segunda-feira, 29 de julho de 2013

Vocabulario acerca de las protestas en Brasil

Una única palabra es suficiente para sacar de quicio al traductor y hacerle embreñarse en una búsqueda frenética por un equivalente en la lengua de llegada. Algo semejante a la reacción que los libros de caballería provocaban en don Quijote se produce en la cabeza del traductor cuando éste se encuentra ante una palabra rara, un idiomatismo, una jerga o un neologismo. La traducción es uno de los mejores ejercicios para poner en marcha los engranajes de nuestro cerebro. La búsqueda por un equivalente es como un enmarañado que nos atrapa y del que no conseguimos desvencijarnos hasta encontrar un término que nos deje satisfechos.

Felizmente hoy en día podemos contar con la tecnología, no logro imaginar lo difícil que sería llevar a cabo esta empresa sin ayuda del ordenador.

Durante las protestas en Brasil motivadas por el alza de los precios del transporte público, se produjo un movimiento llamado “catracaço” que consistió en que los usuarios de los autobuses se colaban saltando por encima de las “catracas” para no pagar el pasaje.

Pues esa palabra, “catracaço”, fue la que produjo la chispa que pone en marcha las engranajes y que no me deja en paz hasta encontrar un equivalente y, en esa búsqueda por sitios, imágenes, noticias, diccionarios, foros de discusión, etc. me encuentro otras palabras raras, lo que produce una reacción en cadena y al final aprendo varias palabras nuevas y las añado a mi glosario personal, de lo contrario, sería una labor en vano.

Veamos algunos términos relacionados a las protestas ocurridas recientemente en Brasil:

Ônibus = autobús en España; colectivo, ómnibus o micro en la región rioplatense; guagua en Cuba y buseta en Colombia, Costa Rica, Ecuador y Venezuela, lo que en portugués suena muy mal, pues coincide con uno de los nombres vulgares para referirse al órgano sexual femenino.

Passagem = boleto, billete, tique.

Catraca = torniquete, torno o molinete. Es el dispositivo que se que controla el acceso de personas y el pago del boleto.

Catracaço = movimiento que consiste en colarse saltando los torniquetes del autobús para no pagar el boleto. En España el equivalente sería el movimiento “Yo no pago”.

Movimento passe livre = en la prensa en español se ha traducido como Movimiento Pase Libre y consiste en la reivindicación de transporte gratuito.

Pichar = pintar grafitis, hacer pintadas.

Vinte centavos = veinte céntimos.

Engarrafamentos = atascos, embotellamientos.

Trânsito = tráfico.

Passeata = Marcha.

Cartazes = Pancartas.

Cartão = tarjeta.

Vale-transporte, passe = Bono de transporte, bonobús, abono.

Taxa = Tasa.

Protestos = protestas.

Manifestações = manifestaciones.

Balas de borracha = balas de goma.

Cassetete = porra (palabra que también suena muy mal en portugués porque un sinónimo vulgar de esperma).

Gás lacrimogêneo = gas lacrimógeno.

Furar a fila = colarse.

Gritar palabras de orden = corear consignas.

Algunos de los mensajes que se exhibieron en las pancartas:



“¡Que coincidencia, no hay policía y no hay violencia!".

“Haz el amor y no la guerra”

“Libertad para [Julian] Assange”

“No venga al Mundial”

“Disculpen las molestias, estamos mudando el país”

“No son los céntimos, son los derechos”

“Si algún céntimo fuera para educación, yo no estaría aquí”

“Por una vida sin tornos” (en referencia a los torniquetes “catracas”).

“El transporte no es mercadería”

“Hace ocho meses éramos electores. Ahora somos vândalos”

“Estamos luchando por usted”

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Simplesinho ou simplezinho?

Observe que a palavra simples não é um substantivo plural, mas um substantivo terminado em “s”, tal como pires, lápis, adeus, alferes. O plural das palavras terminadas em -s faz-se acrescentando o sufixo –inho ou -ito à forma da palavra originária. Assim, deve-se manter o -s com que a palavra terminava.

