segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Feliz dia da tradução!

O Dia Internacional da Tradução é comemorado no dia 30 de setembro, data em que faleceu São Jerônimo, padroeiro dos tradutores, bibliotecários e secretárias. A celebração foi promovida pela FIT (Federação Internacional de Tradutores). Em 1991 a FIT lançou a ideia de um Dia Internacional da Tradução oficialmente reconhecido, num esforço para promover a profissão e a união da comunidade mundial de tradutores.

Para comemorar a data vamos conhecer um pouquinho da história do nosso padroeiro.

Jerônimo de Estridão

São Jerônimo, cujo nome significa "que tem um nome sagrado" nasceu no ano de 342 em Estridão na divisa entre a Panomia e a Dalmácia (Iugoslávia). Filho de família rica e cristã foi batizado apenas aos 18 anos, segundo o costume da época e teve uma educação cristã desde criança. Consagrou toda sua vida ao estudo das Sagradas Escrituras.

Em Roma estudou latim com o mais famoso professor de seu tempo, Donato, que era pagão. Tornou-se um grande latinista e muito bom conhecedor do grego e de outros idiomas, mas pouco conhecedor dos livros espirituais e religiosos. Passava horas e dias lendo e aprendendo de cor aos grandes autores latinos, Cicero, Virgilio, Horácio e Tácito, e aos autores gregos: Homero, e Platão, mas quase nunca dedicava tempo à leitura espiritual. Teve uma juventude um tanto livre.

Jerônimo se dispôs ir ao deserto a fazer penitência por seus pecados (a sensualidade, o mau gênio e o orgulho). Mas lá embora rezasse muito, jejuasse, e passasse noites sem dormir, não conseguiu a paz, descobrindo que sua missão não era viver na solidão.

De volta à cidade, São Jerônimo, desempenhou o cargo de Secretário do Papa São Dâmaso, encarregado de redigir as cartas que o Pontífice enviava, e logo o designou para fazer a tradução da Bíblia. O Papa sabia que seu secretário teria condições para levar a cabo esse importante projeto. Ele já tinha provas do profundo conhecimento que Jerônimo tinha dos textos bíblicos. Sua fama de latinista erudito e poliglota consumado era sabida por todos. Jerônimo, que escrevia com grande elegância o latim, traduziu a este idioma toda a Bíblia, e essa tradução chamada "Vulgata" (ou tradução feita para o povo ou vulgo). Essa tradução foi usada largamente em quase quinze séculos. Seu texto tornou-se oficial com o Concílio de Trento e só cedeu o lugar nos últimos tempos, depois de estudos linguísticos exegéticos mais recentes.

Ao redor dos 40 anos, Jerônimo foi ordenado sacerdote. Em Roma não aceitaram seu modo enérgico de correção, o que o obrigou a refugiar-se na Terra Santa.

Passou seus últimos 35 anos nas grutas de Belém traduzindo a Bíblia. Morreu em 30 de setembro do ano 420, aos 80 anos.

O Leão de São Jerônimo

Os atributos com que costuma representar-se esse santo são: chapéu, roupa de cardeal, um leão e, em menor medida, uma cruz, uma caveira, livros e materiais para escrever. O motivo pelo qual é representado com um leão é porque, segundo a lenda, um dia em que São Jerônimo encontrava-se meditando às margens do rio Jordão, avistou um leão que se arrastava para ele com uma das patas atravessada por um enorme espinho. São Jerônimo socorreu a fera e curou-lhe a pata. O animal, agradecido, passou a acompanhar seu benfeitor. Quando São Jerônimo morreu, o leão deitou-se sobre seu túmulo e deixou-se morrer de fome. Na realidade essa lenda pertenceria a São Gerássimo, ermitão e a semelhança dos nomes teria induzido o erro.

Seja como for, São Jerônimo é merecedor de nosso respeito e admiração pela dedicação e servidão com que realizou tamanha empreita.



¡Feliz dia a todos os tradutores e que São Jerônimo nos inspire a exercer a profissão com a merecida dedicação!


"São Jerônimo escrevendo", quadro de Caravaggio, 1606.

Tudo, todo, toda

Tudo: é invariável, é substantivo, é o contrário de “nada”. Usamos “tudo” quando generalizamos, ou seja, quando não especificamos sobre o que estamos falando. Por exemplo:

Tudo muda com o tempo.

Fiz tudo o que me pediu.

O vocábulo todo pode ser adjetivo, pronome indefinido ou advérbio.

Quando for adjetivo, terá o significado de completo, inteiro, total ou que não deixa nada de fora; a que não falta parte alguma. Por exemplo:

- O ano todo foi de muito trabalho.

- Toda a família compareceu à reunião.

Quando for pronome indefinido, terá o significado de qualquer, cada e acompanhará um substantivo. Por exemplo:

“Todo homem nasce livre e, por outra parte, encontra-se acorrentado”. (Rousseau)

“Toda mulher gosta de ser bem tratada”

“Há miséria em toda parte”

Quando for advérbio, terá o significado de totalmente, por inteiro. Por exemplo:

- O prédio ardeu todo = ardeu por inteiro.

- As meninas ficaram todo molhadas - totalmente molhadas.

Normalmente os advérbios são invariáveis, entretanto, de acordo com Evanildo Bechara em sua Moderna Gramática Portuguesa:

Todo por suas origens pronominais pode, mesmo empregado adverbialmente, concordar, por atração, com a palavra a que se refere om esse caso, pode manter-se invariável ou concordar por atração com a palavra a que se refere. Assim são corretas as duas formas a seguir:

“Ela está toda molhada” ou “Ela está todo molhada”, “Ela é todo ouvidos” ou “Ela é toda ouvidos”.

“Todo o” expressa totalidade. Por exemplo:

"Ele realizou todo o trabalho" (o trabalho inteiro, completo).

"Todo" tem plural e pode ser feminino (todos, toda, todas).

Tanto tudo como todo são pronomes indefinidos. Tudo é invariável enquanto que todo varia em gênero e número.

Fiz tudo sozinho (sem especificar o que fez)

Fiz todo o trabalho sozinho (especificando o que fez)

Arrumei tudo às pressas. (sem especificar)

Arrumei toda a sala às pressas. (especificando)

Agora, um caso mais complicado:

"Ela é todo um símbolo" Essa frase está correta? Neste caso a palavra todo denota totalidade e sua função é meramente expletiva, de realce. Podemos dizer apenas “Ela é um símbolo”. Outro exemplo parecido seria “Ela é puro êxtase”. Puro, "purus", do latim, sem mancha nem mistura, faz as vezes do advérbio todo, inteiramente", e se soma à ideia de êxtase, encantamento, reforçando-a.

Na frase “Ela é todo um mistério”, o vocábulo "todo" aparece ao lado de um artigo indefinido, denotando totalidade, mas numa construção enfática rejeitada pelos puristas.

Não encontrei nenhum exemplo semelhante ao anterior em gramáticas da língua portuguesa, entretanto, no dicionário pan-hispânico de dúvidas da RAE (Real Academia Espanhola) http://buscon.rae.es/dpd/ diz que quando o todo antecede um substantivo precedido de artigo indeterminado deve concordar com ele.

