quarta-feira, 11 de maio de 2022

Expressões espanholas relacionadas a "pagar a conta"

 


Em praticamente todas as culturas, as pessoas cultivam o costume de reunir-se com os amigos em algum bar ou restaurante para petiscar, tomar uns drinques e jogar conversa fora.

Na Espanha, é tradição depois de um dia de trabalho sair com um grupinho de amigos, de um bar a outro, beliscando uns aperitivos e tomando umas geladas para descontrair. Isso se chama "salir de tapas". Já falei sobre essa tradição aqui no blog.

Agora quando o assunto é pagar a conta, também há regras ou costumes que devemos conhecer para não ficarmos numa situação constrangedora. Não vou entrar aqui no mérito sobre quem deve pagar a conta, porque isso aí implica aspectos como hierarquia, idade, sexo, etc. E como o tema deste blog não é a etiqueta, mas sim a língua, vou me ater às expressões coloquiais relacionadas ao tema. Para saber sobre etiqueta quando o assunto é pagar a conta na Espanha, leia esta matéria: https://www.elconfidencial.com/alma-corazon-vida/2016-11-18/pagar-cuenta-invitar_1290476/

Na Espanha, quando alguém diz "te invito a tomar algo" significa que essa pessoa vai pagar a conta. "Invitar", nesse contexto, equivale a "pagar". Por isso tome cuidado com esse verbo. Se você não pretende pagar a conta sozinho, diga: "¿Salimos a tomar algo?", esqueça a palavra "invitar" para não provocar mal-entendidos.

Atualmente a situação não está fácil para ninguém e geralmente a conta é dividida entre todos. Mas, cuidado, quando o tema é dividir, também há algumas expressões que precisamos conhecer.

Quando os amigos vão para o bar ou restaurante e usam a expressão "ir/pagar a pachas", significa que vão dividir a conta em partes iguais, ainda que um tenha pedido um alface e o outro uma lagosta, entende-se que todos pagarão o mesmo valor. Essa expressão tem origem na locução cigana "a pacha" (de acordo). "É o mesmo que a expressão "pagar a medias" (dividir a conta em partes iguais entre todos). Por outro lado, existe a expressão "ir/pagar a escote" (do francês escot, contribuição em dinheiro), que consiste num sistema de rateio em que cada um paga por aquilo que consumiu, ou seja, cada um paga a sua parte.

No entanto, é preciso dizer que algumas pessoas usam indistintamente "pagar a escote" ou "pagar a pachas" no sentido de "pagar a medias" (dividir a conta em partes iguais entre todos), enquanto outros entendem como que cada um paga pelo que consumiu. Assim, na dúvida, e, para evitar mal-entendidos, é preferível dizer "pagar a medias" quando o objetivo é dividir e "pagar cada uno lo suyo" quando cada um paga sua parte. O objetivo aqui é somente conhecer essas expressões.

Outra expressão relacionada ao ato de pagar em grupo é "hacer un bote/fondo", que equivale ao nosso "fazer uma vaquinha" quando todos contribuem com aquilo que podem para comprar alguma coisa em grupo, para ajudar alguém ou por uma causa em comum.

Agora se você quer dizer que é sua vez de pagar, diga: "Me toca a mí", "Invito yo" ou "Pago yo", e, se você deseja pagar uma rodada, diga: "¡Esta ronda es mía!".

E quanto à gorjeta? Na Espanha, "la propina" é opcional e habitual, cada um deixa a quantia que quiser, as pessoas costumam deixar um pequeno "cambio" (trocado) nos bares e restaurantes ou para prestadores de serviços como cabeleireiros, por exemplo, mas não há uma taxa definida como nos Estados Unidos. A gorjeta do cabeleireiro é um costume cultivado entre os mais antigos. Hoje em dia a maioria passa o cartão na maquininha e não deixa gorjeta.

E agora, a pergunta que não quer calar, ¿Quién paga la cuenta? ou ¿Quién invita?




segunda-feira, 21 de março de 2022

Resenha do livro "La guerra del fin del mundo", de Mario Vargas Llosa



Há tempo que eu queria escrever algo para o blog, mas me faltavam tempo e inspiração. Finalmente achei o empurrão que estava precisando quando terminei de ler este livro, tanto que hoje é domingo, 7 horas da manhã, e estou aqui, escrevendo.