Exemplos:

Simples – simplesinho

Lápis – lapisinho

Pires – piresinho

Alferes - alferesinho

Burguês - burguesinho

Diferente da regra do diminutivo de palavras no plural, em que se deve passar a desinência do plural (= s) para depois do sufixo do diminutivo (= zinho, zito):

Papéis = papéi (s) + zinho + s = papeizinhos

Balões = balõe (s) + zinho + s = balõezinhos

Flores = flore (s) + zinha + s = florezinhas

Dicas:

Para não cometer uma gafe, tome cuidado ao pronunciar os aumentativos ou diminutivos. Por exemplo, se você for à peixaria comprar um baiacu, um pacu ou um pirarucu, não use, em hipótese alguma, o termo no diminutivo (o aumentativo também não é recomendado!)e se quiser se referir a um importante teórico, cuidado para não se empolgar nos elogios e soltar uma pérola do tipo: Esse cara é um baita de um “teoricuzão”. Acredite, já ouvi isso.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

A visibilidade do tradutor

Ao falar da visibilidade do tradutor, não me refiro à teoria de Venuti, que propõe que o tradutor deve intervir no texto, mas à visibilidade do tradutor no mercado de trabalho, nas redes sociais, no mundão afora, afinal, a ferramenta de trabalho do tradutor é a comunicação, por isso, é essencial comunicar-se, sair da concha, da casca, do casulo, do pijama, da zona de conforto e abrir-se para o mundo!



Se você trabalha em casa, a probabilidade de um NOVO cliente bater em sua porta para lhe oferecer um trabalho é de 0,00000000037473%.


Clientes não dão em árvores, nem caem de paraquedas… infelizmente, porque seria muito legal se isso acontecesse… já pensou? Acabei minha tradução, vou até à árvore catar mais um cliente, ou então, "o que é isso?", "um pássaro?", "um avião", não, é outro cliente caindo de paraquedas! 

Também poderiam ser trazidos pela cegonha, não há limites para a imaginação. Seria maravilhoso!
 

Visibilidade é a palavra-chave para o tradutor autônomo! Prepare um currículo caprichado, hoje em dia tem modelos chiquérrimos e ainda tem o tal do “currículo criativo”, o filé-mignon dos currículos. Ainda não tenho o meu, mas já estou louca para ter. Por enquanto, meu currículo é simplesinho, ainda não é um filé, mas também não é uma carne de pescoço. 

Prepare um e-mail de apresentação, fale de sua formação e experiência e ofereça-se para realizar um teste. A mensagem deve ser formal e concisa, nada de contar a história de seus ancestrais, ou falar de seus hobbies e, obviamente, não pode, de jeito nenhum, em hipótese alguma, conter erros gramaticais. Isso aí, caro colega, é caixão!
 

Envie e-mails para as principais agências de tradução, editoras ou potenciais clientes, mas atenção, envie um e-mail para cada empresa, nada de enviar um e-mail para um balaio de empresas de uma vez, isso não é bem-visto, não é politicamente correto. Além disso, causará a impressão de que está desesperado, a ponto de cortar os pulsos. Procure personalizar o e-mail adicionando uma informão especial para o destinatário em questão. Estabeleça metas de envios diárias ou semanais. 

NÃO SE ESQUEÇA DE ANEXAR O CURRÍCULO! Às vezes, devido à ansiedade enviamos o e-mail sem o anexo e, assim, precisamos reencaminhá-lo pedindo desculpas. Isso causa uma péssima impressão.
Se o cara já se esquece de anexar o currículo em seu e-mail de apresentação, provavelmente se esquecerá de anexar aquela tradução urgentíssima de um contrato urgentérrimo. Caixão! 


Crie um blog, é um ótimo meio de obter visibilidade e de manter-se atualizado. Publique assuntos diversos relacionados à profissão e aos idiomas com que trabalha, não adianta explicar um processo maravilhoso para fritar batatinha em micro-ondas em um blog de tradução. Já sabe, né? Sarcófago…
 

Participe dos grupos de tradutores, compartilhe informações, afinal, como dizia o poeta espanhol Antônio Machado: “em questões de cultura e de saber só se perde o que se guarda e só se ganha o que se dá”, seja generoso, quanto mais compartilhar, mais receberá, pode acreditar.
 

