quarta-feira, 28 de setembro de 2016

A importância do registro na tradução

Boa tarde, caros tradutores e afins!

Estou dando uma passadinha rápida por aqui, para registrar uns lampejos sobre um assunto que deve ser considerado na hora de traduzir um texto: o registro.

Quando falamos de registro, referimo-nos à variante linguística condicionada pelo grau de formalidade. Basicamente o registro pode ser formal ou informal. O primeiro se caracteriza por seguir a normativa, evitando termos coloquiais e utilizando linguagem culta. Com esse tipo registro, o autor busca dar um caráter mais solene ao texto e de certa forma mais distante do leitor. Por sua vez, o segundo se caracteriza por um estilo menos rígido e cerimonioso e mais próximo da fala, carregado de coloquialismos e marcas de oralidade. Com esse tipo de registro, o autor busca a proximidade e confidencialidade com o leitor, num tom familiar e espontâneo. Contudo, mesmo no registro informal, é fundamental ser fiel ao original, sem carregar na informalidade quando ela não aparece no texto de partida.

Assim, por exemplo, para dizer que alguém ficou admirado, num registro formal, posso usar: admirado, surpreso, estupefato, perplexo, impressionado, fascinado, pasmo, sem palavras, boquiaberto, etc. Já num registro informal, podemos dizer que ficou de cara, abobado, de queixo caído, abismado, chocado, passado, etc. O principal é tentar manter o mesmo registro do original, sem "formalizar" aquilo que é coloquial nem "coloquializar" aquilo que é formal.

Por incrível que pareça, quanto mais coloquial é o texto, maior a dificuldade do tradutor, isso porque o registro coloquial é marcado por regionalismos, gírias, formas agramaticais e expressões novas e passageiras, difíceis de encontrar em livros e dicionários. Além disso, muitas vezes são restritas a determinados grupos e contextos que só quem faz parte deles pode ajudar esclarecer.

Para ler um artigo sobre a tradução de gíria, clique aqui.

¡Madre mía, estoy flipando! (ou "flipo")

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Cultura: La Catrina o Calavera Garbancera


La Catrina é um ícone da cultura mexicana. Originalmente chamada La Calavera Garbancera, é uma figura criada pelo ilustrador e caricaturista José Guadalupe Posada, famoso por retratar cenas de costumes, folclóricas e críticas sócio-políticas, foi batizada pelo muralista Diego Rivera.

A história de La Catrina começou durante os governos de Benito Juárez, Sebastián Lerdo de Tejada e Porfirio Díaz. Nesse período, começaram a popularizar-se textos escritos pela classe média que criticavam tanto a situação do país quanto a das classes privilegiadas. Os textos, redigidos de maneira zombeteira e acompanhados de desenhos de crânios e esqueletos começaram a ser reproduzidos em jornais chamados de combate.

As caveiras eram retratadas usando roupas de gala, tomando pulque (bebida feita da água-mel extraída do maguey, parecido com um cacto), montadas em cavalos, em festas da alta sociedade ou de um bairro. O objetivo era retratar a miséria, os erros políticos, a hipocrisia de uma sociedade, como ó o caso de “La Catrina”.

A palavra "catrín" definia um homem elegante e bem-vestido, o qual ia acompanhado de alguma dama com as mesmas características; este estilo foi uma imagem clássica da aristocracia do fim do século XIX e início do século XX. É por isso que, ao dar-lhe uma vestimenta desse tipo, Diego Rivera transformou a “Calavera Garbancera” em “La Catrina”.

A versão original é um gravado em metal com autoria do caricaturista José Guadalupe Posada. O nome original é Calavera Garbancera. “Garbancera” é a palavra pela qual se conheciam então as pessoas que vendiam garbanza (uma variedade superior de garbanzos, isto é, grão de bico) que tendo sangue indígena pretendiam parecer europeus e renegavam sua própria raça, herança e cultura. 

Detalhe do mural de Diego Rivera, Sueño de una tarde dominical en la Alameda Central. À esquerda de La Catrina, Diego Rivera (criança) e Frida Kahlo; à direita, José Guadalupe Posada.

A imagem da Catrina está tornando-se a imagem mexicana por excelência sobre a morte, é cada vez mais comum vê-la plasmada como parte de celebrações do dia dos mortos ao longo de todo o país.

Em 2010 a Catrina completou 100 anos de sua criação por José Guadalupe Posada.


www.es.wikipedia.org

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Falso amigo: "latido"


Você sabia que os corações hispânicos “laten”? O que não implica que estes saiam por aí pulando e abanando o rabinho quando estão apaixonados. 

Eis mais um daqueles falsos amigos que pode provocar situações cômicas:

(Espanhol fogoso) —Cuando te veo, mi corazón late muy fuerte.
(Brasileira desconcertada) — Hã, como assim?
Enquanto em português dizemos que nosso coração lateja, palpita, bate; em espanhol, dizemos que nosso coração “late”. Assim, em espanhol, o coração “late” ou dá “latidos” e o cachorro “ladra” ou dá “ladridos”. Aff! Não é que apareceu aí mais um falso amigo? “ladra”, que em português significa mulher que rouba. Mas enfim, voltemos aos latidos...

