quarta-feira, 7 de maio de 2014

Como eliminar a ambiguidade do texto?




O bom texto deve ser inteligível, isto é, claro e de fácil compreensão, não deve dar margem a várias interpretações. O objetivo de toda comunicação é fazer com que a mensagem chegue ao locutor de forma clara e precisa, sem ruídos.  
A má interpretação da mensagem é sinal de que o texto não foi bem construído. Uma das causas das falhas de comunicação é a ambiguidade ou anfibologia, que consiste na possibilidade de a mensagem ter mais de uma interpretação.

Vejamos aqui as principais causas da ambiguidade num texto:


Má colocação do adjunto adverbial

1) Pessoas que praticam exercício frequentemente são mais saudáveis.

A posição do adjunto adverbial “frequentemente” não permite saber, com certeza, se as pessoas (a)“praticam exercícios frequentemente” ou se (b)“frequentemente são mais saudáveis”.
Para eliminar a ambiguidade, devemos escolher uma opção.

Se a opção escolhida for (a), a frase poderá ter a seguinte estrutura:
Pessoas que praticam frequentemente exercício são mais saudáveis.
Pessoas que frequentemente praticam exercício são mais saudáveis.

Se a opção escolhida for (b), deverá ter a seguinte estrutura:
Pessoas que praticam exercícios são frequentemente mais saudáveis.


2) Pessoas que consomem drogas casualmente arriscam a vida.

A posição em que se encontra o adjunto adverbial “casualmente” não permite saber, com precisão, se as pessoas (a)“consomem droga casualmente” ou se (b)“casualmente arriscam a vida”.
Para eliminar a ambiguidade, devemos escolher uma opção.

Se a opção escolhida for (a), a frase poderá ter a seguinte estrutura:
Pessoas que casualmente consomem drogas arriscam a vida.
Pessoas que consomem casualmente drogas arriscam a vida.

Se a opção escolhida for (b), deverá ter a seguinte estrutura:
Pessoas que consomem drogas arriscam casualmente a vida.

3) O professor falou com o aluno parado na sala.

A posição em que se encontra o adjunto adverbial “parado na sala” não permite saber, com precisão, a quem se refere, se (a) ao professor, ou  (b) ao aluno.
Para eliminar a ambiguidade, devemos escolher uma opção.

Se a opção escolhida for (a), a frase poderá ter a seguinte estrutura:
Parado na sala, o professor falou com o aluno.
O professor, parado na sala, falou com o aluno.

Se a opção escolhida for (b), deverá ter a seguinte estrutura:
O professor falou com o aluno, que estava parado na sala.

4) Encontrei o dono do restaurante na avenida Brasil.

A posição em que se encontra o adjunto adverbial “na Avenida Brasil” não permite saber, com certeza, se (a) o restaurante fica na Avenida Brasil, ou  (b) se encontrei o dono do restaurante nessa rua.
Para eliminar a ambiguidade, devemos escolher uma opção.

Se a opção escolhida for (a), a frase deverá ter a seguinte estrutura:
Encontrei o dono do restaurante que fica na avenida Brasil.

Se a opção escolhida for (b), deverá ter a seguinte estrutura:
Na Avenida Brasil, encontrei o dono do restaurante.




Uso incorreto do pronome relativo

1) Estou lendo um conto de Clarice Lispector, de que gosto muito.

O pronome relativo “que” não permite saber, com certeza, se gosto muito (a) do conto, ou (b) de Clarice Lispector.
Para eliminar a ambiguidade, devemos escolher uma opção.

Se a opção escolhida for (a):
Estou lendo um conto de que gosto muito, da escritora Clarice Lispector.

Se a opção escolhida for (b):
Estou lendo um conto de Clarice Lispector, de quem gosto muito.

2) Pai de namorado de Diana, que também morreu no acidente em Paris, em 1997, rejeita o relatório.
Apesar da grande repercussão a morte da princesa teve na época, não podemos esperar que o contexto esclareça a notícia. Neste caso, o pronome relativo “que” não permite saber, com certeza, a quem se refere.
Para resolver a ambiguidade o melhor é reescrever a frase, dividindo-a em duas orações, mesmo que para isso seja necessário repetir palavras. Uma possibilidade seria:

Pai do namorado de Diana rejeita o relatório que investiga a morte da princesa em Paris, em 1997. No acidente, morreram ela e o namorado.

3) O turista disse ao guia que era pernambucano.
A colocação do pronome relativo “que” não permite saber quem era pernambucano: o guia ou o turista?
Para retificar a frase, devemos dizer:
O turista disse que era pernambucano ao guia.