Tenha um cartão de visitas para distribuir em situações oportunas, numa conferência sobre tradução, por exemplo. Um batizado não é uma situação oportuna, a não ser que os pais estejam precisando traduzir a certidão de nascimento da criança. Do contrário: ataúde!
 

Publique anúncios, sempre pode aparecer alguma oportunidade.
 


Use sua criatividade e sua habilidade persuassiva!
 

E se tudo isso não der certo, ainda tem um último recurso para chamar a atenção…



terça-feira, 23 de julho de 2013

Pleonasmo ou Redundância

O que me fez publicar esta entrada foi o termo “fones de ouvido”, já percebeu como é redundante esse termo? Onde mais poderíamos usar os fones senão no ouvido? Pleonasmo total…



No âmbito da literatura, o pleonasmo é uma figura de linguagem que consiste no emprego de palavras desnecessárias que só é válida quando o termo usado tem a função de dar expressividade à oração.

“Sorriu para Holanda um sorriso ainda marcado pelo pavor” (Manuel Bandeira).

“Morrerá morte vil na mão de um forte” (Gonçalves Dias).

“Detalhes tão pequenos de nós dois” (Roberto Carlos).

“Cada qual busca salvar-se a si próprio...” (Alexandre Herculano).

“E rir meu riso.” (Vinícius de Moraes).

Fora do âmbito da literatura, essa repetição inútil torna-se um vício de linguagem, também conhecido como pleonasmo vicioso ou redundância. Ao escrever um texto, evite a redundância, pois ela compromete a qualidade do texto. Algumas redundâncias são óbvias, outras, nem tanto.



Exemplos:

Elo de ligação

Prefeitura municipal

Ambos os dois

Subir para cima

Descer para baixo

Adiar para depois

Monopólio exclusivo

Viúva do falecido

Metades iguais

Amigo pessoal

Ganhar grátis

Estrelas do céu

Surpresa inesperada

Certeza absoluta

Lamber com a língua

Morder com os dentes

Canja de galinha

Novidade inédita

Sorriso nos lábios

Lágrimas nos olhos

Conclusão final

Encarar de frente

Hemorragia de sangue

Conviver junto

Protagonista principal

Há muitos anos “atrás”

Sair para fora

Entrar para dentro

Planejamento antecipado

Fato real (todo fato é real)

Própria autobiografia

Previsão para o futuro





sexta-feira, 19 de julho de 2013

Coordenadas explicativas x Subordinadas causais

Hoje vamos ver mais um caso raro da natureza, uma mosca branca de olhos azuis ou um macaco Cercopiteco Bigodudo, se você preferir. Aliás, macaco tem rabo ou cauda? Tanto faz, são sinônimos.

Bom, para começar podemos perguntar o que é cauda ou rabo?

- É a prolongação da coluna de muitos animais vertebrados.

Ou, por que o macaco tem rabo?

- Provavelmente porque evoluiu para adaptar-se à vida entre as árvores.

Ou, ainda, para quê serve o seu rabo? (o do macaco, por favor!)

- Para se equilibrar e para se pendurar dos galhos das árvores.

Você deve estar se perguntando o porquê dessa história de macaco e de rabo? O intuito é o mesmo de sempre: mostrar que tudo pode ser analisado sob diversos ângulos diferentes e que é dessa forma que devemos analisar a língua e as palavras, a partir de diversas perspectivas: da origem das palavras, de sua classificação, de sua função dentro da frase, do seu sentido, da rede de ideias em que está inserida, etc.

Bom, após essa filosófica introdução, podemos nos concentrar nas diferenças entre a oração coordenada explicativa e a subordinada causal:

Esse bicho deve ser um macaco, porque tem um rabo comprido.

Observe que o fato de o bicho ter um rabo comprido é um indício, uma explicação da sentença anterior. Isto é, nesse caso a conjunção ‘porque’ introduz uma oração explicativa.

Agora, veja esta frase:

Ele tem um rabo comprido porque é um macaco.