La guerra del fin del mundo é uma obra de ficção inspirada num dos acontecimentos mais chocantes e dramáticos da história brasileira: a Guerra de Canudos. Mario Vargas Llosa, escritor peruano, Prêmio Nobel de Literatura, é um dos maiores romancistas e ensaístas da América Latina de sua geração e um dos meus escritores prediletos. Este é o quarto livro que leio dele. Antes, li nesta ordem: La ciudad y los perros, Travesuras de la niña mala e El sueño del celta. O primeiro é um dos meus livros da vida junto com este que acabo de ler.

Nas palavras do próprio Vargas Llosa, ele teria tomado como ponto de partida o “extraordinário” livro Os Sertões, de Euclides da Cunha, publicado no início do século XX, mais precisamente em 1902. A partir daí, ele se embrenharia em arquivos históricos no Rio de Janeiro e Salvador e, finalmente, peregrinaria pelo sertão da Bahia e do Sergipe, visitando vilas e ouvindo relatos e discussões dos próprios moradores para escrever seu livro.

Embora o autor tenha realizado uma exaustiva pesquisa e tenha incluído alguns personagens reais, como Antônio Conselheiro e grande parte dos personagens militares e políticos, cabe lembrar que se trata de uma obra ficcional em que o conflito de Canudos serve de pano de fundo para o desenvolvimento da trama e das personagens. Algumas personagens como "el Beatito" existiram, mas só o nome é real, sua história de vida é inventada ou inspirada em alguns registros.

Um dos aspectos que torna esta obra magistral é que ela não se limita ao espaço físico e temporal que retrata. Mesmo se baseando em um acontecimento histórico, numa região e período determinados, a obra aborda questões universais e atemporais, como a fé, o amor, a miséria, o idealismo, a justiça, a lealdade, a guerra, entre outros. O conflito de Canudos foi um acontecimento de grande complexidade, uma guerra civil que deixou cicatrizes profundas na história do Brasil.

O conflito de natureza messiânica e religiosa reuniu de um lado um bando de desvalidos, ex-escravos e jagunços liderados pelo beato Antônio Conselheiro e, do outro lado, as forças militares enviadas pelo governo, que via em Canudos uma ameaça à República.

A comunidade de Canudos chegou a reunir cerca de 25 mil flagelados da grande seca de 1877, que fugiam da miséria, da seca, da fome e do desemprego, típicos de uma região tomada por latifúndios improdutivos, que encontraram no líder religioso a promessa da salvação através da devoção após o apocalipse que ele anunciava. O beato via na República a materialização do Anti-Cristo na Terra; e na separação da igreja e do estado, a proximidade do fim do mundo. Considerava que a república representava a luta do poder humano contra o poder divino, via no casamento civil um desagregador de costumes, uma intromissão na lei divina, e pregava contra a cobrança de impostos, pois achava que o dízimo era a única forma correta de contribuição. Assim como também criticava o novo sistema de pesos e medidas e o censo populacional, pois via neles, respectivamente, uma forma de ludibriar o pobre e uma tentativa de restabelecer a escravidão.

As críticas à república alimentaram os boatos, por parte da mídia, de que se tratava de um grupo de revoltosos apoiado por forças estrangeiras disposto a derrubar a república e restabelecer a monarquia. Difundida pela imprensa, essa imagem ganhou o apoio da opinião pública do país para justificar a guerra contra o arraial de Canudos.

Apesar de sua condição de inferioridade, o grupo formado pelos sertanejos e jagunços seguidores do beato conseguiu frustrar três expedições militares, o que inflamou a ira das autoridades e resultou numa quarta incursão que incendiou o arraial, matou grande parte da população e degolou centenas de prisioneiros. Estima-se que morreram por volta de 25 mil pessoas — um verdadeiro massacre.

Quando fiz referência ao caráter universal e atemporal da obra, eu quis dizer que a fronteira entre a ficção e a realidade é muito tênue e até mesmo se desfaz em alguns momentos, basta olharmos para o momento atual para verificar que a imprensa continua manipulando a opinião pública do país e que, mesmo com todas as benesses do progresso, guerras absurdas e desiguais continuam ocorrendo, como é o caso do conflito na Ucrânia.

