Escreve-se “aún” com acento quando tem significado temporal, corresponde ao nosso advérbio de tempo “ainda” e pode ser substituído pela palavra “todavia” em espanhol. Também quando tem um sentido ponderativo ou intensificador. Pode ser traduzido por “ainda”, “até então”, “até o momento”.
Exemplos:
Aún no he leído el libro que me prestaste. = Ainda não li o libro que me você me emprestou.
El profesor de matemática no ha llegado aún. = O professor de matemática não chegou até o momento.
¿Has visto esa película? — No, aún no la he visto. = Já assistiu a esse filme? Não, ainda não.
El nuevo profesor tiene aún menos paciencia que el anterior. = O novo professor tem menos paciência ainda que o anterior.
Gana tanto como su marido y aún (encima) se queja. = Ganha tanto quanto seu marido e mesmo assim/ainda se queixa.
Escreve-se “aun” sem o acento quando pode ser substituído por “incluso”, “siquiera”, “hasta” ou “también”. Este é um caso de acento diacrítico, ou seja, o acento serve para diferenciar o significado de vocábulos iguais. Pode ser traduzido como “mesmo”, “ainda”, “inclusive”, “até”, “também” e “nem mesmo” ou “nem sequer” nas frases com sentido negativo.
Aun (incluso) con menos tempo, cumpliremos lo acordado. = Mesmo com menos tempo, cumpriremos o acordado.
Además de los cuatro libros, pretendemos publicar aun (también) una guía didáctica. = Além dos quatro livros, pretendemos publicar também um guia didático.
Este manual presenta aun (incluso) un glosario con las palabras más frecuentes. = Este manual apresenta ainda um glossário com as palavras mais frequentes.
Te daré un consejo, y aun (hasta) dos, si los necesitas. = Dar-te-ei um conselho, e até dois, se precisar deles.
No tengo yo tanto, ni aun (ni siquiera) la mitad. = Não tenho tanto, nem mesmo a metade.
Também se escreve “aun” sem acento quando tem valor concessivo, tanto na locução “aun cuando”, nesse caso, pode ser substituído por “aunque” e quando for seguido de um adverbio ou de um gerúndio. Pode ser traduzido por “mesmo que” ou “ainda que”.
Aun cuando me lo pidiera de rodillas, no le haría caso. = Mesmo que me pedisse de joelhos, não lhe daria atenção.
No faltaría a la verdad, aun cuando le costara el empleo. = Não faltaria com a verdade, ainda quando lhe custasse o emprego.
No hizo la tarea aun sabiendo que era importante = Não fez a tarefa mesmo sabendo que era importante.
Tradução de espanhol. Diana Margarita. Blog sobre tradução, tradução de espanhol, gramática, literatura, cultura e entretenimento.
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
Mi vida con la ola, conto de Octavio Paz.
Minha vida com a onda
Tradução: Diana Margarita
Quando deixei aquele mar, uma onda se adiantou entre todas. Era esbelta e leve. Apesar dos gritos das outras, que a detinham pelo vestido flutuante, pendurou-se em meu braço e foi comigo pulando. Não quis dizer-lhe nada, porque me dava pena constrangê-la na frente das companheiras. Além disso, os olhares coléricos das mais velhas me paralisaram.
Ao chegarmos à vila, expliquei-lhe que não podia ser, que a vida na cidade não era o que ela pensava em sua ingenuidade de onda que nunca saiu do mar. Olhou-me séria: “Sua decisão estava tomada. Não podia voltar.” Experimentei com doçura, dureza, ironia. Ela chorou, gritou, acariciou-me, ameaçou-me. Tive de pedir-lhe perdão. No dia seguinte, começou meu padecimento. Como subir ao trem sem que nos vissem o motorista, os passageiros, a polícia? É verdade que os regulamentos nada dizem a respeito do transporte de ondas nos trens, mas essa mesma reserva era um indício da severidade com que nosso ato seria julgado.
Depois de muito refletir, compareci à estação uma hora antes da partida, ocupei meu assento e, quando ninguém me via, esvaziei o depósito de água para os passageiros; em seguida, cuidadosamente, verti nele minha amiga.
O primeiro incidente surgiu quando os filhos de um casal vizinho declararam sua barulhenta sede. Dirigi-me até eles e lhes prometi refrigerantes e limonadas. Estavam prestes a aceitar quando outra sedenta se aproximou. Quis oferecer-lhe algo também, mas o olhar de seu acompanhante me deteve. A senhora pegou um copinho de papel, aproximou-se do depósito e o destrancou. Mal havia enchido meio copo quando, de sobressalto, interpus-me entre ela e minha amiga. A senhora me olhou com espanto. Enquanto eu lhe pedia desculpas, um dos meninos voltou a abrir o depósito. Fechei-o com violência.
A senhora levou o copo aos lábios: — Ai, a água está salgada! — O menino lhe fez eco. Vários passageiros se levantaram. O marido chamou o motorista:
— Este indivíduo jogou sal na água.
O motorista chamou o inspetor:
— Então o senhor jogou substâncias na água?
O inspetor chamou o policial que estava de plantão:
— Então o senhor jogou veneno na água?
O policial que estava de plantão chamou o capitão:
— Então o senhor é o envenenador?
O capitão chamou três agentes. Os agentes me levaram para um vagão solitário, entre os olhares e os cochichos dos passageiros. Na primeira estação, fizeram-me descer aos empurrões e me arrastaram até a prisão. Durante dias não falaram comigo, exceto durante os longos interrogatórios. Quando contava meu caso ninguém acreditava em mim, nem sequer o carcereiro, que balançava a cabeça, dizendo: “O assunto é grave, verdadeiramente grave. O senhor não teria desejado envenenar umas crianças?”. Uma tarde me levaram perante o procurador.