“Antepuesto a un sustantivo precedido de un, una, tiene a menudo valor ponderativo e indica que lo designado por el sustantivo posee en grado sumo las cualidades ideales que culturalmente se le atribuyen. Cuando antecede a un nombre en singular, todo debe concordar con este en género y número: «Es todo un caballero» (Romero Vodevil [Esp. 1979]); «Era toda una mujer» (Mundo [Esp.] 30.9.95). Es muy raro su uso antepuesto a un nombre en plural; pero, cuando esto ocurre, todo permanece invariable: «Pero que todo unos oidores [...] hubiesen puesto a los pies de un idiota la justicia, [...] esto es lo que admira y aflige» (Montalvo Catilinarias [Ec. 1880-82]); «Ellas —que son todo unas señoras— no tendrán ningún inconveniente en cubrirte la herida con sus limosnas» (Bermejo Lucevan [Esp. 1992]).”

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Motorista "barbeiro"

A origem da expressão “barbeiro” com o sentido de mau motorista deve-se a que antigamente os barbeiros não apenas cortavam o cabelo e a barba, mas também extraíam dentes, removiam calos e unhas, entre outras proezas. Frequentemente o resultado era desastroso e no séc. XV o termo “barbeiro” passou a ser atribuído a atividades mal-executadas.
Mais tarde seu uso estendeu-se aos maus motoristas, daí a expressão “motorista barbeiro”, ou seja, mau motorista.
Na Espanha diz-se “dominguero” para designar os motoristas que dirigem mal, principalmente os que dirigem lentamente, atrapalhando o fluxo dos veículos nas rodovias. Ou seja, “domingueiro” porque parece que a pessoa só tira o carro da garagem aos domingos para passear, ou viajar e não está acostumada a dirigir cotidianamente.
No Equador chama-se o motorista inexperiente de “camarón”, no México usa-se o termo “cafre” para designar o motorista que dirige grosseiramente, sem respeitar as regras de trânsito, essa palavra é usada para referir-se a coisas rudes, violentas.
O termo “chambón” também é usado em espanhol não somente para referir-se a um motorista que dirige mal, mas para referir-se a qualquer pessoa que tenha pouca habilidade para fazer algo.

O taxidermista


Autora: Diana Margarita


Enquanto caminhava pelo bosque coberto de neve, escrutinando cada detalhe da paisagem: observando insetos e animais, arrancando musgos, recolhendo gravetos, pedregulhos, rochas e tudo que pudesse lhe ajudar a compor um novo trabalho, o doutor Fausto imaginava qual seria sua próxima realização. O empalhamento do diabo-da-tasmânia, na primavera, rendera-lhe um bom dinheiro, além de reconhecimento e fama. Vários museus o procuraram para agendar uma consulta, isso o ajudava a se resignar da frustração por não ter formado uma família.

A profissão extremamente minuciosa exigia-lhe horas a fio de estudo e dedicação. Foi por isso que decidira se mudar para a floresta, onde o contato com a natureza servia de inspiração e o ajudava a manter o equilíbrio mental.


Finalmente, após longos anos de solidão e esquecimento, alcançara a almejada posição entre os mais respeitados e renomados taxidermistas. Ansiava por iniciar seu próximo trabalho. Foi então que, perdido em seus pensamentos, sentiu que pisara em alguma coisa. Abaixou-se para ver o que era e encontrou o cadáver de um corvo parcialmente coberto pela neve. Removeu-o com cuidado, enquanto balançava a cabeça negativamente. O estado da ave era lastimável: magra, as penas ralas e opacas. Pensou em deixá-la ali onde a encontrara, mas o desafio de lhe devolver a aparência que a ave tivera em vida o convenceu a levá-la para casa.


Mais tarde na cabana, enquanto ouvia Bach e sorvia uma sopa, examinava o corpo deitado sobre uma folha de jornal. Nesse momento sentiu certa soberba, ao saber que tinha o poder de devolver ao corpo inerte um sopro de vida e de conservar sua a aparência por toda a eternidade.


Abriu sua maleta e retirou um pequeno bisturi. Colocou a ave sobre a prancha com o ventre voltado para cima, ajeitou as penas e lentamente, pressionou o bisturi contra a carne até abrir uma incisão por onde retirou as vísceras. O sangue do animal já estava coagulado devido ao frio, o que facilitou sobremaneira o trabalho.


Uma vez que retirou as entranhas, virou a ave do avesso e começou a esfolamento, desprendendo a pele do corpo, encaminhando-se para os membros inferiores, indo até a coxa, a qual descarnou e procedeu à desarticulação. Minuciosamente, foi desprendendo a pele parte por parte, chegando às asas, até atingir o crânio e retirar os miolos da caixa craniana por meio de um grosso arame.


Subitamente, o cientista sentiu uma dor aguda no estômago e uma pressão na cabeça que o fez cambalear, começou a tossir e engasgou-se com a própria saliva. Ao recuperar o fôlego, passou o pó arsenical sobre a pele da ave, para conservá-la. Já eram duas da manhã, e o doutor tremia de frio, encostou a mão na face e percebeu que estava com febre. Deixou a ave sobre a prancha e foi dormir.


A noite foi longa, virou-se inúmeras vezes de um lado para o outro, sentindo fortes cólicas intestinais, tremores e dores de cabeça. Pesadelos e alucinações o atormentaram a noite toda. Quando finalmente a luz do sol penetrou pelas frestas da persiana, levantou-se com dificuldade; o corpo lhe doía, parecia que havia levado uma surra.


Espantou-se ao ver sua imagem refletida no espelho: a pele amarelada e opaca, os olhos fundos e injetados, rodeados por profundas olheiras, começou a tossir convulsivamente. Retomou o fôlego e voltou ao trabalho - Estava ficando muito bom. 

Procurou a palha de madeira e o arame para dar forma ao corpo antes de empalhá-lo. Passou dias ocupado na montagem da armação de arame, preenchendo o corpo da ave para dar maior firmeza aos membros. Com auxílio de uma haste, encheu a ave com palha de madeira até completar o corpo todo enquanto ouvia Chopin.


De repente sentiu o corpo enrijecer, caiu ao chão e uma convulsão o sacudiu por completo até que perdeu os sentidos. Acordou de madrugada, fraco e tonto com uma sensação de embriaguez. Arrastou-se até a cama e caiu no sono.


Duas semanas mais tarde, olhava estupefato para o o corvo imponente em sua armadura de arame, exibindo um semblante altivo e forte. As penas estavam cheias e reluzentes. O aspecto era sublime. O doutor foi até o banheiro para lavar-se e teve um sobressalto ao ver o rosto coberto de manchas e pústulas, deveria ser impressão sua, mas o cabelo estava mais grisalho que de costume.


Parecia haver uma inexplicável relação entre a viçosidade da ave e a deterioração do corpo do doutor.


Preparou uma xícara de café com leite e retornou à ave. Costurou o ventre, colocou os olhos de vidro, endireitou as penas, deu duas demãos de verniz transparente e retocou o bico com tinta da mesma cor. Fixou o corvo sobre um galho e este sobre uma base de madeira envernizada, esmerando-se no acabamento, a fim de realçar a beleza da peça.
O doutor não continha a satisfação: a posição da ave dava-lhe um aspecto natural perfeito, o brilho dos olhos... Um arrepio percorreu-lhe a espinha. Foi dormir satisfeito, apesar do mal-estar e da febre.


