quarta-feira, 23 de setembro de 2015

(n.t.) Revista Literária em Tradução

Para aqueles que gostam de literatura e de tradução, hoje estou aqui para recomendar uma revista eletrônica de excelente qualidade. A (n.t.) é uma revista digital semestral destinada à publicação de textos literários traduzidos para o português, de divulgação internacional e dirigida aos países de língua lusófona. A atenção do projeto se volta, especialmente, àquelas línguas e autores de pouca visibilidade no sistema literário de traduções no país, e também, a textos pouco conhecidos ou inéditos de autores clássicos. 

A revista e um suplemento de arte, ambos em pdf, estão disponíveis na página http://www.notadotradutor.com/revista.html. Você pode baixá-la da nuvem via Dropbox, ela também é publicada nos sites interativos Camaleó - França (http://pt.calameo.com/e Scribb -EUA (https://pt.scribd.com).

A edição atual é a número 10, de junho de 2015, realizada em Florianópolis. 

No número atual, vale a pena conferir a tradução de dois ensaios de escritores que falam sobre a tradução e o ofício do tradutor: o artigo do escritor colombiano Gabriel García Marquez "Los pobres traductores buenos", publicado em 21 de julho de 1982 no jornal espanhol El País e zelosamente traduzido pelos editores da revista (n.t),  Miguel Sulis e Gleiton Lentz.. Nesse artigo, o escritor registra suas impressões sobre o ofício do tradutor, enaltecendo a contribuição dos grandes tradutores. No final do artigo ele satiriza uma tradução sua ao português do Brasil, especialmente uma nota de tradução, confirmando a aversão que muitos sentem por este tipo de recurso. Futuramente pretendo falar sobre as notas do tradutor aqui no blog. 

O outro artigo é o do escritor italiano Ítalo Calvino "Tradurre è il vero modo di leggere un testo" (Traduzir é o verdadeiro modo de ler um texto), traduzido por Davi Pessoa Carneiro. Ítalo Calvino apresentou o texto no Congresso sobre Tradução, ocorrido em Roma, em 4 de junho de 1982. O ensaio foi publicado posteriormente em "Bolletino di informacioni" (Revista quadrimestral da Comissão Nacional Italiana para a Unesco,XXXII, Nova série, n. 3, setembro-dezembro de 1985, p.59-63). 

É interessante cotejar a opinião dos dois escritores sobre o papel do tradutor, García Márquez defende uma postura mais serviçal ao afirmar que "El traductor es el mono del novelista", parafraseando Mauriac, o tradutor deve fazer os mesmos gestos e assumir as mesmas posturas do escritor, goste ele ou não; enquanto Calvino defende uma atitude mais criativa ao afirmar que, ao contrário da opinião corrente de que se exporta melhor um escritor que escreve num tom neutro, essa é uma ideia superficial, porque uma escritura cinza só pode ter um valor se o sentido acinzentado que transmite tem um valor poético, isto é, se é criação de um acinzentado muito pessoal, de outra forma ninguém sentirá vontade de lê-la. 

Também merecem destaque as belíssimas ilustrações da artista plástica Aline Daka, que também contribui na seção Quadrinhos. A revista é primorosamente ilustrada com fotos, óleos e aquarelas de diversos artistas. A capa desta edição, bem como o editorial são dedicados a um dos achados mais conhecidos da história das antigas inscrições, a emblemática Pedra de Roseta.

Vale a pena conferir!

(n.t) Revista Literária em Tradução



terça-feira, 22 de setembro de 2015

Desabafo = desahogo

Fica aí o desabafo em forma de tradução...  desculpem o assunto indigesto.


