segunda-feira, 26 de outubro de 2015

13 autores notáveis da literatura hispano-americana

Primeiramente, quero dizer que esta é uma lista incompleta, certamente há muitos outros autores notáveis, mas a escolha é baseada no prestígio dos autores no meio literário e em meu limitado conhecimento. A maioria dos escritores aqui citados consta nos currículos dos cursos de Letras Língua Espanhola, ou seja são autores representativos para o estudo da literatura hispano-americana. Seus textos são cânones, isto é, modelos de produção escrita em língua espanhola. 

A expressão literatura hispano-americana refere-se à literatura escrita em língua espanhola pelos povos de México, América Central, América do Sul e as Caraíbas, por isso, não se incluem aqui autores brasileiros. 

Sua história, que começou durante na época dos conquistadores, no século XVI, pode ser dividida, sem grandes pormenores, em quatro períodos: o colonial, que é um adendo das literaturas dos colonizadores; o patriótico, que reflete os movimentos de independência iniciados no século XIX; o de consolidação, a partir de 1830, quando as formas neoclássicas do século XVIII deram passo ao romantismo, que dominou o panorama por quase meio século e o auge, durante a etapa de consolidação nacional que seguiu ao período anterior até que atingiu sua maturidade a partir da década de 1910, com o modernismo, afastando-se de um cânone literário especificamente europeu e chegando a ocupar um significativo local dentro da literatura universal. 

É habitual considerar que o momento de maior auge da literatura hispano-americana surge com o denominado boom, fenômeno literário e editorial que surgiu entre 1960 e 1970, quando o trabalho de um grupo de escritores relativamente jovens da América Hispânica (o colombiano Gabriel García Márquez, o peruano Mario Vargas Llosa; o argentino Julio Cortázar e o mexicano Carlos Fuentes, entre outros) foi amplamente distribuído pelo mundo todo.

Esses escritores desafiaram e superaram os convencionalismos estabelecidos na literatura de seus países através de obras experimentais, de afã totalizador, além de um marcado caráter político, devido à situação geral da América Latina naqueles anos.

Espero que esta lista os instigue a conhecer os textos desses autores, afinal, a literatura é um excelente meio para mergulhar na cultura e na língua estrangeiras!

ARGENTINA

Jorge Luis Borges (1899-1986)
Nascido em Buenos Aires, é um dos escritores mais importantes da Argentina e uma das figuras de destaque da literatura contemporânea do século XX. Cultivou diversos gêneros literários, centrando-se no ensaio, a narrativa e a poesia, demonstrando um perfeito domínio da língua castelhana. Em toda sua subjaz uma mensagem existencialista, quase filosófica. Criou um mundo fantástico, metafísico e totalmente subjetivo. Sua obra, exigente com o leitor e de não fácil compreensão, despertou a admiração de numerosos escritores e críticos literários do mundo todo. Entre suas principais obras, encontram-se El Aleph, Ficciones, El libro de Arena, Fervor de Buenos Aires e El idioma de los Argentinos.  

Julio Cortázar (1914-1984)
Em sua narrativa, reúne tanto a herança de Borges, Marechal e Macedonio Fernández como a de uma tradição europeia na linha da literatura fantástica surrealista. Seus melhores contos se encontram nos volumes Bestiario, Final del juego e Las armas secretas. Viveu grande parte de sua vida em Paris, cidade que o inspirou a escrever aquele que seria seu principal romance, Rayuela (O jogo da amarelinha), considerada por muitos sua obra mestra, influenciou os jovens narradores hispano-americanos. Fiel a seu caráter inovador, inclui um breve capítulo no início da novela, no qual o autor ensina ao leitor as diferentes maneiras de ler a obra. Alguns afirmam que essa forma de leitura seria a criação do “link”, presente atualmente nos textos eletrônicos.

CHILE

Isabel Allende (1942)
Tornou-se um dos maiores nomes da literatura latino-americana a partir da década de 1980, quando estreou no campo da ficção. As novelas que misturam mitos com personagens inusitados, combinando realidade e sobrenatural, alcançaram grande sucesso entre o público e a crítica. Entre seus livros destacam-se: La Casa de los Espíritus, De amor y de Sombra, Eva Luna, El Plan Infinito, Paula, Afrodita, La Hija de la Fortuna e Retrato en Sepia.