No meio da noite, começou a ter alucinações: o grasnido de um corvo ecoava em seu ouvido, a ave revoava pelo quarto, batia-lhe com as asas na cara; um calor tomou conta de seu corpo, uma dor aguda, as garras do animal rasgavam-lhe a pele; a ave furiosa bicava-lhe as vísceras. Eleonora, a única mulher que amara de verdade, ria alto e perguntava "Quando é que você vai brincar de Deus novamente?… Nunca mais, nunca mais" - sussurrava em seu ouvido. O corpo do doutor despencou no vazio e caiu numa enorme caixa cheia de pó de arsênio, sentiu a garganta secar, sua pele ardia e rasgava-se de tão esturrada, quis gritar, mas a língua seca não respondia a seus comandos...


Dias depois, um policial que verificava a denúncia de desaparecimento do taxidermista, arrombou a porta da cabana e encontrou o corpo dessecado, duro, mumificado, o ventre aberto e oco. As cavidades oculares vazias: aparentemente um animal lhe havia comido as córneas.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Debe, debe de

Em espanhol há uma diferença semântica entre “debe” e “debe de”. A construção deber + infinitivo expressa obrigação, enquanto que deber de + infinitivo indica apenas suposição.

Veja a diferença:

Se eu disser “Los postulantes a una plaza en la universidad deben someterse al examen de selectividad”, estou dizendo que eles estão obrigados a fazer a prova.

Mas se eu disser “Los postulantes a una plaza en la universidad deben de someterse al examen de selectividad”, estou dizendo que suponho que eles estejam obrigados a fazer a prova.

Resumindo:

Para expressar obrigação: Deber + infinitivo

El cambio de hora debe ir acompañado de nuevos hábitos.

El profesor debe recurrir a varias metodologías.

Para expressar suposição ou possibilidade: Deber de + infinitivo

Ese futbolista debe de ganar un dineral.

Debes de tener mucho tiempo libre para estar paseando a estas horas.

Debe de haber llovido esta noche, la calle está mojada.

Para indicar possibilidade ou suposição, é possível empregar o verbo “deber” com ou sem a preposição “de”. Ambas as construções são corretas:

Deben de ser las siete” ou “Deben ser las siete”. As duas orações significam a mesma coisa: provavelmente são as sete horas.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

O mel silvestre

O mel silvestre
Horacio Quiroga


Tradução: Renata C.B. Moreno.
Conto extraído da antologia “Cuentos de amor locura y de muerte”, publicada em 1917.





Tenho em Salto Oriental dois primos, hoje homens já, que aos seus doze anos, e em consequência de profundas leituras de Júlio Verne, deram na rica empreitada de abandonar sua casa para ir viver no monte. Este fica a duas léguas da cidade. Ali viveriam primitivamente da caça e pesca. Verdade é que os dois meninos não tinham lembrado, particularmente, de levar espingardas nem anzóis; mas, de qualquer maneira, o bosque estava ali, com sua liberdade como fonte de felicidade, e seus perigos como encanto.


Desgraçadamente, no segundo dia foram achados por quem os buscava. Estavam bastante atônitos ainda, bem fracos, e para grande assombro de seus irmãos menores – iniciados também em Júlio Verne – sabiam ainda andar em dois pés e recordavam como falar.

A aventura dos dois ermitões, no entanto, seria talvez mais formal se tivessem tido como teatro outro bosque menos domingueiro. As escapadelas levam aqui a limites imprevistos em Misiones, e o orgulho de suas stromboot[I1  arrastou Gabriel Benincasa a esses limites.

Benincasa, tendo concluído seus estudos de contadoria pública, sentiu fulminante desejo de conhecer a vida na selva. Não foi arrastado por seu temperamento, pois antes Benincasa era um rapaz pacífico, gorducho e de cara rosada, em razão de sua excelente saúde. Em consequência, sensato o suficiente para preferir um chá com leite e bolinhos a quem sabe que fortuita e infernal comida do bosque. Mas assim como o solteiro que foi sempre ajuizado  crê no seu dever de, à véspera de seu casamento,  despedir-se da vida livre com uma noite de orgia em companhia de seus amigos, de igual modo Benincasa quis honrar sua vida engrenada com dois ou três choques de vida intensa. E por este motivo subia o Paraná até uma obrage, com suas famosas stromboot.

Mal saído de Corrientes havia calçado suas robustas botas, pois os jacarés da margem esquentavam já na paisagem. Mas apesar disso o contador público cuidava muito de seu calçado, evitando arranhões e  contatos sujos.

Deste modo chegou à obrage de seu padrinho, que na hora teve  que conter os impulsos         de seu sobrinho.

– Aonde vai agora? – tinha perguntado surpreendido.

– Ao monte; quero percorrê-lo um pouco – respondeu Benincasa, que acabava de  pendurar a winchester no ombro.

–Mas, infeliz! Não vai poder dar um passo. Segue a trilha, se quiser... Ou melhor, deixa essa arma, e amanhã mandarei um peão te acompanhar.

Benincasa renunciou ao seu passeio. Contudo, foi até a margem do bosque e se deteve. Tentou vagamente um passo adentro, e ficou quieto. Meteu as mãos nos bolsos e olhou detidamente aquele inextricável emaranhado, assobiando fracamente trechos incompletos. Após observar de novo o bosque de um lado ao outro, retornou bastante desiludido.

No dia seguinte, no entanto, percorreu a trilha central por cerca  de uma légua, e ainda que seu fuzil voltasse profundamente dormido, Benincasa não lamentou o passeio. As feras chegariam pouco a pouco.

Estas chegaram  na segunda noite, ainda que de um modo  um pouco singular.

Benincasa dormia profundamente, quando foi acordado por seu padrinho.

–Ei, dorminhoco! Levanta que vão te comer vivo.

Benincasa se sentou bruscamente na cama, alucinado pela luz dos três lampiões de vento que se moviam de um lado a outro no quarto. Seu padrinho e dois peões regavam o andar.

– O que foi, o que foi? –perguntou, jogando-se ao chão.

–Nada... Cuidado com os pés... A correição.

Benincasa já tinha   se inteirado das curiosas formigas a que chamamos correição. São pequenas, negras, brilhantes e marcham velozmente em rios mais ou menos largos. São essencialmente carnívoras. Avançam devorando tudo que encontram pelo caminho: aranhas, grilos, escorpiões, sapos, víboras, e todo ser que não pode lhes resistir. Não há animal, por grande e forte que seja, que não fuja delas. Sua entrada em uma casa supõe a exterminação absoluta de todo ser vivo, pois não há rincão nem buraco profundo onde não se precipite o rio devorador. Os cães uivam, os bois mugem, e é forçoso abandonar a casa, em troca de ser roído em dez horas até o esqueleto. Permanecem no lugar um, dois, até cinco dias, segundo sua riqueza em insetos, carne ou gordura. Uma vez devorado tudo, se vão.

Mas não resistem à creolina ou droga similar; e como na obrage havia muita creolina, em menos de uma hora o chalé ficou livre da correição.