Não pude deixar de fazer essa conexão. Embora por motivos diversos, ambas guerras se destacam pelo brio e pela dignidade de um povo que, agredido, não hesita em ir à luta e que não aceita a rendição apesar de sua condição de inferioridade. Assim como os sertanejos, os ucranianos estão dispostos e motivados a lutar até o fim.

Literariamente, destaca-se a destreza narrativa do autor onisciente, que, consegue reconstruir os acontecimentos alternando as perspectivas de diversas personagens, como os sertanejos seguidores do beato, os fazendeiros, os militares, o jornalista, os jagunços, os políticos, etc. Isso enriquece o relato, pois apresenta diferentes situações, experiências, crenças e opiniões, para que o leitor extraia suas próprias conclusões.

Abundam personagens memoráveis, tais como Antônio Conselheiro, pregador e líder religioso que consegue a proeza de reunir milhares de seguidores no arraial de Canudos; o Leão de Natuba, o escriba corcunda do conselheiro; o Beatinho, seguidor fiel do conselheiro que ainda criança viu seu sonho de ser sacerdote frustrado por ser um filho bastardo; Maria Quadrado, a filicida de Salvador que peregrinou com um cruz às costas para expiar seu pecado e ficou conhecida como a Mãe dos Homens; Jurema, mulher do rastreador Rufino, violentada por Galileo Gall protetora do anão e do jornalista míope; o trio de aberrações de circo composto pelo anão, a mulher barbuda e o idiota; o jornalista míope, anti-herói e figura caricata que sofria de ataques de espirro e que termina conhecendo o amor em Jurema; Galileo Gall, frenologista, anarquista escocês cujas virtudes revolucionárias vão por terra abaixo quando estupra Jurema, mulher do rastreador Rufino; o Barão de Canabrava, importante fazendeiro da Bahia e um dos políticos mais respeitados da região; João Abade, ex-cangaceiro conhecido como João Satã por sua maldade, comove-se com as pregações do conselheiro e se torna um dos seus mais fiéis seguidores; João Grande, ex-escravo que havia sido condenado a morte por um crime que cometera; Pajeú, que havia sido um dos mais temidos cangaceiros e que tinha uma cicatriz em lugar do nariz; o coronel Moreira César, militar implacável com os inimigos e exigente com os subordinados, sofria de epilepsia, era conhecido como “corta-cabeças” e foi derrotado na 3.ª expedição após ser mortalmente ferido...

Outro aspecto que admiro em Vargas Llosa é sua habilidade para construir belas metáforas, como podemos constatar nos seguintes fragmentos:

Olió, vio, en el aire espeso de la habitación, flotando como pelusas, las palabras de esa larga conversación que, le parecía ahora, había sido, más que un diálogo, un par de monólogos intocables.”

Acho belíssima essa comparação das palavras que pairam na memória como partículas de poeira, penugem, flutuando no ar, além da referência ao sentido do olfato, o jogo entre palavras e sentidos “cheirou... palavras”.

Detrás de los gruesos cristales, como peces en la pecera, los ojos miopes se agitaron, pestañearon.”

E essa comparação dos olhos míopes com peixes agitados num aquário? Não lembra os “olhos de ressaca” de Machado de Assis? Eis a beleza da poesia: a superação do lugar-comum.

Outro trecho do livro que merece destaque é a reflexão do Barão de Canabrava sobre o sofrimento:

Es más fácil imaginar la muerte de una persona que la de cien o mil —murmuró el Barón—. Multiplicado, el sufrimiento se vuelve abstracto. No es fácil conmoverse por cosas abstractas.

Bom, já me estendi demais. Espero ter conseguido despertar seu interesse por este livro!

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

Como se preparar para uma entrevista de emprego



Regra número um: Não basta ser você mesmo, não aposte no improviso nem em sua experiência.

— Prepare-se!

Leve em conta que, se você foi selecionado, é porque os recrutadores se interessaram por você, então é preciso retribuir essa atenção, corresponder às expectativas. A experiência por si só não basta, ela já foi constatada por meio do seu currículo, agora é o momento da interação, do contato humano, da troca de impressões.