Toma lá, dá cá = toma y daca
Esquema do mensalão = trama del “mensalão” (escândalo de las mensualidades)
Dólares na cueca = dólares en los calzoncillos
Ex-tesoureiro = extesorero
Lavagem de dinheiro = lavado de dinero, blanqueo de dinero
Corrupção passiva = corrupción pasiva
Suborno = soborno
Doleiro = cambista
Lobista = cabildero
Lobismo = cabildeo
Associação criminosa = asociación para delinquir
Crimes de peculato = delitos de malversación
Contratos fraudulentos = contratos amañados
Empreiteira = contratista
Contrato superfaturado = contrato inflado
Desaceleração econômica = frenazo económico
Procuradoria = fiscalía
Procurador geral = fiscal general 
Operação Lava-jato = operación "Lava-jato" (lavacoches)
Delação premiada = delación premiada
Esquema de corrupção = trama de corrupción
Depoimento = testimonio
Prisão domiciliária = arresto domiciliario
Envolvidos = involucrados, implicados

E para terminar, as manchetes mais recentes:

Chacina = masacre, matanza

Arrastão = robos massivos

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

"80 quilômetros submarinos" ¹ ou "233 graus Celsius"

Você já leu "80 quilômetros submarinos" ¹ ou "233 graus Celsius"? Não? Nunca ouviu falar?

E quanto a “20 mil léguas submarinas” ou “Fahrenheit 451”?

Ahhhhhhh... agora sim!

É claro que o título desta publicação foi apenas uma estratégia para chamar a atenção para um assunto que desperta muitas dúvidas entre os tradutores: a conversão de unidades de medida.


Recentemente li um artigo de um tradutor técnico que relatava sua experiência ao trabalhar em um projeto volumoso de tradução sobre perfuradoras de uma instalação petrolífera. Ele contou que decidiu converter as unidades de medidas e que depois precisou desfazer a conversão a pedido do cliente. O que, na opinião dele, revelou a desconfiança do cliente sobre a capacidade de o tradutor realizar esse tipo de trabalho.

É verdade que qualquer conversão ou cálculo sempre correrá o risco das consequências de um erro humano, como dizia nosso otimista Murphy: “Se este homem tem algum modo de cometer um erro, ele o fará”. Também é verdade que um erro humano na conversão de medidas pode ter consequências graves, causando prejuízos financeiros ou, até mesmo, colocando em risco a vida de pessoas. 

A questão básica ao deparar com medidas ou moedas em um texto é: quando devemos convertê-las?

Em textos literários, normalmente não se convertem medidas ou moedas, primeiro porque sua conversão é irrelevante para o enredo em si e, segundo, para não descaracterizar a cor local da obra, isto é, para não domesticar a obra estrangeira, eliminando suas peculiaridades culturais. A título de curiosidade, o tradutor poderá adicionar uma nota. Mas as notas são outra questão controversa, há quem goste e há quem não goste, como tudo nesta vida.

No romance “Senhora”, de José de Alencar, por exemplo, Aurélia oferece um dote de cem contos de réis para se casar com Fernando. O leitor não precisa se preocupar com a cotação do euro, dólar, ou coisa que o valha, nem a quanto corresponderia esse valor em nossa moeda atual, porque essa informação só é relevante ao próprio Fernando.

Mas também é verdade que há leitores muito curiosos como esta que aqui escreve, que adoram escrutinar os mínimos detalhes, por isso, se você quiser saber a quantos reais equivaleriam 100 contos de réis, basta fazer uma conta bem simplesinha: transforme os réis em mil-réis, depois em cruzeiros, em cruzeiros novos, em cruzados, em cruzados novos,  em cruzeiro real e, por último em reais, depois aplique o índice de reajuste da inflação e os juros da poupança e... prontinho!

Em se tratando de conversão de medidas,  a dúvida mais corrente é quanto aos textos técnicos ou comerciais. Aí não adianta “poner la carreta delante de los bueyes” (sim, neste caso a tradução do refrão é literal), o recomendável é consultar o cliente para não perder tempo com retrabalho. Há trabalhos que requerem a conversão e outros que não a requerem, isso dependerá da relevância que as medidas tenham para o documento e para o público alvo.

Se o cliente exigir a conversão das medidas, é importante saber que, basicamente, encontramos dois sistemas de medidas: o sistema imperial ou britânico de unidades (pés, polegadas, etc.) e o sistema internacional de unidades (centímetros e milímetros, respectivamente).