Pablo Neruda (1904-1973)
É considerado um dos melhores poetas do século XX. Publicou mais de trinta obras de poesia em vida, de entre as quais, destaca-se Veinte poemas de amor y una canción desesperada. Trata-se de uma recopilação de poesias que cantam o amor e o desamor com um inconfundível toque de nostalgia. Sua poesia é profundamente humana e oscila entre o romantismo doce e simples. Vê na mulher amada uma transfiguração da paisagem de rios e colinas.





COLOMBIA
Gabriel García Márquez  (1927 - 2014)
Considerado o pai do movimento literário realismo mágico, é conhecido por sua técnica narrativa de misturar, de forma perfeita, fatos do cotidiano com elementos de fantasia. Conhecido mundialmente por sua obra Cien años de soledad, novela que narra a história da família Buendía e da fundação do povoado de "Macondo" e que contém temáticas como a fatalidade, o amor e a morte. Outras obras de destaque são Crónica de una muerte Anunciada, El amor en los tiempos del cólera, La Hojarasca e El general en su laberinto. Recebeu o prêmio Nobel de Literatura em 1982.



MÉXICO

Carlos Fuentes (1928-2012)
Escritor, intelectual e diplomata mexicano, um dos autores mais destacados de seu país y das letras hispano-americanas, autor de romances como La región más transparenteLa muerte de Artemio CruzAura e Terra Nostra e ensaios como La nueva novela hispanoamericana, Cervantes o la crítica de la lectura, El espejo enterrado, Geografía de la novela e La gran novela latinoamericana, entre outros.
Recebeu, entre outros, o Prêmio Rómulo Gallegos, em 1977; o Cervantes, em 1987; e o Príncipe de Asturias de las Letras, em 1994. E foi nomeado grande oficial da Legião de Honra, em 2003 e cavalheiro grande cruz da Ordem de Isabel a Católica, em 2009. Foi nomeado membro honorário da Academia Mexicana da Língua em agosto de 2001 e Doutor honoris causa por várias universidades, entre elas HarvardCambridge e Nacional de México.
Até o dia de seu falecimento, foi considerado candidato principal para obter o Prêmio Nobel de Literatura. O último latino-americano a receber este premio, o peruano Mario Vargas Llosa, expressou seu desejo de que o próximo autor da língua a recebê-lo fosse Carlos Fuentes. Este disse pouco tempo antes: "Cuando se lo dieron a García Márquez (1982) me lo dieron a mí, a mi generación, a la novela latinoamericana que nosotros representamos en un momento dado. De manera que yo me doy por premiado".


Juan Rulfo (1917-1986)
Com apenas duas obras, Juan Rulfo consagrou-se como mestre da literatura latino-americana contemporânea. Nos relatos de El llano en llamas, aparecem as áridas terras de Jalisco, onde "os mortos pesam mais que os vivos". Com uma língua prodigiosa, simples e concisa, e de um ponto de vista impessoal, Rulfo faz desfilar em uma sucessão de enquadramentos impressionistas, a ação é escassa, a realidade de umas gentes à beira do desespero. O clima dos relatos é de alucinação, pois não há roupagem alguma capaz de mascarar a miséria. Na novela Pedro Páramo, utiliza idênticos procedimentos para contar uma história que está presa pela fatalidade.


Octavio Paz  (1914-1998)
Deu-se a conhecer como poeta, em 1933, com Luna silvestre. Publicou mais tarde Entre la piedra y la flor, A la orilla del mundo, um livro de poemas em prosa, ¿Águila o sol?, Semillas para un himno e La estación violenta, livros que, em 1960, reúne em Libertad bajo palabra. A este primer ciclo poético seguem-se outros dois: Salamandra e Ladera este. Após apresentar dois textos de poesia óptica, Topoemas e Discos visuales, Paz compila em um quarto ciclo sua última produção poética, Pasado en claro (1975).
Em seus ensaios, Octavio Paz exerce um magistério que, sem dúvida, é o mais influente na atual literatura mexicana. Os temas de que trata são diversos: literários: Las peras del olmo, Cuadrivio; históricos: Conjunciones y disyunciones, La búsqueda del comienzo; de moral, política, arte, etc.: Puertas al campo, El mono gramático, Los hijos del limo; sem esquecer seu ensaio sobre a essência do mexicano: El laberinto de la soledad. O conjunto desta produção tornou-o um fecundo ensaísta da literatura latino-americana.