Primeiramente, cuide dos aspectos práticos. Se a entrevista for on-line, verifique qual será a plataforma utilizada, prepare o equipamento, o ambiente e sua aparência. Deixe um copo de água por perto, algumas anotações que possam ser úteis, respire fundo e concentre-se.

Assim como a empresa pesquisou sobre você, você também deve pesquisar sobre a empresa. Informe-se sobre sua história e seu ramo de atuação, o que ela faz, que tipo de serviço ou produto oferece, há quanto tempo está no mercado, qual é seu alcance e seus números, os valores que a orientam e sua cultura organizacional, isto é, os comportamentos e costumes que ela valoriza.

Espere seu momento de falar e aproveite para fazer perguntas pertinentes sobre as atribuições do cargo e qualquer outra dúvida que possa surgir, mas não é o momento de falar sobre salário, esse assunto será abordado oportunamente, quando a negociação avançar.

Prepare-se para falar de sua rotina de trabalho: as ferramentas que você utiliza, os aspectos que você preza, suas fontes de pesquisa e validação de terminologia, decisões sobre variantes linguísticas, enfim, aspectos específicos do trabalho do tradutor. Prepare-se também para falar sobre seu perfil profissional e pessoal, fortalezas e fraquezas, disponibilidade, suas motivações, etc.

Esteja pronto para falar dos projetos de que você se orgulha e daqueles em que você acredita que poderia ter se saído melhor e saiba justificar suas escolhas.

Tenha bem claro por que você quer trabalhar na empresa. O que você espera dela e, em troca, como você pode contribuir para a empresa, o que tem a agregar.

Por último, agradeça a oportunidade e a atenção e despeça-se cordialmente.


sexta-feira, 3 de setembro de 2021

Para que serve um dicionário de colocações?

Um dicionário de colocações é uma ferramenta indispensável para o tradutor, uma vez que ele nos permite saber como se combinam as palavras numa determinada comunidade linguística. Dentro do vocabulário de uma língua existem palavras que se combinam com frequência gerando uma fixação que faz com que estas apareçam sempre juntas, gerando uma nova unidade léxica, neste caso, pluriverbal. Essas uniões de palavras livres que se combinam gerando um novo significado são chamadas de colocações: ódio mortal, amor cego, etc.

As colocações se consolidam pelo uso, portanto, dão naturalidade ao texto. Elas têm uma estrutura fixa e não funcionam se substituirmos um dos termos por um sinônimo. Por exemplo, as palavras furo, buraco e orifício são sinônimas, mas não são intercambiáveis quando constituem uma colocação. Dizemos "furo de reportagem" para referir-nos a uma notícia transmitida em primeira mão, é uma forma fixa que não funciona se substituirmos um dos dois vocábulos "orifício de reportagem" ou "furo de matéria", assim como também não funciona a combinação "orifício negro" em lugar de "buraco negro" para designar a região no cosmo em que atua intensa força de gravitação. Por tanto, as colocações são estruturas fixas estabelecidas pelo uso dos falantes, são convenções arraigadas, idiomatismos que não podem ser traduzidos ao pé da letra. 

Quando o assunto é o espanhol, em 2004 aparece no panorama lexicográfico espanhol um novo conceito de dicionário, Redes, o primeiro dicionário combinatório do espanhol contemporâneo, que relacionam com outras obras de outros países. Redes foi dirigido por Ignacio Bosque, membro de número da Real Academia Espanhola e Catedrático da Universidad Complutense de Madrid.

Clique na imagem para aumentá-la

Por isso, para falar e escrever corretamente, não basta conhecer o significado das palavras; é preciso saber como elas se combinam.

Os dicionários combinatórios servem de forma especial para a produção de enunciados. Nesse sentido, os tradutores, como profissionais da linguagem, podem encontrar nos dicionários combinatórios uma ferramenta imprescindível para desenvolver seu trabalho. Para escolher a palavra adequada em cada contexto, e para usar com precisão e naturalidade palavras com significados muito semelhante. Em espanhol, por exemplo, temos “imprimir ritmo“, “albergar esperanza”, “entrar ganas”, “mercado negro”, “tomar medidas”, “plantear problemas”, “poner em marcha”, “jugar un rol”, “ etc.