A opção mais rudimentar para converter unidades é mediante uma calculadora, evidentemente isso toma muito tempo e aumenta a probabilidade de erros. A opção mais recomendada é realizar a conversão através de uma página web como Convert World  ou mediante um software tal como Converber.

Se ainda assim você se sentir inseguro para converter unidades, seja franco com o cliente, pois mesmo com as ferramentas de conversão automática disponíveis na rede, ainda é possível encontrar erros grosseiros como o que aconteceu recentemente no “Caso Adele”, quando alguns jornais renomados noticiaram que a cantora britânica teria emagrecido 68 quilos quando, na verdade, ela emagreceu 68 libras, o que corresponde a 30 quilos.

N.T
(1) Cabe aqui um exemplo de erro: depois de publicar o artigo, descobri que a légua não tem uma medida fixa, esta varia de acordo com a época, país ou região. A do livro de Julio Verne equivale a 4 km e é dada explicitamente em uma parte do livro (lieues de quatre kilomètres) e confirmada por várias distâncias que são dadas em ambas as léguas e milhas (milles). Estas são milhas náuticas, que por sua vez é confirmada por uma passagem dando o total de área da superfície da Terra como sendo de 37,657,000 "milhas" quadradas ou 129,160,000 km². Isto só confirma o fato de que converter medidas não é uma coisa simples.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Análise contrastiva do uso dos verbos em português e espanhol

Apesar da semelhança entre as duas línguas, o uso dos verbos apresenta características peculiares a cada uma delas. Vejamos as principais:

PRETÉRITO PERFEITO SIMPLES x PRETÉRITO PERFEITO COMPOSTO

Em português, usa-se sempre o pretérito perfeito simples para indicar uma ação acabada “eu comi”, enquanto em espanhol, especialmente na variante peninsular, prefere-se o uso do pretérito perfeito compostohe comido”, que indica um fato recente, mas já concluído.


Por outro lado, em português, a forma composta indica um processo que teve início no passado e que pode se prolongar até o momento atual “Tenho estudado muito para os exames”, “Nos últimos meses, temos consumido muita energia elétrica”. Outra diferença é que enquanto no espanhol se usa o verbo auxiliar “haber”, em português, usamos o auxiliar “ter”.


IMPERFEITO DO SUBJUNTIVO

O espanhol tem duas formas de imperfeito do subjuntivo “si yo comiera” ou “si yo comiese”, ambas são válidas e comumente usadas. Em português, temos apenas uma forma “se eu comesse”.

Os aprendizes de espanhol lusofalantes costumam confundir a forma do imperfeito do subjuntivo em espanhol terminada em “ra” (si yo comiera) com a forma em desuso do pretérito mais-que-perfeito do português, que serve para expressar um fato ocorrido antes de outro fato já terminado, “Ele já estudara as lições quando os amigos chegaram”.

MODO IMPERATIVO

Os lusofalantes costumam ter dificuldades para usar corretamente o modo imperativo em espanhol, pois em português esse modo é pouco utilizado por ser considerado pouco cortês. Outra dificuldade é a confusão entre as segundas pessoas e as terceiras, já que, em português, o pronome informal de tratamento de segunda pessoa “você” (pessoa com que se fala) concorda com o verbo em terceira pessoa (pessoa de quem se fala).

Exemplos:

Abra a porta, feche as janelas e arrume a mesa = Abre la puerta, cierra las ventanas y pon la mesa.

Outra dificuldade consiste na união dos pronomes oblíquos à forma imperativa. 

Em espanhol, admite-se a união do pronome direto e do pronome indireto à forma do imperativo afirmativo.

Ponte las zapatillas = Póntelas
Quítate los sapatos = Quítatelos

a) Quando um verbo leva dois pronomes: Objeto Indireto + Objeto Direto; nesse caso primeiro vai o pronome Objeto Indireto, logo depois o Objeto Direto: Coge el abrigo y póntelo, por favor.

c) Se o objeto indireto é de 3ª pessoa, "le" e "les" são substituídos por "se". 