Benincasa observava muito de perto, nos pés, a placa lívida de uma mordida.

– Picam muito forte, realmente! – disse surpreendido, levantando a cabeça para seu padrinho.

Este, para quem a observação não tinha já nenhum valor, não respondeu, felicitando-se, em compensação, de ter contido a tempo a invasão. Benincasa retomou o sono, ainda que sobressaltado toda a noite por pesadelos tropicais.

No dia seguinte foi ao monte, desta vez com um facão, pois tinha acabado de compreender que tal utensílio lhe seria bem mais útil no monte que a espingarda. É verdade que seu pulso não era maravilhoso, e sua pontaria muito menos. Mas, de qualquer maneira, conseguia quebrar os ramos, açoitar a cara e cortar as botas; tudo em um.

O monte crepuscular e silencioso o cansou cedo. Dava-lhe a impressão - exata por demais – de um cenário visto de dia. Da agitada vida tropical não há a essa hora mais que o teatro gelado; nem um animal, nem um pássaro, nem um ruído quase. Benincasa voltava quando um surdo zumbido lhe chamou a atenção. A dez metros dele, em um tronco oco, diminutas abelhas aureolavam a entrada do buraco. Se aproximou com cautela e viu no fundo da abertura dez ou doze bolas escuras do tamanho de um ovo.

– Isso é mel – disse o contador público com íntima gula - Devem ser bolsinhas de cera, cheias de mel...

Mas entre ele, Benincasa, e as bolsinhas, estavam as abelhas. Após um momento de descanso, pensou em fogo: levantaria uma boa fumaceira. A sorte quis que enquanto o ladrão se aproximava cautelosamente da folharada úmida, quatro ou cinco abelhas pousassem em sua mão, sem o picar. Benincasa logo apanhou uma  e,  oprimindo seu abdômen, constatou que não tinha ferrão. Sua saliva, já leve, se purificou em melífica abundância. Maravilhosos e bons animaizinhos!

Em um instante o contador desprendeu as bolsinhas de cera, e afastando-se um bom trecho para escapar do pegajoso contato das abelhas, se sentou em uma grande raiz. Das doze bolas, sete continham pólen. Mas as restantes estavam cheias de mel, um mel escuro, de sombria transparência, que Benincasa saboreou gulosamente. Tinha um gosto distinto. De quê? O contador não pôde explicar. Talvez resina de frutas ou de eucalipto. E por igual motivo,  o denso mel tinha um vago sabor áspero. Mas, em compensação, que perfume!

Benincasa, uma vez bem seguro de que só cinco bolsinhas lhe seriam úteis, começou. Sua ideia era singela: colocar o favo gotejante suspenso sobre sua boca. Mas como o mel era espesso, teve que aumentar o buraco, depois de ter permanecido meio minuto com a boca inutilmente aberta. Então o mel surgiu, afinando-se em pesado fio até a língua do contador.

Um depois do outro, os cinco favos se esvaziaram assim, dentro da boca de Benincasa. Foi inútil que ele prolongasse a suspensão, e muito mais que repassasse os balões exaustos; teve que resignar-se.

Enquanto isso, a sustentada posição da cabeça ao alto tinha-o enjoado um pouco. Pesado de mel, quieto e os olhos bem abertos, Benincasa considerou de novo o monte crepuscular. As árvores e o solo tomavam posturas por demais oblíquas, e sua cabeça acompanhava o vaivém da paisagem.

– Que enjoo curioso... – pensou o contador. - E o pior é...

Ao levantar-se e tentar dar um passo, se viu obrigado a cair de novo sobre o tronco. Sentia seu corpo de chumbo, sobretudo as pernas, como se estivessem imensamente inchadas. E os pés e as mãos formigavam.

– É muito estranho, muito estranho, muito estranho! – repetiu estupidamente Benincasa, sem suspeitar, no entanto, do motivo dessa estranheza - Como se tivesse formigas... A correição – concluiu.

E de repente a respiração se cortou seca, de espanto.

– Deve de ser o mel...! É venenoso...! Estou envenenado!

E num segundo esforço para levantar-se, seu cabelo arrepiou-se de terror: não podia nem se mover. Agora a sensação de chumbo e o formigamento subiam até a cintura. Durante um tempo o horror de morrer ali, miseravelmente só, longe de sua mãe e seus amigos, lhe coibiu todo meio de defesa.

– Vou morrer agora...! Daqui a pouco vou morrer...! Já não posso mover a mão...!

Em seu pânico constatou, no entanto, que não tinha febre nem ardor de garganta, e o coração e pulmões conservavam seu ritmo normal. Sua angústia mudou de forma.

– Estou paralítico, é a paralisia! E não vão me encontrar...

Mas uma visível sonolência começava a apoderar-se dele, deixando-lhe íntegras suas faculdades, ao mesmo tempo em que o enjoo  acelerava. Assim, pensou notar que o solo oscilante ficava negro e se agitava vertiginosamente. Outra vez veio à sua memória a lembrança da correição, e em seu pensamento se fixou como uma suprema angústia a possibilidade de que esse negror que invadia o solo...

Teve ainda forças para se arrancar desse último espanto, e de repente lançou um grito, um verdadeiro alarido em que a voz do homem recupera a tonalidade do menino aterrorizado: por suas pernas subiam um precipitado rio de formigas negras. Ao redor dele a correição devoradora escurecia o solo, e o contador sentiu por baixo da cueca o rio de formigas carnívoras que subiam.

Seu padrinho achou-o finalmente, dois dias depois, e sem a menor partícula de carne, o esqueleto coberto pela roupa de Benincasa. A correição que vagava ainda por ali e as bolsinhas de cera o esclareceram suficientemente.

Não é comum que o mel silvestre tenha essas propriedades narcóticas ou paralisantes, mas pode acontecer. As flores com igual caráter abundam no trópico, e já o sabor do mel denuncia na maioria dos casos sua condição – tal como deixou a resina de eucalipto que Benincasa achou sentir.

Laísmo, loísmo, leísmo

Uma das principais dúvidas dos estudantes de espanhol luso falantes é quanto ao uso dos pronomes “la”, “lo” e “le”. Ao estudar esses pronomes também ouvimos falar dos empregos incorretos dos pronomes conhecidos como “leísmo”, “laísmo” e “loísmo”.

Primeiramente, vamos ver para quê servem esses pronomes:

Os pronomes “lo, la, los, las” exercem a função de complemento direto e os pronomes “le e les” exercem a função de complemento indireto.

Como assim?

Quando o verbo tem dois complementos dizemos que é bitransitivo ou transitivo direto e indireto. As orações com verbos bitransitivos basicamente apresentam a seguinte estrutura:

Alguem + verbo + algo + a alguém

Pedro amarga la vida [CD] a María [CI].

Ao substituir o CI pelo complemento, teremos:

Pedro le amarga la vida.

O “laísmo” consiste em usar os pronomes “la” e “las” de complemento direto em lugar de “le” e “les” de complemento indireto.

Usando o exemplo anterior:

Pedro la amarga la vida. (A forma correta seria “le amarga”, já que o pronome está substituindo “a María”, que é CI da oração)

O “loísmo” consiste em usar os pronomes “lo” e “los” de complemento direto em lugar de “le” e “les” de complemento indireto.

