas

(Solução: rodar/filmar, rellenar, celebrar, establecer/entablar, cursar, causar, cometer, realizar).


5 - Substitua o verbo hacer no texto a seguir.

El año pasado hicimos una obra en la Plaza Mayor del pueblo. Nos costó muchos meses hacerla. En el taller de mis tíos hicieron los vestidos; Marta y Lucía hicieron la música; entre todos los chicos y chicas hicimos el texto de la obra; y al final, la víspera de la fiesta, el carpintero hizo un gran tablado en la plaza. Afortunadamente todo salió bien.

(Solução: representamos, prepararla, confeccionaron, compusieron, escribimos, construyó)

6 - Substitua o verbo haber por outro mais preciso.

En Navidad siempre hay una fiesta en el Casino de Perelada
En su caso hay circunstancias especiales
Antes de declararse el incendio hubo una explosión
Aquí hubo una batalla decisiva durante la guerra civil
Hubo muchas sospechas en relación con su declaración.

(Solução: se celebra, concurren, se produjo, se entabló, se levantaron)

7 - Substitua o verbo dar por outro mais preciso. Exemplo: Dar razones: aducir razones / alegar razones

Dar confianza:
Dar permiso:
Dar información:
Dar una impresión:
Dar una opinión:           
Dar miedo:
Dar un cambio:

(Solução: transmitir, conceder, proporcionar, causar, expresar, producir/causar, conceder/provocar)


8 - Com base na informação do dicionário, substitua em cada oração o verbo echar por outro mais preciso.

echar. Verbo transitivo. 1. Lanzar o impulsar a una persona o cosa hacia un lugar. 2. Despedir algo: Echar un olor. 3. Hacer que una cosa caiga en un sitio: echar monedas en la hucha. 4. Expulsar a alguien de un lugar con violencia. 5. Despedir a una persona de un empleo o cargo. 6. Nacer, salir o brotar una parte de un ser vivo. 7. Decir, pronunciar; Echar un sermón. 8. Calcular una cantidad por aproximación.

Este café echa un olor muy agradable
El director echó un discurso al acabar la cena
En la fiesta, echaron globos al aire
¿Cuántos años le echabas tú a ese hombre?
Dicen que van a echar al entrenador
Échale el balón a Montse.
Le echó poco agua a la paella.
Tienes que echar un poco más de sal.

(Solução: expide, pronunció, lanzaron/soltaron, calculabas, despedir, lánzale/pásale, puso, poner)

9 - Busque sinônimos para as palavras destacadas e escreva estas orações sem que haja mudança de significado.

El equipo venció a sus contrincantes con gran ventaja (adversarios, oponentes, rivales)
Pretendía ganar su amistad mediante engaños (mentiras, embustes)
Es un estadista de gran perspicacia (sagacidad, agudeza)
El encargado se ocupó del asunto con celeridad (presteza, prontitud)
Mostró un gran desdén hacia todo el asunto (desprecio, mesnosprecio)
Tu confianza en él le servirá de incentivo para trabajar más (acicate, aliciente, estímulo).

10 - Substitua, nas frases abaixo, o verbo coger por outro mais preciso.

Juan ya ha cogido un apartamento para el mes que viene
Los cazadores han cogido algunos conejos
Javier nunca coge el sentido de lo que se dice
El año pasado mi tío cogió una gripe muy fuerte
Al amigo de Luisa le cogió un tren
El piano no coge por esa puerta
Han cogido un nuevo dependiente en la ferretería.

(Solución: ha alquilado, han cazado/han matado, capta, padeció, atropelló, pasa, han contratado)

11 - Substitua o verbo romper por outro com um significado mais preciso.

Se rompió el fémur jugando al baloncesto
Al cortar la lata, se rompió la hoja de la tijera
Han roto la promesa que hicieron
Se ha roto la radio
La rama le rompió la camisa
El rayo ha roto una rama del árbol


(Solución: fracturó, se partió, han quebrantado, se ha estropeado, rasgó, ha partido/ha quebrado)

Exercícios extraídos e traduzidos a partir da página https://charlaenespanol.files.wordpress.com/

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