Exemplos:
¿Le doy la leche a la niña? Sí, dásela, por favor.
Les llevo estos dulces a mis abuelos, ¿vale? Sí, claro, llévaselos.

Por sua vez, o imperativo negativo não permite a união dos pronomes ao verbo, por tanto, as formas sublinhadas nas frases acima ficariam assim:
No se la des.
No se los lleves.

Esse assunto é complexo e merece uma publicação à parte. Aqui apresentamos somente uma pequena comparação do uso nas duas línguas.

INIFINITIVO IMPERSONAL x INFINITIVO FLEXIONADO

Em espanhol, usa-se apenas a forma invariável do infinitivo, isto é, a forma impessoal. Em português, temos também a forma flexionada ou pessoal do infinitivo, o que, aliás, é um "idiotismo". Muita calma nessa hora... idiotismo não tem nada que ver com o adjetivo pejorativo "idiota", a palavra idiotismo designa um aspecto peculiar de uma língua, ou seja, o infinitivo flexionado é um uso peculiar da língua portuguesa.

Exemplos:

O professou pediu para lermos o texto em voz baixa. = El profesor nos pidió que leamos el texto en voz baja.
Para alcançarmos o sucesso, é necessário muito esforço = Para que alcancemos el éxito, es necesario mucho esfuerzo / Para que logremos el éxito, debemos esforzarnos mucho.
O vizinho pediu para eu regar suas plantas = El vecino me pidió que le riegue las plantas.

O infinitivo flexionado é um dos assuntos mais espinhosos da língua portuguesa e merece vários artigos. Para saber como traduzir o infinitivo flexionado clique aqui

PERÍFRASE VERBAL COM O VERBO IR + INFINITIVO

Diferentemente do português, em espanhol a perífrase do verbo ir + infinitivo exige a preposição "a" entre os dois verbos. Tanto no passado, quanto no futuro.

Exemplos:

Vamos estudar a lição = Vamos a estudiar la lección.
Na quarta-feira vamos ao cinema = El miércoles vamos al [a+el] cine.
Este ano vou comprar um carro novo = Este año voy a comprarme un coche nuevo.
Vamos pedir uma pizza? = ¿Vamos a pedir una pizza?

Hoje de manhã fomos passear no centro histórico = Esta mañana hemos ido a pasear en el centro histórico.
No ano passado fomos estudar em Londres = El año pasado fuimos a estudiar a Londres.
Na semana passada ele foi visitar a exposição = La semana pasada él fue a visitar la exposición.


VERBOS PRONOMINAIS E REFLEXIVOS

Em espanhol, os verbos pronominais e reflexivos são muito mais numerosos que em português.

Vejamos alguns verbos pronominais em espanhol: enfadarse (yo me enfado), reirse (nosotros nos reímos), pelearse (ellas se pelean con los vecinos), gustar (me gusta dibujar), quedarse (ella se quedó callada), marcharse (nos marchamos de aqui).

Agora, alguns exemplos de verbos reflexivos: lavarse (él se lava las manos), peinarse (vosotros os peináis), cepillarse los dientes (¡venga, cepíllate los dientes de una vez!), ducharse (ella se está duchando, ella está duchándose), quejarse (¡dejad de quejaros!), arrepentirse (ellos se arrepintieron), etc.

Tanto os verbos pronominais quanto os reflexivos exigem pronome, a diferença consiste em que os verbos reflexivos servem para expressar uma ação que recai sobre o sujeito que a pratica. Ou seja, todos os verbos reflexivos são pronominais, porque requerem pronome, mas nem todos os pronominais são reflexivos.

Alguns verbos mudam de significado quando acompanhados de pronome:

Acordarse = lembrar (No me acuerdo de su nombre) / Acordar = chegar a um acordo (Los diplomáticos acordaron un nuevo tratado de libre comercio).
Echarse = descansar (Juan se echó en el sofá a dormir una siesta) / Echar = demitir,  (Este mes echaron a dos empleados  de la oficina), jogar (Por favor, echa la basura a la calle).
Irse = abandonar um lugar (Me voy a casa, hasta mañana) / Ir = dirigir-se a um lugar (Vamos al cine esta noche).
Arreglarse = ficar elegante (Las chicas se arreglaron para el baile) / Arreglar = reparar alguma coisa (El técnico arregló la computadora).