Exemplo: A Pedro lo dieron una paliza. (A forma correta seria “le dieron”, já que Pedro é CI)

O “leísmo” consiste em usar os pronomes “le” e “les” de complemento indireto em lugar de “lo” e “los” ou “la” e “las” de complemento direto.

Exemplo:

Pedro besó a Maria.

Pedro le besó. (A forma correta seria “la besó”, já que Maria é complemento direto)

Talvez você se pergunte: “Mas é a preposição ‘a’ em ‘a María’ não está indicando complemento indireto?”

Nas aulas de língua portuguesa aprendemos a identificar o complemento indireto pela presença da preposição, mas na língua espanhola os complementos diretos de pessoa são precedidos pela preposição “a”. Quem beija, beija alguém, o verbo beijar é transitivo direto, tanto em português quanto em espanhol, independentemente da presença da preposição em espanhol.

Uma dica é tentar descobrir se a palavra funciona como CD ou CI perguntando ao verbo: “¿qué?” (CD) e “¿a quien?” (CI).

Exemplos:

Juan entrego las llaves del coche a su padre.

¿qué entregó? = las llaves del coche (CD).

¿a quien? = a su padre (CI)

Juan le [CI] entregó las llaves [CD].

Se quiser substituir os dois complementos pelos pronomes, a frase ficará assim: Juan se (CI) las (CD) entrego.

O complemento indireto, nesse caso, vem antes do complemento direto e substitui-se o “le” por “se” para evitar a cacofonia, isto é, o som desagradável: Juan le las entrego. (errado)

Outros exemplos:

María tiene dolor de cabeza.

¿A quién duele la cabeza? = A María.

¿qué duele? = la cabeza

Então podemos dizer:

A María le [CI] duele la cabeza [CD].

Ellos adoptaron al perro.

¿qué adoptaron? = un perro

Ellos lo [CD] adoptaron.

Conocí a un cirujano plástico a quien le conté mi problema. (o pronome “le” está retomando o termo “cirujano plástico”)

Quien cuenta, cuenta algo [CD] a alguien [DI]

Le [CI] dieron un premio [CD].

Le [CI] operaron el brazo [CD].

La [CD] alabaron mucho.

Lo [CD] vi por la calle.

As academias já aceitam o leísmo — emprego de le como complemento direto — masculino de pessoa em singular, uma vez que há regiões em que se emprega majoritariamente o “le”, assim ainda que o correto seja “A Juan lo vi al lado de Ana” , aceita-se a forma “A Juan le vi al lado de Ana” .

Outro caso de leísmo aceito pela normativa é o masculino singular e plural em orações impessoais com o “se”: “Al niño se le vio subiendo al árbol” e “A los niños se les vio subiendo al árbol”.

Finalmente, mais um caso de leísmo aceito pela normativa é o “leísmo de cortesia”, que consiste no uso do “le” ou “les” em função de complemento direto quando o referente é um interlocutor a quem se trata como “usted”. Este “leísmo” é justificado pelo desejo de evitar a ambiguidade de sentido que provocaria o uso dos pronomes lo, la, los, las, já que estes poderiam referir-se tanto a um interlocutor presente como a uma terceira pessoa que não participe da conversação.

Exemplos:

Espere, que yo le acompaño [a usted].

¿Quiere que le espere? [a usted]

É aceitável, especialmente em fórmulas fixas de saudação ou despedida do tipo “Le saluda atentamente”.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Recordar, acordarse de

Os verbos “recordar” y “acordar” compartem o significado de ter algo presente na memória, mas na língua geral culta constroem-se de modo diferente: “recordar” é transitivo (recordar algo), enquanto que “acordar” é intransitivo pronominal (acordarse de algo).

RECORDAR:

No sentido de trazer algo ou alguém à memoria é transitivo (recordar algo o recordar a alguien):

¿Recuerdas a la hermana de Carolina?

Recuerdo cuando viajamos a Paris.

¿Recuerdas a tu primera maestra?



Recordar também significa fazer com que outra pessoa tenha algo presente na memória:

Te recuerdo que mañana tenemos que ir al supermercado.



Também é usado para dizer que uma pessoa ou coisa traz outra à memoria por semelhança:

Esa señora me recuerda a mi madre.

Esta noticia me recuerda algo que ocurrió hace diez años.



“Me acuerdo” é sinônimo de “recuerdo”. Não é correto conjugá-lo como pronominal me recuerdo, te recuerdas, se recuerda… entretanto, pode-se dizer “Eso me recuerda a España”.



Diz-se de uma pessoa ou coisa semelhante a outra:

Ese ruído recuerda el de um pájaro.



ACORDAR:

O verbo acordar na língua culta funciona como intransitivo pronominal e é acompanhado por um complemento com a preposição de (acordarse de algo o de alguien).

¿Te acuerdas de mí?

¿Os acordáis de cuando erais pequenos?

¿Te acordás (vos) de lo que acordamos? (lembra-se do que combinamos?)

Acordar também é usado no sentido de entrar em acordo, combinar.

sábado, 21 de setembro de 2013

Curso: Por uma Filosofia Tomista

Por uma Filosofia Tomista
Curso on-line de 60 horas ministrado por
Carlos Nougué


 “A felicidade última do homem está na contemplação da Verdade.”
Santo Tomás de Aquino

[Comunicado 1]
Em meados de outubro deste ano, estará disponível em site próprio o Curso on-line Por uma Filosofia Tomista, de 60 horas (o equivalente a um curso de extensão universitária).

DADOS GERAIS DO CURSO

1) O Curso se dividirá em 30 vídeos-aula de 2 horas cada uma.
2) Todos os vídeos-aula estarão gravados antes do início do Curso, mas só se postarão no site dois por semana, por óbvias razões didáticas. Permanecerão todos no site até cinco meses depois do início do Curso. (Informar-se-á oportunamente o endereço do site.)
3) Haverá, ademais, ao longo dos mesmos cinco meses, vídeos-aula extras, de duração variada, com a resolução das dúvidas enviadas pelos alunos ao e-mail cursos@carlosnougue.com.br. (É também a este e-mail que se deve escrever para solucionar quaisquer outras dúvidas relativas ao Curso. Neste caso, responderá nosso responsável operacional: Marcel Assunção Barboza.)
4) Os vídeos estarão em nosso site em duas versões: uma de alta resolução; a outra de resolução um pouco inferior, para os alunos cujo computador não suporte a primeira.  
5) Na seção Material de Estudos do site, fornecer-se-ão também textos, outros vídeos e bibliografia.  
6) O Curso fornecerá certificado (particular) ao fim dos cinco meses.