— Seu assunto é difícil — repetiu. — Vou consigná-lo ao juiz criminal. Assim se passou um ano. Finalmente me julgaram. Como não houve vítimas, minha condenação foi leve. Pouco tempo depois, chegou o dia da liberdade. O chefe da prisão me chamou:
— Bom, já está livre. Teve sorte. Graças a que não houve desgraças. Mas que não volte a se repetir, por que a próxima lhe custará caro… — E olhou para mim com o mesmo olhar sério com que todos me olhavam.
Nessa mesma tarde, tomei o trem e depois de algumas horas de incômoda viagem cheguei ao México. Tomei um táxi e me dirigi a casa. Ao chegar à porta de meu apartamento ouvi risos e cantos. Senti uma dor no peito, como o golpe da onda da surpresa quando a surpresa bate em pleno peito: minha amiga estava ali, cantando e rindo como sempre.
— Como foi que você voltou?
— Muito fácil: de trem. Alguém, depois de certificar-se de que não passava de água salgada, jogou-me na locomotora. Foi uma viagem agitada: de repente eu era um penacho branco de vapor, de repente eu caia em chuva fina sobre a máquina. Emagreci muito. Perdi muitas gotas.
A presença dela mudou minha vida. A casa de corredores escuros e móveis empoeirados se encheu de ar, de sol, de rumores e reflexos verdes e azuis, povoado de numerosos e felizes reverberações e ecos.
Quantas ondas é uma onda ou como pode fazer praia ou rocha ou quebra-mar um muro, um peito, uma testa coroada de espumas! Até os recantos abandonados, os abjetos recantos de poeira e os detritos foram tocados por suas mãos leves. Tudo se pôs a sorrir e por todas as partes brilhavam dentes brancos. O sol entrava com prazer nos velhos quartos e ficava na casa por horas, quando já fazia tempo que havia abandonado as outras casas, o bairro, a cidade, o país. E várias noites, já tarde, as escandalizadas estrelas o viram sair de minha casa, às escondidas. O amor era um jogo, uma criação perpétua. Tudo era praia, areia, leito de lençóis sempre frescos. Se a abraçava, ela se erguia, incrivelmente esbelta, como talo líquido de um álamo; e de repente essa magreza florescia num jorro de penas brancas, num penacho de risos de caíam sobre minha cabeça e minhas costas e me cobriam de brancuras. Ou se estendia diante de mim, infinita como o horizonte, até que eu também me fazia horizonte e silêncio. Plena e sinuosa, envolvia-me como uma música ou uns lábios imensos. Sua presença era um vaivém de carícias, de rumores, de beijos. Entrava em suas águas, meio que me afogava e num fechar de olhos me encontrava encima, no alto da vertigem, misteriosamente suspenso, para cair depois como uma pedra, e sentir-me suavemente depositado no seco, como uma pena. Nada se compara a dormir embalado nas águas, a não ser acordar os golpes de mil alegres chicotes ligeiros, por arremetidas que se retiram rindo.
Mas jamais cheguei ao centro de seu ser. Nunca toquei o nó do ai e da morte. Talvez nas ondas não exista esse lugar secreto que torna a mulher vulnerável e mortal, esse pequeno botão elétrico onde tudo se une, se crispa e se ergue, para depois desfalecer. Sua sensibilidade, como a das mulheres, propagava-se em ondas, só que não eram ondas concêntricas, mas excêntricas, que se estendiam cada vez mais longe, até tocar outros astros. Amá-la era prolongar-se em contatos remotos, vibrar com estrelas distantes das quais não suspeitamos. Mas seu centro… não, não tinha centro, mas um vazio parecido ao dos turbilhões, que me sugava e me asfixiava.
Estendidos um do lado do outro, trocávamos confidências, cochichos, risadas. Enrolada como um novelo, caia sobre meu peito e ali se desenrolava como uma vegetação de rumores. Cantava ao meu ouvido, caramujo. Fazia-se humilde e transparente, jogada a meus pés como um animalzinho, água mansa. Era tão límpida que podia ler todos seus pensamentos. Certas noites sua pele se cobria de fosforescências e abraçá-la era abraçar um pedaço de noite tatuada de fogo. Mas também se tornava negra e amarga. Em horas inesperadas mugia, suspirava, retorcia-se. Seus gemidos acordavam os vizinhos. Ao ouvi-la, o vento do mar se punha a arranhar a porta da casa ou delirava em voz alta pelas alas do terraço. Os dias nublados a irritavam; quebrava móveis, dizia palavrões, cobria-me de insultos e com uma espuma gris e esverdeada. Cuspia, chorava, jurava, profetizava. Segurava-se à lua, às estrelas, ao influxo da luz de outros mundos, mudava de humor e de semblante de uma maneira que me parecia fantástica, mas que era tal como a maré.
Começou a queixar-se de solidão. Enchi a casa de caramujos e conchas, pequenos barcos a vela, que em seus dias de fúria fazia naufragar (junto com os outros, carregados de imagens, que todas as noites saíam de minha testa e afundavam em seus ferozes ou engraçados turbilhões) Quantos pequenos tesouros se perderam naquele tempo! Mas não lhe bastavam meus barcos nem o canto silencioso dos caramujos. Confesso que não sem ciúmes os via nadar em minha amiga, acariciar seus seios, dormir entre suas pernas, enfeitar sua cabeleira com leves relâmpagos de cores. Entre todos aqueles peixes havia uns particularmente repulsivos e ferozes, uns pequenos tigres de aquário, grandes olhos fixos e bocas fendidas e carniceiras. Não sei por que aberração minha amiga se comprazia em brincar com eles, mostrando-lhes sem pudor uma preferência cujo significado prefiro ignorar. Passava longas horas fechada com aquelas horríveis criaturas.