Os “verbos de cambio” também são pronominais: hacerse, quedarse, volverse, ponerse, convertirse (Los hinchas del Real Madrid se pusieron muy contentos con el resultado del partido). Para saber mais sobre o emprego dos verbos de cambio em espanhol, clique aqui




FUTURO DO SUBJUNTIVO

O futuro de subjuntivo, vigente em português, está em desuso em espanhol, que em seu lugar usa o presente do indicativo ou o presente de subjuntivo. Atualmente, em espanhol, o futuro do subjuntivo só aparece em textos literários antigos ou em textos legais.

Exemplos:

Quando chegar ao shopping, ligue para mim. = Cuando llegues al centro comercial, llámame.
Se tiver tempo, venha me ver = Si tienes tiempo, ven a verme.

Para saber mais detalhes sobre o uso e tradução do futuro do subjuntivo, clique aqui

DIFERENÇAS DE USO DOS VERBOS DE LIGAÇÃO SER E ESTAR

Enquanto algumas línguas como o inglês (to be) e o alemão (sein) têm um único verbo para expressar os verbos de ligação ser e estar; em espanhol, assim como em português, temos dois verbos: o verbo ser, usado para definir uma característica permanente “Él es vigilante” e o verbo estar, usado para indicar estados temporários “Él está de vigilante”, ou seja, é um trabalho temporário.

Enquanto em português usamos o verbo estar para indicar algumas sensações e estados corporais, em espanhol usamos o verbo tener.

Estou com fome = tengo hambre
Estou com sede = tengo sed
Estou com frio = tengo frío
Estou com calor = tengo calor
Estou com febre = tengo fiebre
Estou com sono = tengo sueño

Enquanto os lusofalantes pensam no casamento como algo permanente “Ele é casado”, os hispanofalantes pensam nisso como uma condição temporária “Él está casado”. É claro que estou brincando, mas não deixa de ser curioso, não?

Outros usos diferentes:

É proibido fumar = Está prohibido fumar.
A minha casa é muito longe. = Mi casa está muy lejos.

Em espanhol, adjetivos mudam totalmente seu significado, na medida que fosse utilizado com SER ou ESTAR.

ser listo (inteligente) / estar listo (estar pronto).
ser católico (na religião) / estar católico (estar bem de saúde).
ser malo (personalidade) / estar malo (estar doente).
ser vivo (ser experto) / estar vivo (estar com vida).
ser rico (ter muito dinheiro) / estar rico (alimento saboroso).
ser bueno (personalidade) / estar bueno (de saúde, aparência, ou comida).

VOZ ATIVA x VOZ PASSIVA

Em espanhol, ao contrário do português, é mais habitual o uso da voz ativa; e quando se usa a voz passiva, prefere-se a forma sintética (se usa, se conoce, se encontraron, etc.) à forma analítica, habitual em português (é usado, é conhecido, foram encontrados, etc).

Vejamos alguns exemplos:
A cachaça é obtida a partir da cana-de-açúcar = La «cachaça» se obtiene a partir de la caña de azúcar.
Maracanaço é o nome pelo qual é conhecida a vitória da seleção de futebol do Uruguai = «Maracanaço» es el nombre con el que se conoce a la victoria de la selección de fútbol de Uruguay.

Para saber mais sobre o uso da voz passiva em espanhol, clique aqui.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Revelado o nome do artista que gravou o audiolivro do Dom Quixoje!

Bom dia, queridos leitores!

Que surpresa agradável, logo pela manhã, ao abrir minha caixa de e-mails, vi um e-mail com o título: Gracias! 

Quase o excluí, pois achei que se tratasse de um spam, mas felizmente algo me fez abri-lo e, para minha surpresa, era o intérprete do audiolivro do Dom Quixote, trabalho mangífico que divulguei ontem aqui no blog, sob o título Audiolivro em espanhol da obra "Dom Quixote de la Mancha".