EMENTA DO CURSO

I) Apresentação geral: A necessidade de uma Filosofia tomista.
II) Preâmbulo 1: Resumo da História da Filosofia – Do impulso grego ao abismo moderno.
III) Preâmbulo 2: Se Santo Tomás era filósofo e/ou teólogo.
IV) Preâmbulo 3: A essência da doutrina de Santo Tomás, ou se o tomismo é um aristotelismo.
V) Preâmbulo 4: Como estudar a Filosofia, e em ordem a quê.
VI) Introdução geral à Filosofia, ou seja, a seus conceitos elementares (já aqui se implicam noções da Lógica, da Física e da Metafísica):
1) O que é conhecer 2) O ente e os primeiros princípios; 3) A quididade das coisas; 4) O essencial e o acidental; 5) Substância e acidentes; 6) A questão do an sit; 7) Ente e esse (ser ou ato de ser); esse e existência – uma primeira aproximação; 8) Divisão e definição; 9) Se os acidentes são entes e têm quididade; 10) Se as coisas artificiais têm quididade.
VII) Introdução à Lógica:
1) A simples apreensão; 2) As propriedades das coisas; 3) O juízo ou composição; 4) As causas; 5) O silogismo; 6) Em defesa da Lógica; 7) Se a Lógica é arte ou ciência; 8) As propriedades da Lógica; 9) O método da Lógica; 10) Lógica e Gramática.
VIII) Intermédio: A ordem das ciências e das artes.
IX) Introdução à Física geral:
1) O que é a natureza; 2) Os princípios da natureza: ato e potência, etc.; 3) O sujeito da Física Geral; 4) Existência e esse – segunda aproximação; 5) Em defesa da Física Geral aristotélico-tomista; 6) Se e em que caducou esta ciência; 7) O método da Física Geral; 8) Que classe de ciência é a Física moderna; 9) O que pensar da Biologia, da Psicologia, etc., atuais; 10) Uma crítica a Jacques Maritain.
X) Introdução à Metafísica:
1) Se tal ciência existe ou é válida ou necessária; 2) O sujeito da Metafísica; 3) Ente e esse – segunda aproximação; 4) As propriedades da Metafísica; 5) O método da Metafísica; 6) Diferença entre Teologia (ou Metafísica) e Sacra Teologia, e se elas se opõem; 7) As provas da existência de Deus; 8) O tratado de Deus uno.
XI) Apêndices:                                                                               
1) Os transcendentais; 2) Se o mal é algo; 3) A alma humana e sua imortalidade; 4) A Política e sua ordem ao Fim último do homem; 5) O mundo poderia ter sido criado ab aeterno (desde a eternidade)?

CURRÍCULO DE CARLOS NOUGUÉ

I) Dados pessoais:
Nome: Carlos (Augusto Ancêde) Nougué;
Nacionalidade: brasileira;
Idade: 61 anos.
II) Qualificações profissionais:
1) Professor de Filosofia por diversos lugares;
2) Professor de Tradução e de Língua Portuguesa em nível de Pós-graduação (UGF);
3) Tradutor de Filosofia, Teologia e Literatura (do francês, do latim, do espanhol e do inglês);
4) Lexicógrafo.
III) Prêmio e indicações para prêmio:
• Prêmio Jabuti de Tradução/1993;
Indicação ao Prêmio Jabuti/1998;
• Finalista do Prêmio Jabuti/2005 pela tradução de D. Quixote da Mancha, de Miguel de Cervantes (edição oficial do Quarto Centenário da edição princeps).
IV) Responsável pelos seguintes blogs:

SUBSCRIÇÃO PARA O CURSO

1) Valor total:
a) ou R$ 300,00 em até 6 parcelas sem juros no cartão de crédito;
b) ou R$ 280,16 por pagamento à vista mediante débito on-line ou boleto bancário.
Observação: Ambas as formas de pagamento se farão, em nosso próprio site, mediante o PagSeguro.
2) Ao pagarem, os alunos-subscritores receberão automaticamente uma senha de acesso aos vídeos-aula (regulares e extras) e ao material de estudo.
3) O período de subscrição começará entre três a duas semanas antes do início do Curso.
Observação geral 1: Até o fim de setembro próximo, informar-se-á a data efetiva do início do Curso.
Observação geral 2: Até o início do Curso, enviar-se-á semanalmente novo comunicado à mesma mailing list.

*  *  *

> Veja-se o Vídeo de Apresentação do Curso (http://youtu.be/0IETeM0vu0c).

___________
Uma iniciativa conjunta
Central de Cursos Contemplatio
Associação Cultural Santo Tomás

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

10 dicas importantes para antes de aceitar um projeto de tradução

1. Se se tratar de um novo cliente direto, ou de uma nova empresa de tradução, verifique se já houve atrasos ou queixas registrados em listas de discussão ou foruns de tradução. Verifique a veracidade das informações disponíveis no site da empresa, tais como telefone de contato, localização, CNPJ, etc. Uma forma de evitar a inadimplência é exigir 50% do valor contratado no início do trabalho e só enviar o restante da tradução após a confirmação do depósito do valor restante em sua conta. Com clientes antigos, você não apenas pode, como deve ser mais flexível.

2. Deixe tudo registrado e documentado por meio de e-mail e documentação: proposta ou pedido de tradução com instruções detalhadas e informações como data da proposta; prazo; idioma de origem e idioma de destino; número de palavras; valor por palavra e valor total; formato original e final dos arquivos; forma de envio; instruções de pagamento; data e hora de entrega; data de validade da proposta e todas as informações pertinentes para resguardar os interesses de ambas as partes.

3. Tenha sempre à mão o e-mail, o telefone de contato do cliente (de preferência mais de um número). Disponibilize seus contatos, é importante que o cliente consiga localizá-lo sempre que precisar.

4. Em hipótese alguma aceite um trabalho sem antes examiná-lo e sem saber do que se trata.

5. Avalie cuidosamente o projeto antes de passar um orçamento: leia o texto original e avalie a qualidade (um texto mal escrito no idioma de origem será mais difícil de traduzir); verifique se há terminologia especializada (o tempo gasto em pesquisa deve ser considerado no cálculo do orçamento); considere o prazo dado (cobre mais para traduzir em caráter de urgência); verifique o formato do texto de origem, pois alguns formatos não permitem recursos como corretor ortográfico, contagem de palavras, localizar e substituir palavras o que dificulta consideravelmente o processo de tradução. Mas atenção, a demora para passar o orçamento pode ser interpretada como desinteresse, por isso, seja ágil.

6. Salve o original e deixe-o intacto, trabalhe em uma cópia renomeada, acrescente o final _ES, por exemplo, se estiver traduzindo para o espanhol. Salve constantemente o trabalho inclusive num dispositivo pen-drive ou similares. Envie os arquivos traduzidos frequentemente para seu próprio e-mail. Imagine o que aconteceria se você estivesse prestes a terminar a tradução de um projeto de mais de 50.000 palavras e ocorresse uma queda de energia e você não tivesse o arquivo em outro lugar além de seu computador?... caixão!

7. Peça materiais de referência que possam servir como material de apoio, tais como glossários ou documentos relacionados.

8. Consulte o cliente sempre que for necessário e conserve os nomes dos arquivos e a estrutura de pastas.

9. Organize bem o trabalho no computador. Crie uma pasta para cada cliente; para cada projeto, mantenha uma versão original e crie um glossário para cada cliente ou projeto.

10. Cumpra o prazo e não altere a tarifa após o início do trabalho. Se você acha que cobrou um valor abaixo do que deveria ter cobrado, assuma o prejuízo — mantenha sua palavra e o acordo — isso é fundamental. Da próxima vez seja mais criterioso antes de enviar o orçamento.