Um dia não pude mais; derrubei a porta e me lancei sobre eles. Ágeis e fantasmagóricos, fugiam-me das mãos enquanto ela ria e me batia até derrubar-me. Senti que me afogava. E quando estava prestes a morrer, já roxo, depositou-me na margem e começou a beijar-me, humilhado. E ao mesmo tempo a voluptuosidade me fez fechar os olhos. Porque sua voz era doce e me falava da morte deliciosa dos afogados.
Quando voltei a mim, comecei a temê-la e a odiá-la. Tinha descuidado meus assuntos. Comecei a frequentar os amigos e reatei velhas e queridas relações. Encontrei uma amiga da juventude. Fazendo-a jurar que guardaria o segredo, contei-lhe minha vida com a onda. Nada comove tanto as mulheres como a possibilidade de salvar um homem. Minha redentora empregou todas suas artes, mas o que podia uma mulher, dona de um número limitado de almas e corpos, perante minha amiga, sempre mutante – e sempre idêntica a si mesma em sua metamorfose incessante? Chegou o inverno. O céu ficou cinza. A névoa caiu sobre a cidade. Chovia uma garoa gelada. Minha amiga gritava todas as noites. Durante o dia se isolava, quieta e sinistra, resmungando uma única silaba, como uma velha que resmunga num canto. Ficou fria; dormir com ela era jogar fora toda a noite e sentir como o sangue gelava paulatinamente, os ossos, os pensamentos. Tornou-se impenetrável, revoltada. Eu saía com frequência e minhas ausências eram cada vez mais prolongadas. Ela, em seu canto, uivava longamente. Com dentes afiados e língua corrosiva roía os muros, desmoronava as paredes. Passava as noites acordada, repreendendo-me. Tinha pesadelos, delirava com o sol, com um grande pedaço de gelo, navegando sob os céus negros em noites longas como meses. Injuriava-me. Amaldiçoava-me e ria; enchia a casa de gargalhadas e fantasmas. Chamava monstros das profundezas, cegos, rápidos e obtusos. Carregada de eletricidade, carbonizava o que tocava. Seus doces braços se tornaram cordas ásperas que me estrangulavam. E seu corpo esverdeado e elástico, era um chicote implacável, que batia, batia, batia.
Fugi. Os horríveis peixes riam com riso feroz. Lá nas montanhas, entre os altos pinheiros e os despenhadeiros, respirei o ar frio e fino como um pensamento de liberdade. Ao final de um mês retornei. Estava decidido. Fizera tanto frio que encontrei sobre o mármore da lareira, junto ao fogo extinto, uma estátua de gelo. Não me comoveu sua detestável beleza. Joguei-a num grande saco de lona e saí para a rua, carregando a adormecida nas costas. Num restaurante das redondezas, vendi-a para um cantineiro amigo, que imediatamente começou a picá-la em pequenos pedaços, que depositou cuidadosamente nos baldes onde se esfriam as garrafas.
Tradução: Diana Margarita
Quando deixei aquele mar, uma onda se adiantou entre todas. Era esbelta e leve. Apesar dos gritos das outras, que a detinham pelo vestido flutuante, pendurou-se em meu braço e foi comigo pulando. Não quis dizer-lhe nada, porque me dava pena constrangê-la na frente das companheiras. Além disso, os olhares coléricos das mais velhas me paralisaram.
Ao chegarmos à vila, expliquei-lhe que não podia ser, que a vida na cidade não era o que ela pensava em sua ingenuidade de onda que nunca saiu do mar. Olhou-me séria: “Sua decisão estava tomada. Não podia voltar.” Experimentei com doçura, dureza, ironia. Ela chorou, gritou, acariciou-me, ameaçou-me. Tive de pedir-lhe perdão. No dia seguinte, começou meu padecimento. Como subir ao trem sem que nos vissem o motorista, os passageiros, a polícia? É verdade que os regulamentos nada dizem a respeito do transporte de ondas nos trens, mas essa mesma reserva era um indício da severidade com que nosso ato seria julgado.
Depois de muito refletir, compareci à estação uma hora antes da partida, ocupei meu assento e, quando ninguém me via, esvaziei o depósito de água para os passageiros; em seguida, cuidadosamente, verti nele minha amiga.
O primeiro incidente surgiu quando os filhos de um casal vizinho declararam sua barulhenta sede. Dirigi-me até eles e lhes prometi refrigerantes e limonadas. Estavam prestes a aceitar quando outra sedenta se aproximou. Quis oferecer-lhe algo também, mas o olhar de seu acompanhante me deteve. A senhora pegou um copinho de papel, aproximou-se do depósito e o destrancou. Mal havia enchido meio copo quando, de sobressalto, interpus-me entre ela e minha amiga. A senhora me olhou com espanto. Enquanto eu lhe pedia desculpas, um dos meninos voltou a abrir o depósito. Fechei-o com violência.
A senhora levou o copo aos lábios: — Ai, a água está salgada! — O menino lhe fez eco. Vários passageiros se levantaram. O marido chamou o motorista:
— Este indivíduo jogou sal na água.
O motorista chamou o inspetor:
— Então o senhor jogou substâncias na água?
O inspetor chamou o policial que estava de plantão:
— Então o senhor jogou veneno na água?
O policial que estava de plantão chamou o capitão:
— Então o senhor é o envenenador?
O capitão chamou três agentes. Os agentes me levaram para um vagão solitário, entre os olhares e os cochichos dos passageiros. Na primeira estação, fizeram-me descer aos empurrões e me arrastaram até a prisão. Durante dias não falaram comigo, exceto durante os longos interrogatórios. Quando contava meu caso ninguém acreditava em mim, nem sequer o carcereiro, que balançava a cabeça, dizendo: “O assunto é grave, verdadeiramente grave. O senhor não teria desejado envenenar umas crianças?”. Uma tarde me levaram perante o procurador.