Veja que, agora, o fato dele ser um macaco é o motivo para ele ter um rabo comprido. A conjunção ‘porque’ introduz uma oração subordinada causal.



QUADRO COMPARATIVO:



Exemplos de ORAÇÕES COORDENADAS EXPLICATIVAS:

• É perigoso dirigir com chuva, porque a visibilidade fica prejudicada.

• Não fale assim comigo, que eu não sou sua empregada.

• Faça as malas que vamos viajar.

• Espere um tempo, que isso se resolve já.

• Não chegarei a tempo, porque o trânsito está engarrafado.

• Vou embora, pois cansei de esperar.



Exemplos de ORAÇÕES SUBORDINADAS ADVERSATIVAS CAUSAIS:

• A grama secou porque há muito tempo não chove.

Como ninguém passou na prova, o professor resolveu dar mais uma chance.

Já que você não vai, eu também não vou.

• Ele foi internado porque precisa de uma cirurgia.

• Reprovou porque não estudou.



O motor do carro deve estar vazando, pois há óleo no chão da garagem.

Observe que o óleo no chão é um ‘indício’ de que o motor do carro deve estar vazando e não a ‘causa’ disso, há vírgulas entre as sentenças e as orações são independentes ‘O motor do carro deve estar vazando’ e ‘Há óleo no chão da garagem’, portanto a oração em destaque é uma coordenada explicativa.



Há óleo no chão da garagem porque o motor do carro está vazando.

A frase em destaque expressa a ‘causa’ da sentença anterior, não há vírgula entre elas, a segunda sentença é subordinada à primeira e a oração subordinada pode ser colocada no início da frase introduzida pela conjunção ‘como’ (Como o motor do carro está vazando, há óleo no chão), portanto, é uma subordinada causal.

Vamos voltar ao nosso símio?

O macaco deve ter pulgas, porque está se coçando.

O fato dele estar se coçando é um ‘indício’ de que ele tem pulgas, mas também pode ser indício de uma alergia, de um tique nervoso, a oração em destaque oferece uma explicação para a sentença anterior. Há virgula e são orações independentes ‘O macaco deve ter pulgas’ e ‘Está se coçando.’

- E então?

- Elementar meu caro Wattson, é uma oração coordenada explicativa.

O macaco está se coçando porque tem pulgas.

O fato de o macaco ter pulgas é a causa da coceira, não há vírgulas, a oração em destaque é subordinada à primeira e ela pode ser colocada no início da frase introduzida pela conjunção ‘como’ (Como o macaco tem pulgas, ele está se coçando).

- E agora?

- Bingo! Ou, se preferir, Eureka! Ou, ainda, na mosca! A resposta correta é: oração subordinada causal.



Maravilha, é isso aí!

- O macaco se coça por que tem pulgas ou ele tem pulgas porque se coça?

- Se coça porque tem pulgas!

(as pulgas são a causa e a coceira, a consequência)

Agora vale a pena dar uma espiadinha em nosso amiguinho, o Cercopiteco Bigodudo. Ele não é uma graça?

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Paulo Rónai

Paulo Rónai (1907-1992), ensaísta, tradutor, linguista e professor, nasceu em Budapeste, na Hungria. Filho de um livreiro judeu, estudou em Budapest e em Paris. Com 19 anos já havia traduzido poetas latinos para revistas. Em 1929, concluiu o doutorado e começou a publicar textos de crítica literária. Ainda na Hungria, interessou-se pela língua portuguesa, que aprendeu sozinho, e traduziu e publicou uma antologia de poesia brasileira moderna (1939). Diante da dificuldade de encontrar livros de nossos poetas, Rónai escreveu ao jornal Correio da Manhã, comunicando que já havia publicado traduções de poesias brasileiras e pedindo que lhe fossem enviados livros e poemas.No mesmo ano, contando então 27 anos e doutor em filologia e línguas neolatinas, por ter ascendência judaica, foi enviado a um campo de trabalhos forçados, onde permaneceu por seis meses.

