quinta-feira, 14 de julho de 2016

Entrevista com a tradutora Laila Rezende Compan


Laila Compan nasceu no Rio de Janeiro, é graduada em Pedagogia pela UFRJ e pós-graduada em Tradução de Espanhol pela Universidade Estácio de Sá. É tradutora especializada em Tradução Audiovisual (tradução para dublagem e legendagem) e atua também com as áreas de marketing, educação, negócios e finanças, corporativa e comercial.

Diana – Olá, Laila, primeiramente muito obrigada por concordar em dar a entrevista, é um prazer tê-la aqui no blog! Para começar, conte-nos um pouco sobre como você se tornou uma tradutora profissional?
Laila Compan – Diana, obrigada pelo convite!
Quando estava terminando o curso de espanhol tive a oportunidade de fazer a minha primeira tradução, mas só comecei a me dedicar de fato à profissão em 2013, quando pedi demissão do emprego para fazer o que eu realmente queria: traduzir. Já tinha feito alguns cursos antes, mas não me sentia segura e não divulgava o meu trabalho. Quando deixei o medo de lado e comecei a fazer o meu marketing, os trabalhos começaram a chegar.

Diana – Em seu blog, “Tradutor Iniciante”, você oferece dicas e suporte aos tradutores que estão em início de carreira. Por favor, explique a importância de profissionalizar-se àqueles que ainda pensam que a tradução pode ser encarada como um “bico”.
Laila Compan – Sem dúvida a profissionalização é algo essencial, não apenas para quem quer ser tradutor, como para qualquer outra carreira. Ao se profissionalizar você aprende técnicas para realizar um trabalho com mais qualidade e em menos tempo. Muitos pensam que traduzir é apenas passar palavras de um idioma para o outro, quando na verdade a tradução vai muito além desse pensamento simplista. Do mesmo jeito que construir uma casa não é apenas colocar um tijolo sobre o outro, traduzir não é apenas passar palavras de uma língua para outra. A profissionalização mostra que você leva aquele trabalho a sério e te capacita para ter cada vez mais sucesso.

Diana – Como foi a experiência de criar vídeos para publicar no Youtube, quais as principais dificuldades que você encontrou, e de onde vem toda essa desenvoltura? Parece tudo tão espontâneo e natural, mas certamente deve dar muito trabalho...
Laila Compan – A cada vídeo que faço é uma experiência diferente justamente por não ser algo tão simples. Sempre preparo um roteiro com o conteúdo do vídeo, avisos, e tal. Sou uma pessoa que se preocupa muito com a qualidade das coisas que faço, mas ao mesmo tempo não espero a perfeição para começar. No início usava apenas a câmera do celular, depois baixei um app grátis para usar como microfone e melhorar o áudio. Tive e ainda tenho algumas dificuldades por falta de tripé, iluminação, mas vou tentando umas gambiarras para conseguir fazer vídeos com qualidade. Agora, a desenvoltura eu não sei de onde vem... rs Sou muito tímida, mas com o tempo acho que a gente vai se acostumando. Quando vejo um dos primeiros vídeos que publiquei e um mais recente, morro de vergonha da pessoa travadinha dando dicas... rs

Diana – Fale-nos um pouquinho sobre sua recente participação no Congresso da Abrates.
Laila Compan – Essa experiência com certeza vai ficar para a história! Apesar de ter confiança no tema, eu estava muito preocupada e tensa. Quando entrei na sala e vi que estava lotada, e que muita gente não era iniciante e tinha muito mais tempo de profissão do que eu, confesso que o nervosismo aumentou! rs Mas foi uma experiência ótima e que, além de me ajudar a aumentar a minha rede de contato, me abriu algumas portas.


Diana – Quais as vantagens que a participação nesse tipo de eventos proporciona a tradutores e aprendizes de tradução?
Laila Compan – As pessoas geralmente pensam primeiramente no networking, mas mais do que isso, quando participamos de eventos assim aprendemos muito, reforçamos o conhecimento e saímos cheios de insights. Não tem como participar de eventos assim e sair sem nenhuma ideia para colocar em prática.


Diana – O que os leitores podem esperar de seu livro “Tradutor Iniciante”?
Laila Compan – O meu livro é bem voltado para quem está no comecinho da carreira, ou para quem está pesquisando sobre a profissão. As dicas que dou no livro são dicas básicas para quem já está no mercado, mas são as maiores dúvidas de quem está começando. E um detalhe importante de ressaltar é que o conteúdo do livro é diferente do conteúdo dos vídeos e do blog.

Diana – Como você se organiza para dar conta de tantas atividades: blog, livro, vídeos, consultoria, aulas... Ainda sobra tempo para traduzir? ;-)
Laila Compan – Tenho que organizar muito bem o meu dia para conseguir dar conta de tudo. Quando escrevi o livro eu não gravava vídeos, o que me dava mais tempo para escrever. Mas hoje, mesmo com todas essas atividades que você mencionou, ainda estou preparando uma mega novidade que muito provavelmente vou contar quando chegar aos 1000 inscritos no youtube. E sim, sobra tempo para traduzir, ou melhor, eu consigo tempo para fazer as outras coisas, porque a tradução às vezes me envolve tanto que não quero parar nem para comer... rs

Diana - Você considera fundamental o networking e o uso de tecnologias na vida do tradutor? De que forma essas ferramentas contribuem para seu trabalho?
Laila Compan – Com certeza! O networking é essencial para conseguir trabalho, para dividir trabalho, para aprender com a experiência do colega. E quando falo em networking me refiro não apenas entre tradutores, mas entre profissionais de diversas áreas. Quanto à tecnologia, só posso dizer que adoro! A tecnologia facilita a nossa vida pessoal e profissional. Às vezes me pego pensando em como deveria ser a vida dos tradutores antigamente, mas nem consigo imaginar. Não sou dependente de tecnologia, mas se ela está aqui para me ajudar, vou aproveitar! A Internet, as CATs, dicionários digitais, além de ajudar a encontrar o que precisamos mais rapidamente, ajudam também a manter a tradução padronizada.

Diana – De que você mais gosta em sua profissão e o que ainda gostaria de fazer?
Laila Compan – Amo a liberdade que tenho, o fato de estar sempre aprendendo algo novo, de estar em contato com o espanhol, já que amo esse idioma. Uma das coisas que ainda gostaria de fazer, por incrível que pareça, é trabalhar in house. Muita gente me diz que não vale a pena, que vou ganhar menos, mas gostaria de ter essa experiência. Outra coisa que ainda gostaria de fazer é trabalhar com interpretação, mas para isso ainda preciso estudar bastante.

Diana – Para finalizar, quais são suas principais recomendações àqueles que estão iniciando a carreira?
Laila Compan – O que eu recomendo para quem está começando a carreira agora é estudar, pesquisar e praticar muito! É preciso estar atento porque a língua é algo vivo e sofre constantes mudanças, e nós precisamos acompanhar essas mudanças para fazer um bom trabalho. Outra recomendação que dou, e que inclusive está no livro, é para divulgar o seu trabalho. Não seja um tradutor 007. Todas as pessoas que estão ao seu redor têm que saber que você é tradutor.



Para receber mais dicas é só acessar os links abaixo:

Snapchat: rezendelaila
e-mail: contato@tradutoriniciante.com.br
Livro: http://www.clubedeautores.com.br/book/191212--Tradutor_Iniciante?topic=guiasdeestudo#.V4ZsVbgrLIU

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