— Seu assunto é difícil — repetiu. — Vou consigná-lo ao juiz criminal. Assim se passou um ano. Finalmente me julgaram. Como não houve vítimas, minha condenação foi leve. Pouco tempo depois, chegou o dia da liberdade. O chefe da prisão me chamou:
— Bom, já está livre. Teve sorte. Graças a que não houve desgraças. Mas que não volte a se repetir, por que a próxima lhe custará caro… — E olhou para mim com o mesmo olhar sério com que todos me olhavam.
Nessa mesma tarde, tomei o trem e depois de algumas horas de incômoda viagem cheguei ao México. Tomei um táxi e me dirigi a casa. Ao chegar à porta de meu apartamento ouvi risos e cantos. Senti uma dor no peito, como o golpe da onda da surpresa quando a surpresa bate em pleno peito: minha amiga estava ali, cantando e rindo como sempre.
— Como foi que você voltou?
— Muito fácil: de trem. Alguém, depois de certificar-se de que não passava de água salgada, jogou-me na locomotora. Foi uma viagem agitada: de repente eu era um penacho branco de vapor, de repente eu caia em chuva fina sobre a máquina. Emagreci muito. Perdi muitas gotas.
A presença dela mudou minha vida. A casa de corredores escuros e móveis empoeirados se encheu de ar, de sol, de rumores e reflexos verdes e azuis, povoado de numerosos e felizes reverberações e ecos.
Quantas ondas é uma onda ou como pode fazer praia ou rocha ou quebra-mar um muro, um peito, uma testa coroada de espumas! Até os recantos abandonados, os abjetos recantos de poeira e os detritos foram tocados por suas mãos leves. Tudo se pôs a sorrir e por todas as partes brilhavam dentes brancos. O sol entrava com prazer nos velhos quartos e ficava na casa por horas, quando já fazia tempo que havia abandonado as outras casas, o bairro, a cidade, o país. E várias noites, já tarde, as escandalizadas estrelas o viram sair de minha casa, às escondidas. O amor era um jogo, uma criação perpétua. Tudo era praia, areia, leito de lençóis sempre frescos. Se a abraçava, ela se erguia, incrivelmente esbelta, como talo líquido de um álamo; e de repente essa magreza florescia num jorro de penas brancas, num penacho de risos de caíam sobre minha cabeça e minhas costas e me cobriam de brancuras. Ou se estendia diante de mim, infinita como o horizonte, até que eu também me fazia horizonte e silêncio. Plena e sinuosa, envolvia-me como uma música ou uns lábios imensos. Sua presença era um vaivém de carícias, de rumores, de beijos. Entrava em suas águas, meio que me afogava e num fechar de olhos me encontrava encima, no alto da vertigem, misteriosamente suspenso, para cair depois como uma pedra, e sentir-me suavemente depositado no seco, como uma pena. Nada se compara a dormir embalado nas águas, a não ser acordar os golpes de mil alegres chicotes ligeiros, por arremetidas que se retiram rindo.
Mas jamais cheguei ao centro de seu ser. Nunca toquei o nó do ai e da morte. Talvez nas ondas não exista esse lugar secreto que torna a mulher vulnerável e mortal, esse pequeno botão elétrico onde tudo se une, se crispa e se ergue, para depois desfalecer. Sua sensibilidade, como a das mulheres, propagava-se em ondas, só que não eram ondas concêntricas, mas excêntricas, que se estendiam cada vez mais longe, até tocar outros astros. Amá-la era prolongar-se em contatos remotos, vibrar com estrelas distantes das quais não suspeitamos. Mas seu centro… não, não tinha centro, mas um vazio parecido ao dos turbilhões, que me sugava e me asfixiava.
Estendidos um do lado do outro, trocávamos confidências, cochichos, risadas. Enrolada como um novelo, caia sobre meu peito e ali se desenrolava como uma vegetação de rumores. Cantava ao meu ouvido, caramujo. Fazia-se humilde e transparente, jogada a meus pés como um animalzinho, água mansa. Era tão límpida que podia ler todos seus pensamentos. Certas noites sua pele se cobria de fosforescências e abraçá-la era abraçar um pedaço de noite tatuada de fogo. Mas também se tornava negra e amarga. Em horas inesperadas mugia, suspirava, retorcia-se. Seus gemidos acordavam os vizinhos. Ao ouvi-la, o vento do mar se punha a arranhar a porta da casa ou delirava em voz alta pelas alas do terraço. Os dias nublados a irritavam; quebrava móveis, dizia palavrões, cobria-me de insultos e com uma espuma gris e esverdeada. Cuspia, chorava, jurava, profetizava. Segurava-se à lua, às estrelas, ao influxo da luz de outros mundos, mudava de humor e de semblante de uma maneira que me parecia fantástica, mas que era tal como a maré.
Começou a queixar-se de solidão. Enchi a casa de caramujos e conchas, pequenos barcos a vela, que em seus dias de fúria fazia naufragar (junto com os outros, carregados de imagens, que todas as noites saíam de minha testa e afundavam em seus ferozes ou engraçados turbilhões) Quantos pequenos tesouros se perderam naquele tempo! Mas não lhe bastavam meus barcos nem o canto silencioso dos caramujos. Confesso que não sem ciúmes os via nadar em minha amiga, acariciar seus seios, dormir entre suas pernas, enfeitar sua cabeleira com leves relâmpagos de cores. Entre todos aqueles peixes havia uns particularmente repulsivos e ferozes, uns pequenos tigres de aquário, grandes olhos fixos e bocas fendidas e carniceiras. Não sei por que aberração minha amiga se comprazia em brincar com eles, mostrando-lhes sem pudor uma preferência cujo significado prefiro ignorar. Passava longas horas fechada com aquelas horríveis criaturas.
