segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Cultivar é preciso


Ultimamente passei a prestar atenção a um fato corriqueiro nas redes sociais. Reparei que há dois perfis de tradutores iniciantes: os que perguntam sobre formação, ferramentas, recursos e aqueles que perguntam sobre quanto cobrar, como entrar no mercado, onde encontrar oportunidades.

Os primeiros parecem mais preocupados em oferecer; os segundos, em receber.

Quando se trata de tradução, assim como de qualquer outra profissão, devemos levar em consideração que é preciso plantar para colher, e não o contrário. É natural que nos preocupemos com a questão financeira, se vamos conseguir viver do nosso trabalho, pagar nossas contas no fim do mês. No entanto, essa não deveria ser a maior de nossas preocupações, mas sim:

— O que me move a traduzir?
— Como encaro meu trabalho?
— Sou capaz de oferecer um serviço de qualidade?
— O que espero da tradução?
— Estou comprometido com o que faço?
— Respeito meus colegas e meus clientes?
— Dou meu melhor?

A lista poderia estender-se, mas a ideia se resume a: devemos semear e cultivar para colher bons frutos. Essa é a ordem dos fatores, o último é consequência dos anteriores. Não tenho a pretensão de ensinar o padre rezar missa, mas coroinha deve saber o pai-nosso. Primeiro nos envolvemos e contribuímos, para depois receber.

Sim, temos de pagar nossas contas, mas também temos de dar nosso quinhão. Se não está chovendo em nossa horta, talvez seja hora de rever nossos conceitos e atitudes. A origem das palavras já diz tudo, é preciso cultivar, isto é, desenvolver pelo cuidado, aperfeiçoar, para então apreciar os frutos, ou seja, desfrutar.

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