Como tais campos ainda não eram campos de concentração, foi concedida uma licença de final de ano aos jovens judeus que ali se encontravam. Rónai aproveitou a oportunidade para conseguir um visto e fugir para o Brasil.

aturalizou-se brasileiro em 1945. Viveu no Rio de Janeiro, onde foi professor de francês e de latim em diversas instituições de ensino. Paralelamente, desenvolveu a carreira como tradutor literário, iniciada em seu país de origem, onde realizou também traduções técnicas. Pioneiro na luta pela profissionalização dos tradutores criou a ABRATES (Associação Brasileira de Tradutores).

No Brasil dedicou-se ao magistério, naturalizou-se em 1945 e ficou até seus últimos dias, em Nova Friburgo, RJ. Conheceu em profundidade nove idiomas, traduziu para o português mais de cem livros, entre eles os 17 volumes da Comédia Humana, de Honoré de Balzac, à que dedicou mais de 15 anos, e a edição brasileira da Divina comédia, de Dante. Outras traduções de destaque foram a Os meninos da rua Paulo (1952), do compatriota Férenc Mólnar, clássico juvenil mais tarde adaptado para o teatro, e para o francês, Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida, Mensagem do Brasil: poetas brasileiros contemporâneos (1939); Mar de histórias: antologia do conto mundial (1945) coleção editada em 10 volumes em parceria com Aurélio Buarque de Holanda; De sua autoria, publicou, entre outras obras, Como aprendi o português e outras aventuras (1956), Escola de tradutores (1976), Não perca o seu latim (1980) e A tradução vivida (1981). Paulo Rónai é lembrado no Brasil como um dos intelectuais mais prestigiados, tendo alcançado renome internacional. Foi agraciado com o Prêmio Nath Horst (1981), o mais importante em tradução, concedido pela Federação Internacional de Tradutores e pela Academia Sueca.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Complemento Nominal X Adjunto Adnominal

De um lado do ringue o Complemento Nominal, pesando 87 quilos, do outro lado, o Adjunto Adnominal, vulgo “chassi de frango”, pesando 50 quilos. Começa a luta, Complemento acerta um gancho de direita, um cruzado de esquerda, um puxão de orelha… Adjunto reage de forma desleal e acerta um chute no saco do Complemento Nominal, que fica roxo de dor…

Que horror… chega de violência, detesto esse negócio de luta (diferente de “artes marciais”) não tem nada a ver, desculpem a franqueza, mas em minha opinião é coisa de troglodita…

O paralelo com a luta foi apenas para ilustrar a encrenca que se forma em nossas cabeças com tanta nomenclatura e classificação que mais confundem que esclarecem. Vou tentar desfazer um pouco essa confusão:

Para começar, a diferenciação entre Complemento Nominal e Adjunto Adnominal só é válida para compreendermos a função das palavras dentro de uma frase, mas todos usam o CN e o AA em seu dia a dia, mesmo sem saber qual é a diferença entre eles.

Para analisar sintaticamente qualquer termo de uma oração, primeiramente devemos verificar o tipo de palavra, ou seja, a sua classe gramatical: se é um substantivo, um verbo, um pronome, um adjetivo, etc. Essa análise já facilita bastante.

Antes de mais nada, vejamos às definições:

Adjunto adnominal é um termo acessório da oração, não é necessário para dar sentido, ele apenas oferece uma informação a mais sobre o nome (substantivo).

Exemplo: As grandes reservas de argila estavam submersas.

Vamos lá, primeiramente, quais são os substantivos?

“reservas” e “argila”, concorda? Para ter certeza, você pode verificar que ambos admitem artigo “as reservas” e “a argila”.

Qual é o substantivo principal? - As reservas - as outras palavras junto ao núcleo “reservas” só estão acrescentando mais informação. “as” indica que reservas é uma palavra feminina e singular, “grandes” acrescenta uma qualidade, e “de argila” acrescenta uma informação, poderiam ser reservas de petróleo, de dólares ou até de pepinos…

Então, todas essas palavras que acrescentam informação ao substantivo e estão junto a ele são “adjuntos adnominais”. ATENÇÃO: elas têm de estar “junto” ao substantivo, se eu dissesse “A reserva de argila é grande”, a palavra “grande”, apesar de acrescentar uma informação ao substantivo não é um adjunto pois há um verbo de ligação “ser” entre elas, nesse caso, grande é um predicativo do sujeito, mas isso é assunto para outra publicação.