Deixo aqui o link para o DiCE - Diccionario de Colocaciones del Español (http://www.dicesp.com/paginas).

Se você gostou deste texto, provavelmente gostará deste também: A dificuldade de traduzir colocações.

Referências:

Bosque Muñoz, I.  (dir.) (2004) Redes. Diccionario combinatorio del español contemporáneo. Madrid, SM.

Bosque Muñoz, I. (dir.) (2006) Diccionario combinatorio PRÁCTICO  del español contemporáneo. Madrid, SM.

Dossier Diccionario Redes https://www.rae.es/sites/default/files/PDF_diccionario_redes.pdf

Diccionarios combinatorios: una herramienta imprescindible para los traductores. Yolanda Lozano. https://cvc.cervantes.es/lengua/esletra/pdf/04/050_lozano.pdf

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

8 dicas ao enviar um e-mail para as agências de tradução


Você investiu tempo e paciência para elaborar um currículo perfeito, gerou o .pdf protegido, separou as agências do seu sonho, mas, calma lá! Não coloque os bois na frente da carroça! (rs) Agora vem a parte mais importante: enviar o e-mail de forma correta. Afinal, a primeira impressão é a que fica, e você precisa transmitir credibilidade e profissionalismo.

1) Use um endereço apropriado

Não arruíne a chance de conseguir uma oportunidade usando aquele e-mail que você criou aos 15 anos de idade, use um nome adequado. O ideal é criar um e-mail profissional. Para isso é preciso obter um domínio e escolher um provedor. Se preferir usar uma conta pessoal, escolha um endereço do tipo "nome.sobrenome@provedor.com". Nada do tipo gatinha@... zoreia@... extraterrestre@...

2) Não se esqueça de anexar o currículo!

Pode parecer a coisa mais óbvia, mas quem nunca? Se tem algo realmente constrangedor, quando enviamos um e-mail para concorrer àquela tão sonhada oportunidade, é quando clicamos no botão "Enviar" no exato momento em que percebemos que não anexamos o currículo. Instantaneamente se acende um letreiro luminoso em nossa mente: "LOOSER". Para evitar passar uma má imagem, configure um alerta que indica que você está prestes a enviar uma mensagem sem anexo sempre que afirmar explicitamente no corpo do e-mail que está anexando algo. As ferramentas estão aí para nos ajudar. Explore-as!

3) Evite um assunto genérico do tipo "currículo"

Qual é a primeira coisa que você vê num livro? O título, certo? Pois a primeira coisa que o recrutador vai olhar no e-mail é o assunto, por isso evite um assunto vago que não diz nada, algo como "currículo" ou "especialista linguístico". Atraia a atenção dele com um assunto mais específico, "Especialista em tradução técnica de inglês e alemão", ou mencione algo que destaque você, como uma certificação, um livro que você traduziu, um prêmio, etc.

4) Escreva uma carta de apresentação no corpo do e-mail

Por incrível que pareça, algumas pessoas escrevem apenas "Prezado, segue anexo o meu currículo" ou algo parecido. É fundamental que você tenha uma boa carta de apresentação, pois ela será lida antes do currículo, deve ser atrativa como o mostrador de uma confeitaria. É importante que esteja muito bem escrita, sem erros, bem formatada, que seja formal, mas que também mostre um pouco da sua personalidade. Escreva brevemente em primeira pessoa sobre sua formação e experiência, sobre seu interesse na empresa, sobre suas áreas de especialidade e os valores que você preza, por exemplo. Saiba mais aqui.

5) Não envie o mesmo e-mail para várias agências ao mesmo tempo

É muito deselegante e nada profissional enviar o mesmo e-mail para várias agências ao mesmo tempo deixando os endereços visíveis a todos os destinatários. Para preservar a privacidade de seus contatos contra spam e vírus e evitar que seus destinatários saibam quem recebeu a mesma mensagem, insira os endereços no campo "Cco" (cópia oculta), ou melhor, envie um e-mail por agência, para não correr o risco de meter as mãos pelos pés ou coisa parecida.

6) Especifique suas áreas de especialidade

Ajude o recrutador especificando suas áreas de especialidade e o tipo de documentos que costuma traduzir. Ninguém domina todas as áreas, por isso é importante mencionar aquelas nas quais você tem mais experiência ou, se você estiver começando, aquelas com as quais tem mais afinidade.