Uso indevido de formas nominais

1) A mãe encontrou o filho chorando.
Nesse caso, o gerúndio não permite saber quem estava chorando: (a) a mãe ou (b) o filho.
Para eliminar a ambiguidade, devemos escolher uma opção.

Se for a opção (a):
A mãe que estava chorando encontrou o filho.

Se for a opção (b):
A mãe encontrou o filho que estava chorando.

2) Ônibus atropela criança subindo a calçada.
Quem subiu calçada? (a) a criança ou (b) o ônibus?
Para eliminar a ambiguidade, devemos escolher uma opção.

Se for a opção (a):
O ônibus que subiu a calçada atropelou uma criança.

Se for a opção (b):
O ônibus atropelou uma criança que subia na calçada.


Uso indevido de pronome possessivo

1) O gerente disse à secretária que seu dia seria muito atarefado.
O pronome possessivo não permite saber, com certeza, se se refere ao dia (a) do gerente ou (b) da secretária.
Para eliminar a ambiguidade, devemos escolher uma opção.

Se for a opção (a):
O gerente disse que teria um dia atarefado à secretária.

Se for a opção (b):
O gerente disse à secretária que o dia dela seria atarefado.

2) Pedro foi com o amigo à casa de seu professor.
O pronome possessivo não permite saber, com certeza, se se refere ao professor de (a) Pedro ou (b) do amigo de Pedro.
Para eliminar a ambiguidade, devemos escolher uma opção.

Se for a opção (a):
Pedro foi à casa de seu professor com o amigo.

Se for a opção (b):
Pedro foi, com o amigo, à casa do professor deste.

Uso incorreto do pronome oblíquo

1) O rapaz disse à mãe de sua namorada que a amava muito.
O pronome possessivo não permite saber, com certeza, se o rapaz disse que a amava (a) à mãe da namorada ou (b) à namorada.
Para eliminar a ambiguidade, devemos escolher uma opção e reestruturar as frases.

Se for a opção (a):
O rapaz disse que amava sua namorada à mãe dela.
Se for a opção (b):
O rapaz disse a sua futura sogra que a amava.


Colocação inadequada do adjetivo

1) O vizinho mal-humorado saiu batendo a porta.
Tal colocação não permite saber se o mau humor é uma característica própria do vizinho, ou se o mau humor foi algo passageiro que ocorreu num dado momento.
Se o mau humor é uma condição passageira, deveremos reescrever a frase da seguinte forma:
O vizinho, mal-humorado, saiu batendo a porta.

2) A cantora deixou a plateia indignada.
Tal colocação não permite saber quem ficou indignada: (a) a cantora ou (b) a plateia.
Para eliminar a ambiguidade, devemos escolher uma opção e reestruturar as frases.

Se for a opção (a):
Indignada, a cantora deixou a plateia.

Se for a opção (b):
A cantora deixou indignada a plateia.

3) A mulher chegou à rua malcheirosa.
Tal colocação não permite saber quem está malcheirosa: (a) a mulher ou (b) a rua.
Para eliminar a ambiguidade, devemos escolher uma opção e reestruturar as frases.

Se for a opção (a):
Malcheirosa, a mulher chegou à rua.

Se for a opção (b):
A mulher chegou à malcheirosa rua.

Uso de palavras polissêmicas

1) O rapaz pediu um prato ao garçom.
Nessa frase, a palavra prato pode significar: (a) recipiente ou (b) comida.

2) No meio do caminho havia uma pedra.
Nessa frase, a palavra pedra pode significar: (a) rocha ou (b) problema.

2) O burro do prefeito fugiu.
Nessa frase, a palavra burro pode significar: (a) animal ou (b) pessoa pouco inteligente.

Omissão da crase

Ele cheira a gasolina = significa que ele aspira o combustível.
Ele cheira à gasolina = significa que ele tem cheiro de gasolina.
Ela pinta a mão = significa que ela passa tinta na mão.
Ela pinta à mão = significa que ela utiliza a mão para pintar


Mau uso da vírgula

1) Os desenvolvedores que trabalharam depois do horário foram recompensados com um dia de folga.
Sem vírgula significa que apenas os desenvolvedores que trabalharam depois do horário serão recompensados.

2) Os desenvolvedores, que trabalharam depois do horário, foram recompensados com um dia de folga.
Com vírgula significa que todos os desenvolvedores trabalharam depois do horário e todos serão recompensados.


Ambiguidade como recurso:
Nem sempre a ambiguidade é negativa, em textos humorísticos ou publicitários, por exemplo, ela pode ser desejável para conseguir um efeito humorístico e criativo, por outro lado, ela é indesejável em textos informativos, instrutivos ou científicos.