Continuando… já o Complemento Nominal é um termo integrante da oração, pois completa o sentido do nome.

Exemplo: O respeito aos pais é louvável.

Nessa frase os substantivos são “respeito” e “pais”, este último está completando o sentido do primeiro.

Vejamos as principais diferenças entre Adjunto Adnominal e Complemento Nominal:



Vamos partir para a prática (calma, longe do ringue!).

Dica: verifique se o substantivo secundário recebe ou pratica a ação expressa pelo substantivo principal a que se liga (voltando à analogia com a luta, verifique se ele está batendo ou se está apanhando...)

A visita do médico foi celebrada por todos.

Substantivos: visita e médico – visita é o substantivo principal e médico está acrescentado uma informação, poderia ser a visita do dentista, do professor, ou do papa.

O médico recebe ou pratica a ação? – pratica, pois é ele que visita, é o agente da ação expressa pelo substantivo visita.

Além disso, médico é substantivo, adjetivo ou advérbio? - é um substantivo concreto.

Indica posse? – não.

Conclusão: é um adjunto adnominal.

A visita ao médico foi um desastre.

Substantivos: visita e médico – médico está completando o sentido do substantivo visita.

O médico recebe ou pratica a ação? = recebe, pois é ele que é visitado, é o paciente da ação expressa pelo substantivo a que se liga. (o médico nesse caso é o paciente, - contraditório? - não, não tem nada de contraditório aí).

É iniciado por preposição? - é. (a + o = ao)

Indica posse? – não.

Conclusão: é um complemento nominal.



Visitei o médico esta semana.

Substantivos: médico

Função sintática: objeto direto.

Observe que agora a palavra médico não está completando o sentido de um substantivo “visita”, mas de um verbo “visitar - visitei”, que não exige preposição, portanto é um objeto direto.

Este exemplo serve para compreendermos a função da palavra dentro da oração que é o mais importante como disse no início do texto. Quando falamos de função, nos referimos à Análise Sintática, quando falamos de classe gramatical, nos referimos à Análise Morfológica. Isto é, a palavra médico, na frase anterior pertence à classe gramatical “substantivo” e exerce a função de “objeto direto” porque completa o sentido de um verbo “visitar”.

Por hoje é só, amiguinhos!

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Santo do pau oco

Você sabe a origem da expressão “santo do pau oco”? (Lembrando que agora, segundo o Novo Acordo Ortográfico, escreve-se sem hífen).

Acredita-se que essa expressão tenha surgido em Minas Gerais, entre o final do século XVII e o início do século XVIII, no período colonial, no auge da mineração no país. Para driblar a cobrança do "quinto", o imposto de 20% que a Coroa Portuguesa cobrava de todos os metais preciosos garimpados no Brasil, santos em madeira oca eram esculpidos e, posteriormente, recheados de ouro em pó.

Outra explicação sobre o surgimento dessa expressão é a do folclorista Luiz Câmara Cascudo em seu Dicionário do Folclore Brasileiro, que diz que as imagens de santos vinham de Portugal recheadas de dinheiro falso. De qualquer forma, a expressão é usada para designar uma pessoa fingida, hipócrita, dissimulada que aparenta ser uma coisa, mas na verdade é outra, ou seja, que finge devoções, virtudes e escrúpulos que na verdade não tem.

Que eu saiba não existe uma expressão popular semelhante à nossa em espanhol, mas existem umas quantas palavras para denominar esse tipo de pessoa: hipócrita, disimulado, beato, santurrón, mojigato, gazmoño, meapilas, puritano, santón, fariseo.

