terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Santos e aniversários



Os espanhóis, assim como os brasileiros, também são muito festeiros e gostam de celebrar as datas comemorativas com a família e com os amigos. Antigamente, em lugar de comemorar o aniversário, os espanhóis costumavam celebrar a onomástica, isto é o dia de seu santo.  

Até a metade do século XX era costume batizar as crianças com o nome do santo do dia, senão em primeiro lugar, ao menos como segundo nome. Na Espanha franquista, de maneira geral, os sacerdotes se negavam a batizar as crianças com um nome que não fosse claramente bíblico ou, principalmente, pertencente ao santoral da Igreja católica. Era uma forma de expressão cristã para ter, ao menos, um intercessor no céu.

Hoje em dia, algumas pessoas ainda mantém essa tradição, a minha avó é uma delas, seu nome é Asela e o santo dela se celebra no dia 6 de dezembro. Na Catalunha, a felicitação pelo santo conserva-se até hoje e, socialmente, é tão importante ou mais que a do aniversário. Celebrar o aniversário é um costume importado dos Estados Unidos que foi amplamente aceito e praticamente substitui o costume de celebrar o santo.

Celebrar o santo oferece uma vantagem para aqueles que, como eu, são muito esquecidos. É difícil lembrar da data de nascimento de todo o mundo, mas, para saber o santo de alguém, basta olhar no santoral ou na Internet (puxa… mesmo assim acabei me esquecendo de parabenizar minha avó pelo seu santo…). Também é costume, assim como no aniversário, dar presentes para comemorar o santo.

Atualmente prefere-se celebrar o aniversário da forma anglo-saxã, isto é cantando uma canção de aniversário e apagando as velas. O costume de rodear o bolo com as velas teve origem na antiguidade. O círculo de velas fazia parte de um ritual que protegia o homenageado dos maus espíritos durante um ano. Por isso, durante muito tempo, a igreja católica considerou a celebração do aniversário como um ritual pagão.

Na Espanha, além do tradicional “Cumpleaños feliz” também é muito cantada a canção de Emilio Aragón padre, mais conhecido como o palhaço Miliki:

Feliz, feliz en tu día,
amiguito/a que Dios te bendiga,
que reine la paz en tu vida
¡y que cumplas muchos más!

No México, é costume cantar "Las Mañanitas", e também se costuma romper uma “piñata”, um recipiente feito de papel machê e repleto de doces e brinquedos.  A brincadeira consiste em vendar os olhos do aniversariante para que ele quebre a pichorra com um bastão de madeira, enquanto as crianças ficam em volta prontas para recolher do chão o maior número de doces que puderem. É uma brincadeira muito divertida, mas é preciso ficar atento para não levar uma paulada na cabeça.  

Ah, sim, quanto aos quitutes servidos nas festas de aniversários, esqueça os brigadeiros, beijinhos, cajuzinhos e olhos de sogra, bem como as coxinhas, rissoles e quibes. Na Espanha costuma-se servir: croquetas, bocadillos, tortilla, pizzas, empanadas, magdalenas, patatas fritas y palomitas.
 
Também é costume na Espanha e em alguns países hispano-americanos como Argentina, Uruguai e Paraguai, puxar as orelhas do aniversariante, um puxão para cada ano celebrado.

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