O sloganBom pra burro” do conceituado dicionário Aurélio, tem duplo sentido para conseguir um efeito engraçado. Em português, a expressão “pra burro” significa quantidade ou intensidade, isto é, o dicionário é muito bom!  O outro sentido é dado pela palavra “burro” que serve para designar uma pessoa de inteligência limitada, além disso, o dicionário é conhecido popularmente como “o pai dos burros”. O duplo sentido ou a ambiguidade, neste caso é uma via de mão dupla, que pode ter repercussão tanto positiva como negativa, já que algumas pessoas podem se sentir ofendidas.

Em 2003, a seguradora Sinaf, maior empresa funerária do Rio de Janeiro, lançou uma campanha publicitária de humor-negro com slogans de duplo sentido e de gosto duvidoso, diga-se de passagem:

“Cremação: uma novidade quentinha da Sinaf.”
“Nossos clientes nunca voltaram para reclamar.”
“O melhor plano é viver. Mas vai que dá errado.”
“Sinaf, 25 anos. Incrível chegar onde chegamos perdendo um cliente atrás do outro.”


terça-feira, 6 de maio de 2014

Amor proibido dá origem a expressão idiomática



A expressão portuguesa “Agora é tarde, Inês é mortatem sua origem numa história de amor proibido e refere-se a uma providência que chega atrasada.



Na Idade Média eram constantes as disputas entre reinos e os arranjos políticos, por meio de casamentos entre nobres. Pedro, filho de Afonso IV, rei de Portugal, estava prometido a Constança Manuel, filha de um descendente de monarcas dos reinos de Aragão, Castela e Leão.



A contragosto, Pedro submeteu-se ao casamento, mas foi buscar o amor em outra mulher: Inês de Castro, dama de companhia de sua esposa. O indiscreto caso de amor incomodou a Corte. O rei Afonso IV ordenou que Inês deixasse o país. Mesmo estando exilada em Albuquerque, em Castela, Inês continuou a corresponder-se com Pedro.



Quando Constança morreu num parto, em 1345, o príncipe trouxe de volta sua amante para Coimbra e a instalou num palácio perto do mosteiro de Santa Clara, que podia ser avistado de seu quarto.



Em 1347, Inês deu à luz ao primeiro de quatro filhos com o infante. Mas o povo comentava e condenava o adultério, enquanto a peste negra, considerada sinal da cólera de Deus, chegava à região. Indiferentes a tudo, Pedro e Inês viviam seu grande amor.



O príncipe aproximou-se dos irmãos de Inês que eram partidários da reanexação de Portugal pelo reino da Espanha. Temendo pela independência de Portugal, D. Afonso IV mandou matar Inês. Em 7 de janeiro de 1355, Inês foi degolada sem piedade enquanto Pedro havia saído para caçar.



Ao retornar, Pedro ficou louco de dor e levantou um exército contra seu pai, este revidou. O confronto só terminou com a intervenção da rainha-mãe, dona Beatriz. Com a morte de d. Afonso IV, dois anos mais tarde, em 1357, Pedro subiu ao trono de Portugal e vingou-se de dois dos assassinos de Inês, ordenando que os matassem e lhes arrancassem o coração.



Para reparar o mal feito à amante, Pedro jurou que haviam se casado em segredo, o que fazia de Inês rainha, merecedora de todas as honras. Em abril de 1360, o corpo de Inês foi transferido solenemente do convento de Coimbra para o mosteiro Real de Alcobaça, onde eram enterrados os monarcas portugueses. Reza a lenda que o cadáver de Inês teria sido colocado no trono, e a realeza portuguesa teria sido obrigada a beijar-lhe a mão.
(Fonte: http://www2.uol.com.br/historiaviva/reportagens/ines_de_castro_-_a_rainha_morta.html)



O escritor português Luís de Camões recontou a história em versos em Os Lusíadas.



Assim, a expressão “Agora é tarde, Inês é morta” refere-se à situação em que a providência chega tarde. Outra expressão equivalente em português é: “Casa arrombada, trancas à porta”.



A Fonte dos Amores, onde os amantes trocavam confidências, hoje é ponto turístico de Coimbra.







Em espanhol, a expressão idiomática para referir-se a uma solução que chega tarde demais é “A buenas horas, mangas verdes”.


Sua origem remonta aos tempos em que reinavam os Reyes Católicos, mais exatamente em 1476, ano em que os reis criaram um corpo de segurança encarregado de prestar socorro em qualquer emergência: a Santa Irmandade. 

Os membros desse corpo trajavam uma roupa cujas mangas eram verdes.