7) Ofereça-se para realizar um teste

Mostre que você está apto para começar. Ofereça-se para realizar um teste sem compromisso. Isso demostra confiança e disposição. É a forma de demonstrar sua destreza. É a prova de acesso obrigatória para as agências de tradução. Se você ainda não teve a oportunidade de fazer um teste, vá treinando todos os dias, prepare-se. Pratique para identificar aqueles pontos que precisa melhorar. Saiba mais sobre testes aqui.

8) Crie uma assinatura profissional

Ter uma assinatura profissional faz toda a diferença, pois funciona como um cartão de visitas. Ela deve conter seu nome e sobrenome, sua profissão, contato (pode ser seu telefone, Skype ou um link para o WhatsApp). Além disso, pode conter uma foto ou um logo, ou ainda, um selo de certificação e um link para sua página web ou seu perfil no LinkedIn. Também pode incluir uma frase com a qual se identifique. No entanto, uma assinatura bagunçada ou poluída pode atrapalhar em lugar de ajudar. Novamente a internet e as ferramentas estão aí para nos ajudar, há artigos sobre o assunto, modelos, geradores de assinaturas, saiba mais aqui.

Ah, sim, por último, mas nem por isso menos importante, muito pelo contrário: seja cordial!
Não se esqueça de cumprimentar o destinatário e de finalizar agradecendo a atenção e colocando-se à disposição. E, por fim, revise a mensagem várias vezes antes de enviá-la e SALVE-A para não ter que começar do zero cada vez que for enviar um currículo! 

Eu disse oito dicas, e no último parágrafo foram mais duas, mas agora já era, o foguete para a lua já saiu da estação... é promoção, peça 8 e leve 10!

segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

Receita de sonho




Este fim de semana aproveitei minha folga para fazer umas experiências na cozinha… mais especificamente a receita de sonho da "tia Lelé" @bolosdalefoz (Instagram). Vocês não tem noção da responsabilidade que isso representa!  

Felizmente deu tudo certo, e o resultado superou minha expectativas.  Assim, para começar a semana com muita inspiração, deixo aqui o registro da minha experiência culinária, desejando a todos que saboreiem seus sonhos, pois ainda que muitas vezes não se concretizem, são eles que nos movem! 

Para aproveitar o ensejo, deixo aqui algumas curiosidades e a tradução da receita ao espanhol:                                                                                                                                                                  

En España se llaman “suizos” o “berlinesas”; en Paraguay, “bollos”; en Argentina y Uruguay se conocen como “bolas de fraile”, “suspiros de monja” o “buñuelos y existen variantes con rellenos de dulce de leche, dulce de membrillo o crema pastelera. En Chile se denominan “berlines” y se rellenan principalmente con crema pastelera o mermelada de membrillo. En Venezuela se les llama “bombas”. El nombre más bonito, en mi opinión, se le ha dado en portugués, no sé si originalmente en Brasil o en Portugal: “sonhos”, es decir, sueños. Suena bien, ¿no? 

MASA 

1 sobre de levadura seca (45 g) 

2 huevos  

1 yema 

2 cucharadas de mantequilla o margarina 

250 ml de leche templada 

1 pizca de sal 

¼ de taza de azúcar 

1 cucharita de esencia de vainilla 

500 g de harina de trigo 

Aceite de girasol o soja para freír 

 

CREMA 

750 ml de leche 

2 yemas tamizadas 

6 cucharadas de harina de trigo 

1 caja o lata de leche condensada 

Esencia de vainilla a gusto 

 

Disuelve bien la harina en la leche fría con una varilla de batir, incorpora la leche condensada, las yemas y la vainilla y ponla en fuego lento, removiendo constantemente hasta que quede bien espesa. 

PREPARACIÓN 

Bate en la licuadora todos los ingredientes, excepto la harina.  

En un bol incorpora la harina, poco a poco, hasta que se vaya despegando de las manos.  

Echa un poco de harina sobre la mesa y amasa la mezcla un buen rato, nunca es demasiado. Echa la harina, poco a poco, solo para que la masa no se te pegue a las manos. No se debe echar demasiada harina para que no quede una masa pesada. 

