quinta-feira, 31 de outubro de 2013

As expressões "si mesmo" e "si próprio" são redundantes?

O pronome "si" é pessoal do caso oblíquo refere-se à terceira pessoa do singular: "Vive cheio de si" ou à terceira pessoa do plural "Caíram em si ao receber a notícia".

O pronome “si” indica de processo reflexivo quando se refere ao sujeito "Elas só pensa em si", ou seja, elas só pensam nelas mesmas, em si mesmas ou em si próprias.

O emprego de uma expressão de reforço como "mesmo" ou "próprio" depois do "si" que denota ação reflexiva não constitui redundância. Portanto, é perfeitamente lícito dizer “Ela feriu a si mesma”, “Eles enganaram a si próprios”, “Sempre exige muito de si próprio”.

O pronome “si” é usado sempre com preposição, exceto com a preposição “com”, nesse caso, usa-se o pronome “consigo”. Exemplo: “Ele é muito exigente consigo mesmo”.

O pronome “si” também denota reciprocidade: "Decidiram entre si o local da reunião". No primeiro exemplo ("Ela só pensa em si"), o pronome "si" tem valor reflexivo porque se refere ao sujeito ("ela"). Tradução: "Ela só pensa em si" significa que ela só pensa nela mesma, em si mesma, em si própria.

Quando devemos usar “entre si” ou “entre eles”?

Devemos usar “entre si” somente quando o sujeito pratica e recebe a ação verbal:

“Os participantes competiam entre si”, “Os políticos discutiam entre si”, “Eles repartiram o bolo entre si mesmos”.

Devemos usar “entre eles” quando o sujeito é um e o complemento é outro:

“Nada existe entre eles” (o sujeito é “nada” e o complemento é “entre eles”), “O bolo foi repartido entre eles” (sujeito: “bolo”; complemento: “entre eles”), “O segredo ficou entre elas mesmas” (sujeito: “segredo”; complemento “entre elas”)

Por serem idênticas às pessoas do pronome reflexivo e do recíproco pode ocorrer ambiguidade nos casos de sujeito plural. Para evitar a ambiguidade, devemos usar os seguintes recursos:

João e Maria enganaram-se.

Pode ser que João enganou Maria, e esta a Paulo.

Para marcar a ação reflexiva, é recomendável acrescentar, conforme a pessoa, a si mesmos, a si próprios, entre outras:

João e Maria enganaram a si mesmos.

Para marcar a ação recíproca, convém acrescentar uma expressão pronominal, representada por “um ao outro, uns aos outros, entre si”:

João e Maria enganaram-se um ao outro. OU

João e Maria enganaram-se entre si.

Ou ainda, fazendo uso de um advérbio, como “reciprocamente ou mutuamente”:

João e Maria enganaram-se mutuamente.

ATENÇÃO:

Em Portugal, diferente do que ocorre no Brasil, admite-se o uso do pronome "si" em relação ao seu interlocutor, ou seja, no português de Portugal, a frase "Ela só pensa em si" significa que ela só pensa na pessoa com quem está conversando. Ou ainda, a frase “Gosto muito de si”, significa que gosto muito da pessoa com quem estou falando. Também se usa o pronome “consigo” em relação à pessoa com quem se fala “Falarei consigo amanhã”. No Brasil, diríamos esta última frase da seguinte forma: “Falarei com você amanhã” ou, ainda, “Falarei com o(a) senhor(a) amanhã”.

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