Um dia não pude mais; derrubei a porta e me lancei sobre eles. Ágeis e fantasmagóricos, fugiam-me das mãos enquanto ela ria e me batia até derrubar-me. Senti que me afogava. E quando estava prestes a morrer, já roxo, depositou-me na margem e começou a beijar-me, humilhado. E ao mesmo tempo a voluptuosidade me fez fechar os olhos. Porque sua voz era doce e me falava da morte deliciosa dos afogados.
Quando voltei a mim, comecei a temê-la e a odiá-la. Tinha descuidado meus assuntos. Comecei a frequentar os amigos e reatei velhas e queridas relações. Encontrei uma amiga da juventude. Fazendo-a jurar que guardaria o segredo, contei-lhe minha vida com a onda. Nada comove tanto as mulheres como a possibilidade de salvar um homem. Minha redentora empregou todas suas artes, mas o que podia uma mulher, dona de um número limitado de almas e corpos, perante minha amiga, sempre mutante – e sempre idêntica a si mesma em sua metamorfose incessante? Chegou o inverno. O céu ficou cinza. A névoa caiu sobre a cidade. Chovia uma garoa gelada. Minha amiga gritava todas as noites. Durante o dia se isolava, quieta e sinistra, resmungando uma única silaba, como uma velha que resmunga num canto. Ficou fria; dormir com ela era jogar fora toda a noite e sentir como o sangue gelava paulatinamente, os ossos, os pensamentos. Tornou-se impenetrável, revoltada. Eu saía com frequência e minhas ausências eram cada vez mais prolongadas. Ela, em seu canto, uivava longamente. Com dentes afiados e língua corrosiva roía os muros, desmoronava as paredes. Passava as noites acordada, repreendendo-me. Tinha pesadelos, delirava com o sol, com um grande pedaço de gelo, navegando sob os céus negros em noites longas como meses. Injuriava-me. Amaldiçoava-me e ria; enchia a casa de gargalhadas e fantasmas. Chamava monstros das profundezas, cegos, rápidos e obtusos. Carregada de eletricidade, carbonizava o que tocava. Seus doces braços se tornaram cordas ásperas que me estrangulavam. E seu corpo esverdeado e elástico, era um chicote implacável, que batia, batia, batia.
Fugi. Os horríveis peixes riam com riso feroz. Lá nas montanhas, entre os altos pinheiros e os despenhadeiros, respirei o ar frio e fino como um pensamento de liberdade. Ao final de um mês retornei. Estava decidido. Fizera tanto frio que encontrei sobre o mármore da lareira, junto ao fogo extinto, uma estátua de gelo. Não me comoveu sua detestável beleza. Joguei-a num grande saco de lona e saí para a rua, carregando a adormecida nas costas. Num restaurante das redondezas, vendi-a para um cantineiro amigo, que imediatamente começou a picá-la em pequenos pedaços, que depositou cuidadosamente nos baldes onde se esfriam as garrafas.
terça-feira, 5 de novembro de 2013
Significado da expressão espanhola “no hay tutía”
A “atutía” ou “tutía” aparecia no “Diccionario de la lengua castellana” de 1770, definida como unguento elaborado com óxido de zinco ao qual eram atribuídas qualidades curativas nos tratamentos das doenças oculares. Quando o medicamento estava em falta nas antigas farmácias dizia-se “no hay atutía”.
Assim, a expressão “no hay tutía” passou a ser usada para referir-se a algo que não tem remédio, ou seja, que não tem solução, algo irremediável.
Devido ao desuso da palavra tutia (ou atutía) no espanhol atual ocorreu um erro de interpretação e os falantes passaram a dizer “no hay tu tía”, como se se tratasse da tia de alguém, para dar a entender a alguém que não deve ter esperança de conseguir algo que deseja ou de evitar algo que teme.
O dicionário da ERA, em sua 22ª edição, na entrada “tío”, registra a expressão “no hay tu tía” como “Falsa separación de no hay tutía, en el sentido figurado de ‘no hay remedio’, porque la tutía se empleaba con fines medicinales”.
Assim, a expressão “no hay tutía” passou a ser usada para referir-se a algo que não tem remédio, ou seja, que não tem solução, algo irremediável.
Devido ao desuso da palavra tutia (ou atutía) no espanhol atual ocorreu um erro de interpretação e os falantes passaram a dizer “no hay tu tía”, como se se tratasse da tia de alguém, para dar a entender a alguém que não deve ter esperança de conseguir algo que deseja ou de evitar algo que teme.
O dicionário da ERA, em sua 22ª edição, na entrada “tío”, registra a expressão “no hay tu tía” como “Falsa separación de no hay tutía, en el sentido figurado de ‘no hay remedio’, porque la tutía se empleaba con fines medicinales”.
"Vozes" e onomatopeias de animais em espanhol
A palavra onomatopeia originou-se do
vocábulo grego “onomatopoiía” (ato de fazer palavras), de “onoma” (nome,
palavra), mais “poiein” (fazer). A onomatopeia é uma figura de retórica que
consiste na imitação dos diversos sons emitidos ou produzidos, assim, a palavra
tende a imitar o som natural da coisa significada. Por exemplo: cacarejar é uma
palavra onomatopaica porque é derivada da onomatopeia “có-có” que imita o som
emitido pela galinha.
A onomatopeia é um recurso de
formação de palavras, cuja grafia é variável, muito usado nas histórias em
quadrinhos, assim como na fala e também na literatura em geral.