Vejamos alguns exemplos de uso:

Escuchar los latidos de tu bebé por primera vez es un momento milagroso.

Inmediatamente alerta, abrió los ojos, con el corazón latiendo descompasadamente en su pecho.

(...) mi corazón de pronto empieza a latir las sombras del passado en que viví. (trecho da música “Loco por ti” de Lisardo Guarinos)

Sabia que as onomatopeias, isto é, as palavras que reproduzem os sons, do coração e dos latidos de cachorro também são diferentes?

Em espanhol, costuma-se dizer que o coração faz POM POM POM, enquanto em português se diz que o coração faz TUM TUM TUM. E enquanto nossos cachorros fazem AU AU AU, os cachorros espanhóis fazem GUAU GUAU GUAU e os cachorros portugueses fazem ÃO ÃO ÃO.

Curioso, não? Para ver mais exemplos de onomatopeias em espanhol e português, clique aqui.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

10 expresiones corrientes en Argentina, por Sonia Rodriguez Mella

Antes que nada, quiero agradecer a Diana Sorgato por haberme invitado a colaborar en su blog. Antes de comenzar, me gustaría contarte cuál es mi posición con respecto a los blogueros. Mis primeros contactos con Brasil fueron a través de la música. Eran tiempos en que internet no existía. Si querías ser un conocedor de la música de Brasil, tenías que viajar o limitarte a escuchar a los 4 o 5 íconos de la MPB cuyos álbumes siempre podías encontrar en las disquerías (“Saudade daquelas lojas!”). Cada vez que compraba un LP o K-7 de un determinado artista, siempre incluía la participación de otros, que no siempre eran principiantes, y así fue como pude ir conociendo a cientos de músicos increíbles que compartían escenarios. Esto siempre me pareció de un síntoma de generosidad y seguridad, tanto por parte de quien invita como por parte del colaborador. Por eso me gusta escribir en otros blogs y publicar artículos de otros autores en el mío. ¡Las estrellas están en el cielo!
¡Ahora sí! Aquí te comparto 10 frases populares argentinas:
SER UN ÑOQUI
¡Una expresión que no tiene nada que ver con la gastronomía! Hace referencia a los empleados que los días 29 de cada mes pasan a cobrar el sueldo por un trabajo que no realizaron. Son aquellos acomodados o empleados del Estado que cobran sin desempeñar ninguna función. Ejemplo: Echaron a los ñoquis del Senado, pero se comenta que no todos eran ñoquis.

ESTAR EN EL HORNO
Esta frase se utiliza cuando se está frente a un problema determinado y no es posible solucionarlo. Ejemplo: Tengo que pagar $ 2000 de luz. ¡Estoy en el horno! (no puedo pagarla ahora). También se emplea cuando se hace algo mal y se corre el riesgo de ser reprendido, amonestado, despedido, etc.
ME CORTARON LAS PIERNAS
Se atribuye esta frase a Diego Armando Maradona, quien la utilizó cuando lo expulsaron del Mundial 1994, por haber resultado positivo el control antidoping por el uso de efedrina. En Argentina se usa muchas veces para definir situaciones límite, cuando se siente que se ha cometido una injusticia y que por tal motivo se le impide a una persona continuar por su camino. Esta fue la declaración de Maradona“Créeme que me cortaron las piernas, le cortaron a mi familia, le cortaron las piernas a todos los que estaban a lado mío. No voy a llorar. Se lo prometí a mi mujer y a mis hijas por sobre todas las cosas. Lo único que quiero que le quede claro a toda Argentina es que, no me drogué. Que no corrí por las drogas, que corrí por el corazón y por la camiseta”.

CHAUCHA Y PALITOS
Significa que algo es muy barato o de muy poco valor, o que es muy poco. Ejemplo: Esa cartera la comprás por chauchas y palitos.

ESTAR HASTA LAS MANOS
Frase utilizada para describir la situación sentimental de las personas, más bien para describir el grado de enamoramiento. También empleada cuando se está con mucho trabajo y no hay el tiempo suficiente para hacer todo. Ejemplos: 1) Estoy hasta las manos con Sebastián. 2) No puedo tomar esa traducción, estoy hasta las manos.
IR A TORRAR
Es una forma muy popular de decir “ir a dormir”.  Ejemplo: ¡Che! ¡Pero qué tarde! ¡Me voy a torrar ya!
COMERSE UN GARRÓN –SER UN GARRÓN
Significa tener que soportar una situación poco agradable en forma inesperada. Ejemplo: 1) Llegué al aeropuerto y tuve que esperar 15 horas a que saliera el vuelo. Fue un garrón. 2) Fui al aeropuerto y no sabés el garrón que me comí. Había paro de pilotos y tuve que esperar 15 horas a que el avión saliera.