Segundo os cronistas da época, a pontualidade não era um atributo desse corpo de soldados. Quase nunca conseguiam chegar a tempo para atender as emergências. Quando chegavam, frequentemente os moradores já haviam conseguido superar as adversidades por si mesmos e, assim, os membros da ordem eram recebidos com a frase: “A buenas horas, mangas verdes”.



sexta-feira, 2 de maio de 2014

Expressões idiomáticas em espanhol relacionadas à comida




Comer de gorra: Expressão que designa a artimanha de comer à custa dos outros. A origem dessa expressão remonta aos séculos XVI ao XVIII, à Salamanca estudantil.

Antigamente os estudantes vestiam duas prendas de uso obrigatório: a capa e a gorra (uma espécie de chapéu ou gorro), por isso eram conhecidos como “capigorrones”. Esses estudantes costumavam entrar de penetras em banquetes e celebrações em que se cumprimentavam com o gorro, fazendo-se passar por convidados e servindo-se da comida que era oferecida em tais ocasiões.

Comer a dos carrillos: Significa comer com voracidade, mastigando de forma evidente, movendo a comida de uma bochecha para outra.

Comer como una lima: Significa comer muito”. A comparação com a lima (lixa) não é gratuita, já que ao friccionar a parte áspera deste instrumento numa superfície, esta é desgastada ou corroída.

Comerse unos a otros: Estar em grande discórdia.

Comerse vivo a uno: Desejar vingar-se de alguém, estar com muita raiva de alguém (exemplo: Si lo veo, me lo como vivo).

Comer y callar: Dar a entender que aquele que depende de outro deve obedecer sem reclamar.

Comerse a alguien con los ojos: Expressão que significa olhar fixamente para alguém, normalmente envolve atração.

Comerse el coco: Significa preocupar-se com algo, dar voltas à cabeça em busca de uma solução.

Comerse un marrón: Significa ver-se envolvido numa situação comprometedora ou ter de realizar uma tarefa ingrata ou complicada”. Aqui a palavra “marrón” tem um tom escatológico, já que faz alusão à cor das fezes.

Embutir: termo usado coloquialmente para referir-se à ingestão exagerada de alimentos. Literalmente o termo significa “elaborar embutidos”, ou seja, em sentido figurado significa espremer ou pressionar os alimentos no estômago.

Estar como una cuba, estar piriri, coger una mona: estar bêbado. Uma cuba é um recipiente de madeira que contém vinho.

Estar para comérselo: Diz-se de alguém muito fofo ou bonito (exemplo: El bebé está para comérselo).

Hambre canina: Ter muita fome.

Jamar, embaular, zampar, echar un bocado, llenar la andorga, matar el hambre, manducar, papar, papear: comer

Matar el gusanillo
Matar el gusanillo: Comer algo leve para “forrar” o estômago.

Ni comer ni dejar comer: Não aproveitar uma coisa nem deixar que os outros a aproveitem.

Sin comerlo ni beberlo: Sem ter feito nada para merecer um prejuízo ou benefício.

Tener gusa: Ter fome



Vocabulário coloquial usado nos bares:

Bocata = sanduíche

Pepito = sanduíche pequeno de terneiro, vitela

Bareto = bar

Cortado = pingado, café com um pouco de leite

Chiringuito = quiosque de comidas y bebidas

Tercio = garrafa média de cerveja

Botellín = garrafa pequena de cerveja

Clara = cerveja com soda

Chato = copo pequeno de vinho

La dolorosa = a conta

Montado = sanduíche de lombo

Caña = cerveja de barril em copo pequeno

Jarra = cerveja de barril em caneca

Litrona = garrafa de litro de cerveja

Cubata = cuba-livre, mistura de bebida alcoólica, geralmente, uísque ou vodca com coca-cola.



DIFERENÇA ENTRE RACIÓN,TAPA, PINCHO E BOCATA



UNA TAPA é uma porção pequena de aperitivos para acompanhar uma bebida, pode ser de azeitonas, batatas fritas, pistaches, queijo, jamón (presunto cru feito do pernil traseiro, salgado e curado), etc. Muitos locais oferecem uma tapa como gentileza para acompanhar uma rodada de bebida.

UN PINCHO é uma porção de tortilla (omelete de batata), atum, morcela, etc. servidos numa fatia de pão e presa a esta por um palito.

UNA RACIÓN é um prato grande de chorizo (embutido defumado de carne suína temperada), queijo, almôndegas, etc.

UN BOCATA é um sanduíche. Se for de terneiro, chama-se “pepito”; se for de lombo, “montado” ou “montadito





DITADOS

A buen hambre no hay pan duro: Quando se está com fome, come-se qualquer coisa.

Comer y rascar todo es empezar: Uma vez que se iniciada a ação, não se consegue parar.