Cuando la mezcla quede bien uniforme, cúbrela con un paño de cocina limpio y déjala reposar en un lugar cálido.  

Cuando haya doblado en volumen, espolvorea una mesa con harina y moldea las bolitas y ponlas sobre una superficie espolvoreada con harina para que no se peguen, y deja espacio entre ellas porque van a fermentar y crecer.  Ojo, ¡no dejes que crezcan demasiado!

Fríelas en aceite, no demasiado caliente. 

Dales la vuelta hasta que estén bien doradas, que queden más bien morenitas por ambos lados. Empújalas hacia abajo cuando les des la vuelta para lograr un bronceadito más parejo.  

Cuando estén bien doraditas, échalas en un bol con azúcar glas mezclado con canela y espolvoréalas bien. 

Una vez que hayas freído y espolvoreado todos los bollos con la mezcla de azúcar y canela, córtalos y rellénalos con la crema pastelera. Para rellenar puede usar una cuchara o una manga confitera. También puedes usar dulce de leche como relleno.

 

MASSA 

1 embalagem de fermento seco (45 g) 

2 ovos  

1 gema 

2 colheres de sopa de margarina 

250 ml de leite morno 

1 pitada de sal 

¼ de xícara de açúcar 

1 colher de café de essência de baunilha 

500 g de farinha de trigo 

Óleo de girassol ou soja para fritar 

 

CREME 

750 ml de leite 

2 gemas peneiradas 

6 colheres de sopa de farinha de trigo 

1 caixa ou lata de leite condensado 

Essência de baunilha a gosto 

 

Dissolva bem a farinha no leite frio com um batedor de ovos, acrescente o leite condensado, as gemas e a baunilha e leve ao fogo baixo, mexendo sempre até ficar bem espesso. 

PREPARO 

Bata no liquidificador todos os ingredientes, exceto a farinha.  

Em uma bacia, acrescente a farinha, aos poucos, até desgrudar das mãos.  

Polvilhe uma mesa com um pouco de farinha e amasse a mistura durante um bom tempo, nunca é demais. Acrescente farinha, aos poucos, somente para a massa não grudar nas mãos. Não se deve colocar muita farinha para que a massa não fique pesada. 

Assim que a mistura ficar bem uniforme, cubra-a com um prato de cozinha limpo e deixe-a descansar num lugar abafado.  

Quanto tenha dobrado de volume, polvilhe uma mesa com farinha, modele as bolinhas e coloque-as sobre una superfície polvilhada com farinha para não grudar, deixando espaço entre elas porque vão fermentar e crescer.  Cuidado para não deixar crescer demais!

Frite-as bolinhas no óleo, não muito quente. 

Vá virando-as até ficarem bem douradas, bem moreninhas de ambos os lados. Empurre-as para baixo com a escumadeira, para conseguir uma cor mais uniforme.  

Cuando estiverem bem douradas, jogue-as num recipiente com açúcar refinado e canela e polvilhe-as bem. 

Uma vez fritos e polvilhados com açúcar e canela, corte os sonhos e recheie-os com o creme de confeiteiro. Para recheá-los, use uma colher ou um saco de confeiteiro. Você também pode usar doce de leite para recheá-los.

Para ver mais sobre tradução de receitas e cardápios, clique aqui.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

La milana bonita


Estou dando uma passadinha rápida por aqui para deixar uma dica àqueles que apreciam conteúdo de qualidade sobre obras literárias. Desta vez, a dica é de uma página com resenhas e podcast em espanhol.

La milana bonita — cujo nome é uma homenagem à obra Los santos inocentes, do escritor espanhol Miguel Delibes —, é um programa radiofônico em espanhol, um podcast de incentivo à leitura em que, a cada semana, são analisados diferentes clássicos da literatura universal. O projeto nasceu em 18 de abril de 2010 de um grupo de estudantes de Jornalismo da Universidad de Valladolid, na Espanha. 

A página também conta com resenhas de prosa, poesia, quadrinhos, ensaios e debates, e é bem eclética. 

Se você aprecia a boa literatura, siga a página web www.lamilanabonita.com

Não deixem de prestigiar, vale muito a pena!