Mas será que as onomatopeias como as que reproduzem a “voz” dos animais, por exemplo, variam de uma língua para outra?
Mas será que as onomatopeias como as que reproduzem a “voz” dos animais, por exemplo, variam de uma língua para outra?
Veja a seguir o quadro comparativo de algumas
“vozes” de animais e suas respectivas onomatopeias em espanhol e em português.
Ah, sim, e não se esqueça de que
agora “onomatopeia” se escreve sem acento, já que segundo o novo acordo, caiu o
acento dos ditongos abertos tônicos “ei” e “oi” das palavras proparoxítonas.
Assim, agora também escrevem-se sem acento palavras como "heroico",
"paranoico", "ideia", "assembleia", “jiboia”, “diarreia”,
“geleia” e “boia”.
ANIMAL
|
VOZ (ONOMATOPEIA) EM ESPANHOL
|
VOZ (ONOMATOPEIA) EM PORTUGUÊS
|
Cachorro
|
Ladrido (au-au)
|
Latido (guau-guau)
|
cão nervoso
|
Gruñido (grrrr)
|
Rosnado (rrrrrrrrrr)
|
lamúrio do cão
|
Aullido (auuuuuuuu)
|
Uivo (auuuuuu)
|
Gato
|
Maullido (miau)
|
Miado (miau)
|
Gato
|
Ronroneo (purrr)
|
rom-rom (purrrr)
|
Galo
|
canto, cacareo
(quiquiriquí)
|
canto, cocoricó
(cocoricó, cocorocô)
|
Galinha
|
cacareo, cloqueo (clococló/cocorocó)
|
cacarejo (co co co)
|
Cavalo
|
relincho (ihhhhh)
|
relincho (riiinch)
|
Porco
|
gruñido, guarrido,
chillido (uiiiik, oink)
|
grunhido, ronco,
guincho (oinc oinc)
|
Asno
|
rebuzno, roznido
(ih-oh)
|
rebusno, zurro (ió ió)
|
Grilo
|
canto, chirrido
(cricrí)
|
chirriar, crilar,
estridular, estrilar, guizalhar, trilar, tritrilar, tritrinar (cricri)
|
Lobo
|
aullido, ululato (auuuuu)
|
uivo, ululo (aúuuuu)
|
Ovelha
|
balido (beee)
|
balido (mééé)
|
Pato
|
graznido, parpar (cua)
|
grasnar (quá quá)
|
Pájaro
|
trino, gorjeo,, piada
(pío pío)
|
trinado, gorjeio,
canto (piu piu)
|
Rã
|
croar, charlear (croá
croá)
|
coaxar, engrolar
(croac)
|
Vaca
|
mugido (mu)
|
mugido (muu)
|
mosquito, mosca
|
zumbido (bzzzzz,
zzzzzzz)
|
zumbido (bzzzzz, zzzzzz)
|
Diminutivo das palavras terminadas em "inho"
Qual é o diminutivo de vizinho?
Nem sempre as palavras terminadas em “inho” estão no grau diminutivo: ancinho, andorinha, burburinho, carinho, colarinho, vizinho, desalinho, escaninho, escarninho, espinho, focinho, golfinho, meirinho, mindinho, marinho, ninho, pinho, sobrinho.
Como se forma o diminutivo dessas palavras? Você pode eliminar a vogal final e acrescentar o sufixo –inho: sobrinhinho, vizinhinho ou, então, você pode acrescentar o sufixo –zinho à palavra original: sobrinhozinho, vizinhozinho.
Entretanto, se você achar essas palavras muito estranhas, você pode usar o diminutivo analítico, que é feito com a palavra pequeno: sobrinho pequeno, vizinho pequeno.
Nem sempre as palavras terminadas em “inho” estão no grau diminutivo: ancinho, andorinha, burburinho, carinho, colarinho, vizinho, desalinho, escaninho, escarninho, espinho, focinho, golfinho, meirinho, mindinho, marinho, ninho, pinho, sobrinho.
Como se forma o diminutivo dessas palavras? Você pode eliminar a vogal final e acrescentar o sufixo –inho: sobrinhinho, vizinhinho ou, então, você pode acrescentar o sufixo –zinho à palavra original: sobrinhozinho, vizinhozinho.
Entretanto, se você achar essas palavras muito estranhas, você pode usar o diminutivo analítico, que é feito com a palavra pequeno: sobrinho pequeno, vizinho pequeno.
sexta-feira, 1 de novembro de 2013
Dicas de filmes em espanhol
Don Quijote – Filme dirigido por Orson Welles - diretor americano que faleceu em 1985. Ele tinha um vasto material filmado, as filmagens duraram mais de 10 anos, sobre uma adaptação que realizaria sobre Dom Quixote, o famoso personagem criado por Miguel de Cervantes. Apreciando cenas dessa obra que foi finalizada, fica evidente que era um pecado deixar aquele material de lado, mas também é de se lamentar que estejamos diante de outro filme, diferente do que deveria ter sido. Orson Welles foi um declarado admirador da cultura espanhola, fã da obra original de Cervantes e que teve como último desejo que suas cinzas fossem espalhadas pelas colinas aonde se situava La Mancha, a terra natal do “cavaleiro da figura triste”, por isso, é mais do que compreensível terem finalizado essa obra e atribuído à filmografia do diretor.
Valentín – Filme argentino dirigido por Alejandro Agresti - Comédia dramática - 1960, Buenos Aires. A comovente história do solitário menino Valentin (Rodrigo Noya) de 9 anos que vive com sua avó (Carmen Maura), já que seu pai vive ocupado trabalhando e sua mãe está desaparecida desde a separação de seu pai.