O nome de nosso querido artista é Jesús Brotons Floría e ele também ficou muito contente com meus comentários, em suas palavras "Los elogios no son muy frecuentes en este tipo de trabajos". 

Propus a ele uma entrevista para o blog, vamos torcer para que ele aceite. Adoraria saber mais detalhes sobre esse trabalho fascinante.

Que bom que a Estudios Roma repassou meu e-mail para Jesús, fica aqui o agradecimento!

Promessa é dívida, menos mal que neste caso foi possível cumpri-la.

Torçamos pela entrevista... ¡y gracias a ti, Jesús!

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Audiolivro em espanhol da obra "Dom Quixote de la Mancha"

Queridos leitores! Quanto tempo! Peço desculpas pelo longo período sem publicar, não foi falta de vontade, foi falta de tempo mesmo. 
É um imenso prazer poder voltar à ativa. Para mim, escrever no blog é uma forma de recarregar as energias, é uma válvula de escape e uma grande satisfação.

Para retornar à atividade, escolhi falar de algo que estava há tempo em minha fila de assuntos: o audiolivro da obra Don Quixote, em espanhol. Uma excelente dica para todos os amantes da língua espanhola e da literatura.

O governo aragonês realizou, no final de 2005, em comemoração ao quarto centenário da obra "Don Quijote de la Mancha" de Miguel de Cervantes Saavedra, o louvável projeto de distribui-la grátis e em formato MP3. Tanto a locução como a gravação foram realizados pela empresa aragonesa Estudios Roma.

Os 127 arquivos em formato MP3 correspondem aos capítulos da primeira e da segunda parte do Quixote. É possível baixar gratuitamente os arquivos a partir do portal do Departamento de Educação Aragonês www.educaragon.org

Para ouvir a obra de Cervantes completa é necessário empregar aproximadamente 36 horas.

A obra se divide em duas partes: a primeira parte (52 Capítulos) e a segunda parte (74 Capítulos).

"A oralidade é um componente essencial da estrutura narrativa do Quixote", explica José Manuel Blecua, comissário do IV Centenário do Quixote. Em opinião do catedrático de Literatura Espanhola, "no final de 2005, as tecnologias digitais não podiam estar ausentes da comemoração; já contávamos com umas versões magníficas do texto em várias edições às quais se podia acessar livremente na Rede, faltava acessar à palavra falada com todas sus inflexões, com sus entonações, com a vida da voz, enfim" (tradução a partir do artigo publicado on-line pelo jornal El País, em 29 de dezembro de 2005. Leia o artigo na íntegra). 

Em minha opinião, o jornal foi infeliz ao escolher como título do artigo “Aragón distribuye el 'Quijote' leído en MP3 para escolares, pois esse trabalho é muito mais que uma mera leitura em voz alta, é uma interpretação repleta de emoção feita por um artista.

Infelizmente não se faz menção ao artista que realizou o trabalho hercúleo de interpretar diversos personagens em mais de 36 horas de gravação. Haja fôlego! Entrei em contato com o estúdio e, caso me respondam, prometo que divulgarei seu nome aqui neste artigo, nada mais justo.

Don Quijote, pintura surrealista de Salvador Dali

Quando eu estava cursando a faculdade de Letras em Língua Espanhola, tínhamos uma disciplina voltada exclusivamente para o estudo do Quixote e foi então que “descobri” essa joia ao navegar pela Internet. A leitura desta obra icônica da literatura universal é fundamental, mas também o é esta abordagem diferente, como eu disse, não se trata de uma simples leitura, é uma interpretação envolvente repleta de emoção e paixão. O Quixote é uma obra extremamente dialógica, por isso, a oralidade permite outra perspectiva, outra aproximação à obra. Quantas vezes precisei conter o riso enquanto eu ouvia os áudios no trabalho? É uma viagem, uma viagem sensorial repleta de aventuras, situações hilárias, trágicas, emocionantes.

Àqueles que decidirem embarcar nessa aventura, uma ótima viagem!