Quando você
estiver desfrutando da leitura de autores como Oscar Wilde, Kafka, Tolstói,
Agatha Christie, Victor Hugo, Cervantes, Vargas Llosa, Elena Ferrante,
Dostoiévski, Haruki Murakami, Toni Morrison, Margaret Atwood, entre tantos
outros (ou de obras de não ficção), não se esqueça de que alguém dedicou horas
a fio à busca da palavra ou expressão exata — aquela capaz de transmitir, com
precisão, sensibilidade e naturalidade, cada escolha feita por esses grandes
autores.
Muitas vezes,
esse processo envolve riscos: perder um pouco da expressividade aqui, encontrar
soluções brilhantes ali; há momentos de dúvida, de esforço intenso, e outros de
verdadeira satisfação. Tudo isso para que você possa ter a melhor experiência
de leitura e afirmar, sem hesitação, que leu tal autor.
Por trás de
toda tradução publicada, há um grande esforço coletivo, e o tradutor é uma peça
fundamental dessa engrenagem. Para que uma obra traduzida chegue a suas mãos, o
texto passa por várias etapas, descritas, de forma geral, a seguir, podendo haver
variações de uma editora para outra:
1 –
Aquisição de direitos
A editora negocia os direitos de publicação no Brasil com o agente literário do
autor ou com a editora estrangeira responsável pelos direitos. Em alguns casos,
quando há interesse de várias editoras, pode haver um leilão.
2 – Tradução
O editor escolhe um tradutor cuja experiência e estilo dialoguem com a obra.
Cabe a esse profissional traduzir o texto para o português, buscando preservar
o sentido, o estilo, o tom e o registro do original, ao mesmo tempo que confere
naturalidade e fluidez ao texto. Isso envolve pesquisa de termos técnicos,
referências históricas e culturais e, em última instância, a tentativa de
reproduzir no leitor o mesmo efeito da obra original.
3 –
Preparação (copidesque)
Nessa etapa, o texto é revisado com atenção não apenas à correção gramatical,
mas também à consistência e à adequação aos critérios editoriais. O preparador
padroniza o texto, faz o cotejo com o original para identificar eventuais
falhas ou omissões e, quando necessário, verifica termos e informações. Também
sugere ajustes quando a tradução soa pouco natural (tradutês).
* Obras de não
ficção com conteúdo altamente especializado podem requerer um revisor técnico
ou consultor especializado, que verifique a precisão terminológica e a correção
conceitual. Essa revisão não substitui a preparação nem a revisão de provas.
4 –
Diagramação
Após a preparação (e, em alguns casos, uma revisão prévia), o texto segue para
a diagramação. O diagramador transforma o texto em um livro, aplicando o
projeto gráfico — fontes, margens, espaçamentos e hierarquia visual — para
garantir uma leitura confortável. Em seguida, é gerada a primeira prova,
geralmente em PDF, embora em alguns casos também possa ser impressa.
5 – Primeira
revisão
Realizada sobre a prova diagramada, essa etapa busca identificar erros que
passaram despercebidos anteriormente, verificar se nada foi alterado ou perdido
na diagramação e ajustar aspectos como hifenização e quebras de linha.
6 – Segunda
revisão
Após a incorporação das correções, o texto passa por uma nova leitura. O
objetivo é fazer um ajuste fino: conferir paginação, títulos, sumário, além de
eliminar problemas como “viúvas” e “órfãs” (linhas isoladas) e eventuais
deslizes de pontuação.
Concluída a
revisão de provas, o arquivo é fechado e encaminhado à gráfica em formato PDF.
Antes da impressão final, o editor pode receber uma prova impressa em tamanho
real (plotter), destinada à verificação técnica da montagem do livro, e não
mais do conteúdo textual. Uma vez aprovada essa etapa, o próximo contato será
com o livro já impresso.