La lengua de las mariposas – Filme espanhol de 1999, do gênero drama, dirigido por José Luis Cuerda e baseado em três contos de Manuel Rivas. Retrata com clareza a influencia de um professor no processo de desenvolvimento cognitivo, pessoal, político e social de uma criança na época antecedente a guerra civil da Espanha.
El hijo de la novia – Filme argentino dirigido por Juan José Campanella. Drama. Aos 42 anos Rafael Belvedere (Ricardo Darín) está em crise, pois assumiu muitas responsabilidades e não tem mais tempo para qualquer tipo de diversão. Em meio a todas estas responsabilidades Rafael sofre um ataque cardíaco, que faz com que se encontre novamente com Juan Carlos (Eduardo Blanco), um amigo de infância, que o ajuda a reconstruir seu passado e ver o presente com outros olhos.
El estudiante – Filme espanhol de 2011 dirigido por Roberto Girault e protagonizado por Jorge Lavat. O Estudante conta a aventura de Chano, um homem de 70 anos de idade, que acaba de se inscrever na universidade para estudar Literatura.
Los santos inocentes - Drama. Filme espanhol dirigido por Mario Camus, baseado no romance do escritor Miguel Delibes e protagonizado por Paco Rabal e Alfredo Landa. Durante a década de 60, na Espanha Fraquista, uma família de camponeses vive miseravelmente numa fazenda sob a autoridade do senhor da terra. Sua vida resume-se a renúncia, sacrifício e obediência.
El secreto de sus ojos – (2009) filme argentino dirigido por Juan José Campanella e protagonizado por Ricardo Darín. Suspense policial ganhador do Oscar de melhor filme estrangeiro.
Los truhanes – (1983) Filme espanhol dirigido por Miguel Hermoso. Comédia sobre as aventuras e desventuras de dois malandros contemporâneos, interpretados por Arturo Fernández e Paco Rabal.
El laberinto del Fauno – (2006) filme dirigido pelo mexicano Guillermo del Toro. – Terror/Suspense - relata a história de Ofelia, uma menina que seria a reencarnação de uma princesa que fugiu de um mundo mágico habitado por seres fabulosos. Conto de fadas sombrio a fim de fugir da realidade dura que a Revolução Espanhola proporciona.
Diarios de Motocicleta – (2004) filme dirigido pelo brasileiro Walter Salles - Che Guevara (Gael García Bernal), estudante de Medicina decide viajar pela América do Sul com seu amigo Alberto Granado (Rodrigo de la Serna). A viagem é realizada em 1952, de moto, caronas e caminhadas. Porém, depois que a dupla conhece uma colônia de leprosos, passam a questionar a validade do progresso econômico da região, que privilegia apenas uma pequena parte da população.
Hable con ella – (2002) escrito e dirigido por Pedro Almodovar – drama que traz a tona questões éticas e morais ao falar de um enfermeiro que se apaixona pela paciente em coma e a engravida. Destaque para a participação de Caetano Veloso interpretando a música “Cucurrucucú paloma”.
La piel que habito – (2011) Pedro Almodovar - Terror psicológico / Suspense - Desde que sua mulher sofreu queimaduras em todo o corpo em um acidente de carro, o Doutor Robert Ledgard (Antonio Banderas), eminente cirurgião plástico, interessa-se pela criação de uma nova pele que poderia tê-la salvo. Para isso, utiliza uma cobaia humana, uma cúmplice e nenhum escrúpulo.
Los Abrazos Rotos – (2009) escrito e dirigido por Pedro Almodovar – A história de um escritor, Mateo Blanco (Lluís Homar), que sofreu um brutal acidente que o deixou cego. Drama de relações dominadas pela fatalidade, ciúmes, abuso de poder, traição e complexo de culpa.
Bodas de Sangre – (1981) filme espanhol dirigido pelo espanhol Carlos Saura. É a primeira parte da trilogia sobre o flamenco deste diretor e é a adaptação cinematográfica do balé “Crónica del suceso de bodas de sangre” (1974) de Antonio Gades, baseado na tragédia homónima do escritor Federico García Lorca.
Un cuento chino – (2011) filme argentino dirigido por Sebastián Borensztein e protagonizado por Ricardo Darín, Muriel Santa Ana e Ignacio Huang. Ganhou o prêmio de melhor filme e prêmio do público no Festival de Cinema de Roma, além do prêmio de melhor filme hispano-americano nos Prêmios Goya 2011. Comédia trágica. Conta a história do encontro improvável entre Roberto, um carrancudo e introspectivo veterano da Guerra das Malvinas e um chinês chamado Jun, que não fala espanhol e está perdido na cidade de Buenos Aires em busca do único familiar que tem vivo, um tio que emigrou para Argentina.
La primera vez – curta-metragem espanhol do diretor Borja Cobeaga, protagonizado pela atriz Mariví Bilbao, famosa pelo seu papel na série televisiva espanhola “Aquí no hay quien viva”. Begoña (Mariví Bilbao) é uma senhora da terceira idade que nunca teve relações sexuais e, por isso, recorre a um gigolô (Aitor Beltrán).
Valentín – Filme argentino dirigido por Alejandro Agresti - Comédia dramática - 1960, Buenos Aires. A comovente história do solitário menino Valentin (Rodrigo Noya) de 9 anos que vive com sua avó (Carmen Maura), já que seu pai vive ocupado trabalhando e sua mãe está desaparecida desde a separação de seu pai.
La lengua de las mariposas – Filme espanhol de 1999, do gênero drama, dirigido por José Luis Cuerda e baseado em três contos de Manuel Rivas. Retrata com clareza a influencia de um professor no processo de desenvolvimento cognitivo, pessoal, político e social de uma criança na época antecedente a guerra civil da Espanha.