Seja sempre cordial e profissional, preze pela qualidade e com certeza não lhe faltarão novos pedidos!

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Agradecer

A palavra agradecer deriva do Latim “gratus”, que tanto quer dizer “agradecido” como “agradável”.

O verbo agradecer é um verbo com múltipla regência, isto é, ele pode ser transitivo direto “Agradeço a graça recebida”, transitivo indireto “Agradeça-lhe por mim”, ou ainda, transitivo direto e indireto, também chamado de bitransitivo “Agradeça ao professor a atenção recebida”.

Transitivo direto: quando expressar gratidão por algo.

Ela agradeceu a lembrança.

A diretora da instituição agradeceu as doações.

Transitivo indireto: quando for regido pela preposição “a” e significar “estar grato a alguém” com ou sem especificar a razão.

Agradeceu aos convidados.

O aluno agradeceu ao mestre.

Transitivo direto e indireto: quando expressar o agradecimento a alguém por algo que ele fez.

O diretor agradeceu à equipe o empenho dedicado.

Agradeci a Deus as bênçãos derramadas.

Algumas frases permitem várias construções:

“O jogador agradeceu à torcida o apoio recebido” ou “O jogador agradeceu o apoio da torcida”.

Ao enviar uma mensagem de agradecimento a uma professora, por exemplo, qual seria a forma correta?

“Quero agradecê-la” ou “quero agradecer-lhe?”

“Quero agradecer-lhe” – usa-se o pronome “lhe” para referir-se à pessoa.

Ainda sobre gratidão — a palavra “obrigada” originou-se do latim “obligare”, formado por “ob” mais “ligare” (unir, atar), ou seja, quando dizemos “obrigado” estamos dizendo que nos sentimos ligados pelos laços do agradecimento a quem nos fez um favor.

A palavra obrigado é um adjetivo que significa “sentir-se obrigado a retribuir um favor a alguém” e deve concordar em gênero e número com o elemento ao qual se refere.

O homem, ao agradecer, deve usar obrigado, e a mulher, obrigada.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Origem da palavra espairecer

Espairecer é uma palavra formada a partir de derivação prefixal e sufixal: es+pairar+ecer.


O prefixo “es-” é de origem latina e significa um movimento para fora, a retoma de um estado anterior.


O sufixo verbal “-ecer” é um sufixo muito usado nos verbos incoativos, que indicam o início ou o desenvolvimento de um novo estado.


A palavra “pairar” tem origem no latim “Pariare”, que significa “ser igual, estar em equilíbrio com”, de PAR, “igual, contraparte”. Originalmente usou-se para designar o barco que se mantinha sem se deslocar, depois passou a ser usada para referir-se aos pássaros que conseguem manter-se no ar com pouco movimento.


Usamos o verbo “espairecer” para nos referirmos ao ato de distrair-se, entreter-se, relaxar a mente.


Em espanhol não existe o mesmo termo, mas podemos utilizar os seguintes sinônimos “relajarse, distraerse, desconectarse, esparcir el ánimo, despejarse”.


Exemplos:


Seria conveniente que ele viajasse para espairecer = Le convendría viajar para esparcir el ánimo.


Depois de tantos problemas, preciso espairecer = Después de tantos problemas, necesito relajarme.


O que você acha de assistirmos um filme para espairecer? = ¿Qué te parece si vemos una película para distraernos?


Ele se esforça, mas não consegue espairecer = Él se esfuerza, pero no consigue despejarse.


terça-feira, 10 de setembro de 2013

Tradução e humor

Um dos grandes desafios para o tradutor é a tradução de humor, isso porque o humor está permeado de traços culturais, jogos de palavras, trocadilhos que são os mecanismos que provocam o efeito humorístico. Algumas piadas ou trocadilhos, principalmente os que utilizam recursos fonéticos ou semânticos para provocar o riso, são praticamente impossíveis de se traduzir:
No filme “A inveja mata”, título original em inglês “Envy”, um dos protagonistas inventa um spray que ao ser jorrado sobre as fezes do cão simplesmente as pulveriza. O nome original em inglês para a engenhoca foi “vapoorize”, que por si só já tem toda uma carga de humor, já que “poo” significa “cocô”.
Na tradução ao português traduziram por “vacocorizador” ou “evaporizador”, mas não obteve o mesmo efeito.
Outro exemplo de piada quase impossível de traduzir:
— Qual é o vinho que não contém álcool?
“Ovinho” de codorna!

Na pegadinha acima, o humor é provocado pelo jogo fonético, pois “o vinho” tem o mesmo som que “ovinho”, a anedota está em que dificilmente identificaríamos “ovo de codorna” com a bebida alcoólica chamada “vinho”. Dificilmente conseguiríamos um efeito semelhante em outra língua.
Mais um exemplo:
— O que o tomate foi fazer no banco?
— Foi tirar extrato.

Aqui o humor é resultante de fatores semânticos, a polissemia da palavra “extrato” que tem duplo sentido “extrato bancário” comprovante da movimentação da conta corrente e “extrato de tomate” molho concentrado. Também seria difícil obter esse efeito em outra língua.
Agora dois “causos” ocorridos na vida real:
Sempre advirto meus filhos de que não devem aceitar nada de estranhos. Um dia meu filho caçula ligou para meu trabalho e me disse:
— Mãe, um senhor nos deu balinhas.
— Tá, mas você conhece?
— Conheço, são de banana.
O efeito cômico foi resultado da ambiguidade, é óbvio que eu estava me referindo ao homem, enquanto ele estava mais preocupado com as balinhas. 


Uma das características do humor é a espontaneidade e a agilidade, se o locutor tiver de dar muitas explicações, perde-se a graça.

Cair a ficha

A origem da expressão “cair a ficha” é da época em que ainda usávamos “orelhão”, expressão popular para designar o telefone público. Os primeiros telefones públicos, da década de 30, funcionavam com moedas de 400 réis. Devido à instabilidade da moeda, a Telebrás criou as fichas telefónicas exclusivas para os orelhões. A ficha só caía depois que a conexão era estabelecida.

Foi assim que teve origem a frase usada para descrever o momento em que conseguimos entender algo ou nos damos conta de algo que não havíamos “captado”.

A criação dos cartões telefônicos, em 1992, aposentou as fichas, mas a frase sobreviveu apesar de não fazer muito sentido para as novas gerações acostumadas com o celular.

Para perguntar se alguém havia entendido alguma coisa, perguntava-se “caiu a ficha?”. Hoje há outra expressão mais moderna e também relacionada à telefonia para perguntar se alguém entendeu algo: “tá ligado?”

Em espanhol também há várias expressões coloquiais para dizer que entendemos algo: “Pisparse”:

Recién ahora me pispé que llevo la cremallera abierta. (Só agora caiu a ficha de que meu zíper está aberto).

“Caer en la cuenta”

Finalmente cayó en la cuenta de que ya no tiene dinero. (Finalmente caiu a ficha de que já não tem dinheiro)

“Pillar”

No pilló que era un chiste. (Não “se tocou” que era uma piada)

Obrigada!, iGracias!

Muito obrigada a todos os que passaram por aqui para dar uma "bizoiada" e contribuíram para superar a marca de 10.000 visitas! Espero que continuem visitando!