Vejamos o significado em espanhol de outras expressões populares com a palavra “pau” em português.

a dar com um pau: en gran cantidad. Figurativo: a patadas, para parar un tren.

baixar o pau em: pegarle a alguien. Figurativo: moler a palos.

cara de pau: caradura, sinvergüenza, jeta, atrevido.

chutar o pau da barraca: armar un jaleo, un escándalo. Figurativo: montar un pollo.

em casa de ferreiro, espeto de pau: en casa de herrero, cuchillo de palo.

levar pau: suspender un examen.

levar um pau: recibir una paliza.

matar a pau: hacer algo bien. Figurativo: dar en el clavo.

meter o pau em: hablar mal de alguien, criticar. Figurativo: despotricar de alguien.

matar a cobra e mostrar o pau: explicar cómo se hace algo.

mostrar com quantos paus se faz uma canoa: figurativo: dar una lección.

nem a pau: figurativo: ni pensar, de ninguna manera.

pau a pau: en igualdad de condiciones. Figurativo: pata a pata.

pau d'água: borracho.

pau velho: coche viejo.

pau que nasce torto tarde ou nunca se endireita: palo que nace torcido tarde o nunca se endereza. De pequeñito se tuerce el pepino. Significa que no se debe esperar que la gente mejore con el tiempo.

quebrar o pau: Provocar una situación de la que puede resultar pendencia. Figurativo: meter el palo en candela.

ser pau para toda obra: Figurativo: servir lo mismo para un roto que para un descosido.

ser um perna de pau: alguien que juega muy mal al fútbol, sin habilidad.

ser um pau-mandado: persona que obedece a todo incondicionalmente, sin protestar.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Franz Kafka

Hoje, 3 de julho de 2013, celebram-se 130 anos do nascimento de Franz Kafka, um dos escritores mais brilhantes e autênticos que já existiu e um dos meus favoritos, também.

Quem já não ouviu falar do homem que se transformou em inseto? A Metamorfose é um marco da literatura ocidental - a história do caixeiro viajante Gregor Samsa que da noite para o dia se transforma num horrível inseto.

"Quando Gregor Samsa despertou, certa manhã, de um sonho agitado viu que se transformara, durante o sono, numa espécie monstruosa de inseto."



Você consegue imaginar qual seria a sensação de, ao acordar, não conseguir equilibrar o próprio corpo coberto por uma carapaça dura feito metal, seu ventre dividido em duros segmentos arqueados, e inúmeras pernas miseravelmente finas, agitando-se desesperadamente diante de seus olhos? Angustiante?

A metamorfose de Gregor vai além da modificação física. Trata-se principalmente de uma alteração de comportamentos, atitudes, sentimentos e opiniões. Outra metamorfose ocorre no seio familiar. Até então, Gregor era o responsável pelo sustento da família e a partir de sua transformação, o pai e a irmã se vêm obrigados a trabalhar, e a família passa a alugar quartos na própria casa. Com sua escrita singular, Kafka retrata o desespero do homem perante o absurdo do mundo.

Franz Kafka (1883-1924) nasceu em Praga, na época do Império austro-húngaro, atual República Tcheca, no dia 3 de julho de 1883. Cresceu sob a influência das culturas judia, tcheca, e alemã.

Notabilizou-se com uma obra realista, à frente do seu tempo, seus trabalhos mais conhecidos são ‘A Metamorfose’, ‘Um Artista da Fome’ e os romances ‘O Processo’, ‘América’ e ‘O Castelo’.

Trabalhou numa companhia de seguros e dedicou-se à literatura. Foi influenciado pela severidade do pai, tornou-se isolado e rebelde. Fez parte da chamada Escola de Praga. Participou de reuniões com grupos anarquistas. Escreveu em alemão toda a sua obra, a maior parte foi publicada postumamente. Em seus livros, é constante o confronto entre os personagens e o poder das instituições, demonstrando a impotência e a fragilidade do ser humano, como na obra "O Processo", de 1925, cujo personagem principal é preso, julgado e executado por um crime que desconhece.

O mundo kafkiano retrata a ansiedade e a alienação do homem do século XX, um prognóstico do horror que estaria por vir com a Segunda Guerra Mundial, em que as próprias irmãs de Kafka perderiam a vida em campos de extermínio.