ANDAR COMO BOLA SIN MANIJA
Tiene su origen en las boleadoras que no podían ser dirigidas a un objetivo específico, que se tiraban al voleo. Significa moverse sin hacer nada efectivo. Ir de un lado a otro sin resolver nada, sentirse perdido, sin saber qué hacer. Ejemplo: En el ministerio, me tienen como bola sin manija hace una semana; voy y vengo con los papeles que me piden pero un empleado me dice una cosa y otro me dice otra.
TOMAR EL BONDI
Entre los argentinos, es una manera de decir “tomar el colectivo” (ómnibus). No debemos confundir esta palabra con el término “bonde”, del portugués, que significa “tranvía” en español. Ejemplo: ¿Viniste en subte o en bondi?
¡DE ACÁ!
Se trata de una interjección, que representa una reacción fuerte de rechazo o negación frente a una situación o propuesta determinada. Se trata de una frase inmortalizada por el actor Alberto Olmedo, utilizada como expresión final de uno de sus personajes más exitosos, el dictador de Costa Pobre. En el sketch, el dictador mantiene total control sobre todos, y al que osa decirle algo que no le gusta, le recrimina por el tono, y si le proponen algo que considera descabellado grita “¡De acá!”, poniendo las manos en la entrepierna.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Falso amigo: "cena"


Mais uma armadilha do par de línguas espanhol-português: a palavra “cena”, que em espanhol designa a refeição noturna que realizamos diariamente e que em português chamamos de “jantar”. Por sua vez, a palavra “cena”, em português, designa uma passagem de uma representação num enredo, filme ou peça teatral ou ainda numa situação da vida real, quando dizemos algo como “não esqueço aquela cena hilária que ocorreu na padaria...”.

A imagem que ilustra este artigo, por exemplo, mostra a antológica cena “ser ou não ser” do filme Hamlet (1948), dirigido e interpretado por Laurence Olivier.

Assim, ao traduzir um texto do espanhol ao português onde aparece alguma frase como “la cena fue un martirio para mí”, pois aqui está referindo-se a um jantar desagradável e não a uma passagem de uma representação ou a um sucesso. Para referir-se a uma passagem, em espanhol, usamos a palavra “escena”.

Outra palavra da mesma família “cenário” que designa tanto o conjunto de elementos visuais que compõem o espaço onde se realiza uma apresentação quanto o lugar onde transcorre a ação. Em espanhol, chama-se “escenario”, e no teatro, corresponde ao nosso “palco”, em português.

Exemplos:

¡Sentaos de una vez, que la cena ya está lista!

La escena más célebre del Quijote es la de los molinos de viento.

La pequeña bailarina subió al escenario e impresionó a todos con su habilidade.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Píldoras de español: cero + sustantivo


Cero caloría o cero calorías?

Cuando un número cardinal adjetiva un sustantivo, este solo va en singular cuando el número es uno. Con cero, pues, se utiliza el plural: cero grados, cero puntos

Así, la forma correcta es cero calorías.

www.fundeu.es

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Es martes 13, ni te cases ni te embarques


Você sabia que na Espanha, Grécia e em alguns países hispano-americanos como Uruguai, Argentina, Chile, Peru, Venezuela e Colômbia, a terça-feira 13  é considerada o dia de azar e não a sexta-feira 13, como ocorre no Brasil e nos países anglo-saxónicos?

Existe até um nome para essa fobia, “trezidavomartiofobia” e ainda um antigo refrão popular que explica, em parte, a superstição, “En martes, ni te cases, ni te embarques, ni de tu casa te apartes”.

Existem muitas explicações para a aversão à terça-feira 13, que incluem de derrotas militares a referências bíblicas.

O escritor e jornalista cordobês Marcos Rafael Blanco Belmonte atribui a aversão à queda de Játiva (Valência) em mãos muçulmanas, produzida em 1276, na qual teria morrido a maioria da população do vilarejo.

Outras teorias garantem que foi a combinação entre o número indesejável, visto que 13 foram os comensais que participaram da Última Ceia de Jesus Cristo, 13 eram os espíritos malignos segundo a cabala judaica, foi no  capítulo 13 do Apocalipse que se deu a chegada do Anticristo — e o famigerado dia — “martes”. Como sabemos, os dias da semana em espanhol estão relacionados aos nomes dos planetas do sistema solar, e Marte, segundo a mitologia grega, é o deus da guerra, portanto o dia “martes” seria regido pelo planeta vermelho, da destruição e da violência. A traumática queda de Constantinopla ocorreu numa terça-feira em 1453 — o que tornou esta data maldita. Também há quem garante que a confusão de línguas na Torre de Babel ocorreu numa terça-feira 13.

Considerando esta última teoria, a data representa sorte para nós, pois se não houvesse a confusão de línguas não haveria tradutores. Aliás, essa é mais uma prova de que a tradução não se trata apenas de verter um texto de uma língua para outra, ou de encontrar correspondentes léxicos, envolve muito mais que isso, até mesmo o conhecimento das superstições e crenças da cultura para a qual se traduz.
Por via das dúvidas, não custa nada bater três vezes na madeira para prevenir-se. 

E se quiser entrar no clima, clique aqui para ler uma postagem sobre cinco pesadelos que o tradutor pode enfrentar numa “sexta-feira 13” ou num “martes 13”, como preferir.