PARAGUAI

Augusto Roa Bastos (1917-2005)
Seus relatos breves El trueno entre las hojas, El baldío e Moriencia, descrevem magistralmente diversos aspectos da vida paraguaia. Como romancista, Roa torna-se intérprete, em Hijo de hombre, da opressão do povo paraguaio, enquanto em Yo el Supremo, reconstrói a figura do doutor Francia, “Perpétuo Ditador do Paraguai”, em uma meditação sobre o poder. Somente por esta novela, Roa já mereceria aparecer entre os grandes escritores latino-americanos do século XX.




PERU

Mario Vargas Llosa (1936)
É um especialista das técnicas narrativas e membro da literatura hispano-americana denominada "boom". Se no contexto peruano, sua obra que se inicia com La ciudad y los perros, representa uma reorientação da temática do indigenismo, ao mesmo tempo que representa uma abertura para novas formas de escrever romances, La Casa Verde, Conversación en La Catedral, no contexto continental suas novelas supõem mudança, no entanto seguindo Faulkner e Joyce. Além das obras citadas, Vargas Llosa é autor de um magnífico relato Los cachorros, bem como de outras novelas: Pantaleón y las visitadoras, La tía Julia y el escribidor e  La guerra del fin del mundo, recebeu o Prêmio Nobel de Literatura, em 2010.

URUGUAY

Felixberto Hernández (1902-1964)
Genial contista que dá expressão aos impulsos do inconsciente mediante uma estrutura ilógica em Fulano de tal, Libro sin tapa, La cara de Ana e  La envenenada e, posteriormente, em Nadie encendía las lámparas e La casa inundada.









Juan Carlos Onetti (1909-1994)
Onetti é considerado um dos poucos existencialistas em língua castelhana. Mario Vargas Llosa, quem preparou um ensaio sobre Onetti, disse em uma entrevista que “é um dos grandes escritores modernos, e não somente da América Latina”. “Não obteve o reconhecimento que merece como um dos autores más originais e pessoais, que introduziu principalmente a modernidade no mundo da literatura narrativa”. “Seu mundo é um mundo antes pessimista, carregado de negatividade, isso faz que não chegue a um público muito vasto”. Seu primeiro romance El pozo, foi considerada por Vargas Llosa como o início do romance moderno na América Latina. 
O romance Tierra de nadie obtém o segundo lugar no concurso Ricardo Güiraldes. Nesse mesmo ano, publica Un sueño realizado, considerado seu primeiro conto importante.
Nos anos seguintes, publicará o romance Para esta noche e uma série de contos, publicados no jornal La Nación, entre os quais se destaca La casa en la arena, por ser o que dá início ao mundo de sua cidade de Santa María, que desenvolverá no romance La vida breve. Precisamente nessa cidade mítica transcorrerá a ação da grande maioria de seus novos romances e contos.

Horacio Quiroga (1878-1937)
Contista, dramaturgo e poeta uruguaio. Seus relatos breves, que frequentemente retratam a natureza como inimiga do ser humano sob traços temíveis e horrorosos, valeram-lhe a comparação com o escritor norte-americano Edgar Allan Poe. Sentiu-se atraído por temas que abarcavam os aspectos mais estranhos da Natureza, frequentemente marcado pelo horror, doença e sofrimento para os seres humanos. Muitos de seus relatos pertencem a esta corrente, cuja obra mais emblemática é a coleção Cuentos de amor de locura y de muerte
A vida de Quiroga, marcada pela tragédia, os acidentes de caça e os suicídios, culminou, por decisão própria, quando bebeu um copo de cianureto no Hospital de Clínicas de Buenos Aires, ao saber que sofria de câncer gástrico.

No marcador Contos traduzidos, aqui no blog, vocês podem ler a tradução ao português de alguns textos desses autores.

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