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Conto insólito

Amor à primeira consulta

Tirei um tempinho para ir visitar meu primo Erivelton. Ele me ligou superempolgado, disse que está namorando. A notícia deixou-me perplexo. Meu primo é dentista, ele sempre foi um cara meio estranho, como posso explicar… tipo “nerd”, sempre estudando, passou quase dez anos de sua vida investindo na formação: primeiro a graduação e depois as especializações. Embrenhava-se nos livros, enquanto nós curtíamos as meninas e as baladas. Deve ser por isso que hoje ele é um renomado dentista enquanto eu sou um mero auxiliar escritório…

Cheguei ao consultório. Uma garota linda recebeu-me com um “boa tarde, pois não?”. Apresentei-me e disse que meu primo estava me esperando. Ela avisou pelo telefone e me mandou entrar.

— Oi, primo, tudo bem? E então, me conta, quer dizer que está namorando? Mas, antes me diz uma coisa, quem é a gatinha que está trabalhando na recepção?

— Gatinha? Cara, você precisa procurar um oftalmologista, a menina é simpática, sim, mas tem os dentes todos encavalados… Bom, deixa eu te contar… Cara, eu estou apaixonado, conheci uma menina linda…

— Meus parabéns, fico feliz por você! Como foi que se conheceram?

— Ela veio até aqui para fazer uma aplicação de flúor.

— Tem alguma foto? estou curioso…

— Só tenho a foto do cadastro de clientes, mas já dá para ter uma noção… — disse ele, enquanto procurava o arquivo de cadastro na tela do computador. — olha aqui, a minha princesa!

Aproximei-me da tela e tive um sobressalto, esperava ver uma princesa e o que vi foi praticamente um duende: orelhudinha, narigudinha e "zoiudinha".

— E então, o que achou, não é linda? — disse ele.

— Você não me contou como se conheceram… — disse eu tentando disfarçar.

— Ela veio ao consultório para fazer uma aplicação de flúor… Quando abriu a boca… cara! fiquei louco! que dentes! pareciam pérolas enfileiradas, que brilho! a gengiva saudável… a língua tinha uma aparência macia e rosada! Então peguei minha lente e vi aquelas papilas gustativas todas ordenadas e diligentes, como um campo de girassóis… O céu da boca… que céu… e a úvula!

— A quê? — perguntei perplexo.

— A úvula, primo, a “campainha”! Mais parecia o sino reluzente de um templo! Fiquei louco! Ela não é linda? — disse ele com brilho no olhar.

— Ela é perfeita… pra você! — respondi com uma pontinha de inveja. — Desculpe, mas preciso voltar para o escritório, o meu chefe deve estar chegando.

Saí perturbado, batendo a porta sem querer. Já na rua imaginei o êxtase de meu primo ao ver a namorada usando fio-dental… No bom sentido, é claro!

©Diana Margarita

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Traduzir...

Como penetrar no âmago das palavras e reconstruir o seu sentido se não fui eu que as escrevi, se não fui eu que empunhei minha adaga contra moinhos de vento, se não fui eu que mereci sua atenção durante mil e uma noites, se não fui eu que me perdi naqueles olhos de ressaca, se não fui eu que da noite para o dia me transformei em um inseto repugnante. Não fui eu. Não fui eu. Não fui eu que me mantive jovem enquanto o afresco envelhecia. Não criei nenhum emplasto, não desbravei terras desconhecidas, entretanto, eu assumo esse risco.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Palavras intraduzíveis

A intraduzibilidade é a peculiaridade de um texto ou de uma expressão numa determinada língua para os quais não se pode encontrar um texto ou expressão equivalente em outra língua.

Segundo Paul Ricoeur, a língua tem propensão ao “enigma, ao artifício, ao hermetismo, ao secreto”. O conceito de intraduzibilidade é real e devidamente motivado. Como traduzir literaturas forjadas em línguas cujas sintaxes não se ajustam, cujos vocabulários não se encaixam, cujos ritmos pulsam em cadências assíncronas, cujos signos remetem a imagens que parecem desencontrar-se? Pior: como traduzir se o humor que flutua sobre o texto, nos entremeios do texto - lubrificando com frouxos sentidos o espaço entre as palavras - não encontra eco na língua de chegada?

Esse conceito aplica-se principalmente ao texto literário, à poesia, aos trocadilhos e às expressões idiomática. Paulo Rónai quando comentou sobre a traduzibilidade e a intraduzibilidade de textos literários; disse ele: “todo texto literário é fundamentalmente intraduzível por causa da própria natureza da linguagem. (...) [A]s palavras isoladas não têm sentido em si mesmas: a sua significação é determinada pelo respectivo contexto”. Ocorre que o contexto cultural no qual a palavra foi utilizada na língua-fonte não será o mesmo encontrado na língua-alvo.

A língua é um sistema que representa a forma particular como um povo vê o mundo, sua idiossincrasia. Cabe ao tradutor experiente reconhecer as palavras ou expressões intraduzíveis e utilizar de técnicas e procedimentos que permitam preencher essas lacunas.

Friedrich Nietzsche disse uma vez que “as palavras são apenas símbolos para as relações das coisas umas com as outras e conosco. Nada que exprima a verdade absoluta”.

No livro “Through The Language Glass”, Guy Deutscher tenta entender as lacunas deixadas por palavras de diferentes culturas que não têm tradução. Confira alguns exemplos:

Do alemão, Waldeinsamkeit - Um sentimento de solidão, de estar sozinho na floresta e uma conexão com a natureza.

Do italiano, Culaccino - marca deixada sobre uma mesa por um vidro frio. Quem diria que a condensação pode soar tão poética?

Do esquimó, Iktsuarpok - sentimento de antecipação que o leva a sair e verificar se alguém está chegando, e, provavelmente, também indica um elemento de impaciência.

Do japonês, Komorebi - nome dado à luz do sol filtrada pelas folhas das árvores.



Do russo, pochemuchka - alguém que faz um monte de perguntas. Todos conhecemos um desses.

Do espanhol, Sobremesa - esta palavra é de origem espanhola e nada tem a ver com doces. Os espanhóis tendem a ser um grupo social e termo serve para indicar o tempo que passamos conversando à mesa após o término da refeição.

Do indonésio, Jayus – é uma gíria para alguém que conta uma piada tão mal, que é tão sem graça que você não pode deixar de rir em voz alta.

Do havaiano, Pana Po´o - sabe quando você se esquece de onde você colocou as chaves, e você coça a cabeça porque de alguma forma parece que esse gesto o ajuda a lembrar? Esta é a palavra para isso.

Do francês, Dépaysement – é o sentimento decorrente de não estar em seu país de origem - de se sentir estrangeiro numa cultura diferente.

Do urdu, Goya - urdu é a língua nacional do Paquistão, mas é também uma língua oficial em cinco dos estados indianos. reflete o estado de contemplação e incredulidade que se tem diante de uma boa narrativa.

Do sueco, Mångata - Termo que indica o caminho iluminado que a luz da lua desenha na água.

Acrescentemos a essa lista nossa querida e melancólica “saudade” que descreve o vazio e a tristeza que sentimos de alguém ausente, de alguma coisa, de algum lugar ou de algum momento que vivemos.