El hijo de la novia – Filme argentino dirigido por Juan José Campanella. Drama. Aos 42 anos Rafael Belvedere (Ricardo Darín) está em crise, pois assumiu muitas responsabilidades e não tem mais tempo para qualquer tipo de diversão. Em meio a todas estas responsabilidades Rafael sofre um ataque cardíaco, que faz com que se encontre novamente com Juan Carlos (Eduardo Blanco), um amigo de infância, que o ajuda a reconstruir seu passado e ver o presente com outros olhos.
El estudiante – Filme espanhol de 2011 dirigido por Roberto Girault e protagonizado por Jorge Lavat. O Estudante conta a aventura de Chano, um homem de 70 anos de idade, que acaba de se inscrever na universidade para estudar Literatura.
Los santos inocentes - Drama. Filme espanhol dirigido por Mario Camus, baseado no romance do escritor Miguel Delibes e protagonizado por Paco Rabal e Alfredo Landa. Durante a década de 60, na Espanha Fraquista, uma família de camponeses vive miseravelmente numa fazenda sob a autoridade do senhor da terra. Sua vida resume-se a renúncia, sacrifício e obediência.
El secreto de sus ojos – (2009) filme argentino dirigido por Juan José Campanella e protagonizado por Ricardo Darín. Suspense policial ganhador do Oscar de melhor filme estrangeiro.
Los truhanes – (1983) Filme espanhol dirigido por Miguel Hermoso. Comédia sobre as aventuras e desventuras de dois malandros contemporâneos, interpretados por Arturo Fernández e Paco Rabal.
El laberinto del Fauno – (2006) filme dirigido pelo mexicano Guillermo del Toro. – Terror/Suspense - relata a história de Ofelia, uma menina que seria a reencarnação de uma princesa que fugiu de um mundo mágico habitado por seres fabulosos. Conto de fadas sombrio a fim de fugir da realidade dura que a Revolução Espanhola proporciona.
Diarios de Motocicleta – (2004) filme dirigido pelo brasileiro Walter Salles - Che Guevara (Gael García Bernal), estudante de Medicina decide viajar pela América do Sul com seu amigo Alberto Granado (Rodrigo de la Serna). A viagem é realizada em 1952, de moto, caronas e caminhadas. Porém, depois que a dupla conhece uma colônia de leprosos, passam a questionar a validade do progresso econômico da região, que privilegia apenas uma pequena parte da população.
Hable con ella – (2002) escrito e dirigido por Pedro Almodovar – drama que traz a tona questões éticas e morais ao falar de um enfermeiro que se apaixona pela paciente em coma e a engravida. Destaque para a participação de Caetano Veloso interpretando a música “Cucurrucucú paloma”.
La piel que habito – (2011) Pedro Almodovar - Terror psicológico / Suspense - Desde que sua mulher sofreu queimaduras em todo o corpo em um acidente de carro, o Doutor Robert Ledgard (Antonio Banderas), eminente cirurgião plástico, interessa-se pela criação de uma nova pele que poderia tê-la salvo. Para isso, utiliza uma cobaia humana, uma cúmplice e nenhum escrúpulo.
Los Abrazos Rotos – (2009) escrito e dirigido por Pedro Almodovar – A história de um escritor, Mateo Blanco (Lluís Homar), que sofreu um brutal acidente que o deixou cego. Drama de relações dominadas pela fatalidade, ciúmes, abuso de poder, traição e complexo de culpa.
Bodas de Sangre – (1981) filme espanhol dirigido pelo espanhol Carlos Saura. É a primeira parte da trilogia sobre o flamenco deste diretor e é a adaptação cinematográfica do balé “Crónica del suceso de bodas de sangre” (1974) de Antonio Gades, baseado na tragédia homónima do escritor Federico García Lorca.
Un cuento chino – (2011) filme argentino dirigido por Sebastián Borensztein e protagonizado por Ricardo Darín, Muriel Santa Ana e Ignacio Huang. Ganhou o prêmio de melhor filme e prêmio do público no Festival de Cinema de Roma, além do prêmio de melhor filme hispano-americano nos Prêmios Goya 2011. Comédia trágica. Conta a história do encontro improvável entre Roberto, um carrancudo e introspectivo veterano da Guerra das Malvinas e um chinês chamado Jun, que não fala espanhol e está perdido na cidade de Buenos Aires em busca do único familiar que tem vivo, um tio que emigrou para Argentina.
La primera vez – curta-metragem espanhol do diretor Borja Cobeaga, protagonizado pela atriz Mariví Bilbao, famosa pelo seu papel na série televisiva espanhola “Aquí no hay quien viva”. Begoña (Mariví Bilbao) é uma senhora da terceira idade que nunca teve relações sexuais e, por isso, recorre a um gigolô (Aitor Beltrán).
Significado da expressão "pedirle peras al olmo".
Essa expressão significa “pedir algo impossível”, pois a árvore que produz peras é a “pereira”. O “olmo” também é uma árvore que produz seus próprios frutos, mas não produz peras, por isso se você pedir peras ao olmo estará pedindo algo impossível.
Em português temos algumas expressões que significam quase a mesma coisa, ou seja, algo praticamente impossível de se conseguir: “tirar leite de pedra”, “achar uma agulha no palheiro”, “dar murro em ponta de faca”, esta última tem denota teimosia ao insistir em fazer algo que será infrutífero, que não tem possibilidade de se concretizar.
Em português temos algumas expressões que significam quase a mesma coisa, ou seja, algo praticamente impossível de se conseguir: “tirar leite de pedra”, “achar uma agulha no palheiro”, “dar murro em ponta de faca”, esta última tem denota teimosia ao insistir em fazer algo que será infrutífero, que não tem possibilidade de se concretizar.
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