Seu estilo é marcado pelo realismo, pela crueza e pelo detalhamento com que descreve situações incomuns. A obra de Kafka continua atual porque fala dos conflitos inerentes ao homem: o absurdo, a solidão, a paranoia e a angústia existencial.

Franz Kafka morreu no dia 3 de junho de 1924, na Áustria. A causa oficial da morte foi insuficiência cardíaca, mas o escritor sofria de tuberculose desde 1917.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

San Juan Ára

A festa junina San Juan Ára no Paraguay é uma das maiores celebrações nacionais, é uma festa que mistura tradições religiosas e pagãs. As celebrações começam a partir do dia 23 de Junho, véspera do dia de San Juan Bautista. É uma festa tradicional muito prestigiada pela comunidade, em que as pessoas se reúnem para participar de brincadeiras, apreciar comidas típicas e dançar.

Eu morei no Paraguay dos 5 aos 8 anos de idade e lembro bem a ansiedade com que aguardávamos a chegada das festas de São João, eram muito divertidas e diferentes.

A Fiesta de San Juan foi trazida da España e adquiriu características bem particulares, o fogo é uma das principais atrações da festa. A maioria das brincadeiras têm nomes guaranis, a mais perigosa é a “pelota tatá” que consiste em uma bola de pano embebida em querosene ou gasolina. A bola é acessa e se transforma em uma bola de fogo que a multidão chuta para afastar. O “tatá ári jehasa” ou “tatá py-ï ari yejhasa” também é uma brincadeira perigosa: consiste caminhar sobre as brasas com os pés descalços. É uma questão de fé e normalmente os participantes não sofrem queimaduras.

Uma brincadeira que inspirava verdadeiro pavor na criançada era o “toro candil” (aliás, no Paraguay as crianças são chamadas de “criaturas”. Em português soa engraçado, não?). Nessa brincadeira alguém vestia uma cabeça de touro com os chifres em chama e corria entre a multidão.



O “yvyra syî” é o que no Brasil chamamos de pau de sebo, que consiste em subir um poste ensebado para pegar o prêmio que está amarrado na ponta. O “casamiento koyguá” é o nosso casamento caipira. O “kambuchi jejoká” é uma “pinhata” ou “pichorra” feita com um vaso de cerâmica que o participante deve quebrar com ajuda de um pau e com os olhos vendados. “Paila jeheréi” consiste em tentar retirar com a boca uma moeda grudada a uma frigideira caramelizada. A festividade acaba com a queima do "judaskai", um boneco de tamanho real recheado de explosivos e fogos artificiais. Apesar de a maioria das brincadeiras serem “politicamente incorretas” por envolver fogo, era divertido pra dedéu! Claro que depois é bom falar para as crianças que essas brincadeiras não podem ser feitas sem a supervisão de um adulto e blá, blá, blá…

Outra brincadeira típica é a "carrera vosa", nossa “corrida do saco”.

Quanto às comidas típicas da festa, podemos citar o "mbeju", uma espécie de tapioca de queijo e amido de mandioca, "pastel mandi'o", um pastel feito com uma mistura de massa de mandioca, além das deliciosas "chipas”, comida típica paraguaia feita à base de amido de mandioca e queijo.

A festa de San Juan também representa a oportunidade de as mulheres arrumarem marido. Para isso, há uma série de simpatias, entre elas a de enterrar uma faca numa bananeira à meia-noite do dia 23, ao dia seguinte a faca é retira e nela deve aparecer a letra inicial do futuro marido; a de pingar cera de vela num recipiente com água ao meio-dia do dia 24, também será revelada a inicial do futuro esposo; a prova do galo, que consiste em cobrir os olhos e ficar fechada num lugar oculto por um tempo, depois se reúne com as amigas e todas devem segurar milho nas mãos, a seguir deve-se soltar um galo no meio delas e aquela de cuja mão o galo comer o milho é quem vai casar primeiro. Também tem a simpatia de jogar tinta numa folha, dobrar e colocar embaixo da almofada antes de dormir na noite do dia 23, no dia seguinte deve-se procurar alguém que saiba decifrar os desenhos, geralmente as avós.

Isso que é festa de verdade, diversão garantida!