quarta-feira, 17 de junho de 2020

O desafio de traduzir literatura



Por que a tradução literária é tão desafiadora?

Primeiramente, é preciso distinguir a tradução editorial da tradução literária. Enquanto a primeira se refere à tradução de livros em geral, das mais variadas áreas, como religião, arquitetura, culinária, etc.; a segunda se restringe à tradução de ficção, ou seja, de obras de literatura, tais como romances, contos, poesia, teatro, etc.

O principal desafio da tradução literária consiste na literariedade, que, embora seja difícil de definir, basicamente se refere ao conjunto de características específicas (linguísticas, semióticas e sociológicas) que permitem considerar um texto como literário. 

O texto técnico se caracteriza pela função referencial ou informativa, ou seja, têm o objetivo básico de informar, utilizando para isso a linguagem denotativa ou literal, quando as palavras são empregadas no sentido habitual encontrado no dicionário; o texto literário, por sua vez, caracteriza-se pelo emprego da função poética, ou seja, a ênfase recai sobre o próprio texto, o texto literário é um objeto estético.  

No texto literário, predomina o sentido conotativo, as palavras são empregadas com um sentido figurado, vão além do seu sentido comum, adquirem um sentido simbólico conforme o contexto. Ele é subjetivo, aberto a interpretações. Além disso, como foi dito mais acima, a ênfase recai sobre a forma e não sobre o conteúdo. Em outras palavras, não importa tanto o que se diz, mas como se diz. A mensagem é valorizada como objeto que proporciona um prazer estético. Assim, quanto maior a literariedade do texto, maior a dificuldade do tradutor, pois ele precisa reproduzir, na medida do possível, tal efeito na língua de chegada.

Afora isso, a ficção tem outras características bem desafiadoras, como a tradução de diálogos, em que é preciso atentar para a verossimilhança, ou seja, fazer que os diálogos soem naturais na cultura de chegada. Isso inclui o tratamento de expressões idiomáticas, regionalismos, dialetos, gíria, etc. É muito difícil encontrar a medida certa: fazer com que os diálogos soem naturais, sem descaracterizá-los, levando em conta o tom, se é irônico, insolente, amável, lacerante, etc. 
  
Outra dificuldade consiste no registro da linguagem, se é formal ou culto, ou ainda, informal ou coloquial. São obstáculos também as referências culturais, como, por exemplo, acontecimentos históricos, festas locais, costumes sociais. Também é preciso levar em conta a época em que o texto foi escrito para usar um vocabulário coerente e evitar anacronismos. Caso a obra aborde uma área especializada, como, por exemplo, pesca artesanal, aviação, circo, narcotráfico, criação de renas na Lapônia, ou coisa que o valha, o tradutor deverá pesquisar vocabulário, técnicas, jargões e hábitos dos envolvidos nessas atividades.

E, como se tudo isso não bastasse, terá ainda de lidar com os famigerados termos "intraduzíveis", não apenas quando falta na cultura de chegada um determinado objeto material, o problema é mais complexo, quando se refere a um conceito, a algo abstrato que faz parte do imaginário de uma comunidade linguística. Em seu livro A tradução literária, Paulo Henriques Britto menciona como exemplo a dificuldade de traduzir para um estrangeiro o sentido da palavra "desconfiômetro" usada no Brasil para criticar alguém em frases, como: "O Fulano não usa desconfiômetro".

Traduzir literatura envolve escolhas, tomar decisões, renunciar e aceitar perdas. Apesar disso, ou, quem sabe, justamente por isso, é também uma tarefa muito recompensadora.


sexta-feira, 5 de junho de 2020

Teoria x prática

Esses dias presenciei algumas discussões em grupos de tradutores a respeito da falsa dicotomia entre a teoria e a prática, desculpem o chavão, como se ambas não fossem faces de uma mesma moeda. De um lado, os que defendiam a necessidade da educação formal, inclusive alguns que assumiam sofrer da síndrome do "eterno aprendiz", acumulando diplomas de graduação e pós-graduação, mas com pouca experiência prática; do outro aqueles que enfatizavam a importância da prática em detrimento da teoria.

Desde pequenos aprendemos as coisas do mundo através de duas visões, a teórica e a prática, assimilamos pela observação e pelas explicações que recebemos. Ouvimos repetidamente que precisamos comer para crescer e ficar fortes, mas só conseguimos entender a relação entre a comida e o crescimento, mais adiante, quando aprendemos sobre nosso organismo e sua necessidade contínua de energia para funcionar adequadamente. Só então compreendemos que nosso corpo, como uma máquina, processa os alimentos e os transforma em energia. É, nossa mãe estava certa, precisamos comer para ficar fortes.

Assim, a fundamentação teórica serve para confirmar ou refutar nossas observações, e mais, para ampliar nossa perspectiva, fazendo-nos enxergar além do óbvio.

Em geral, quando decidimos ser tradutores, baseamo-nos em nosso conhecimento de ao menos um par de línguas. Achamos que isso é o suficiente para transpor uma mensagem de uma cultura para outra. Somos jovens, conhecemos mais de uma língua, mais de uma cultura, somos diferenciados. Sentimo-nos no comando, somos ousados, não temos medo de arriscar, agimos por intuição e refutamos a teoria em nome da prática. Acreditamos que temos um dom, um talento natural.

Mas aí vem a frustração quando encaramos o trabalho real e percebemos que não estamos preparados para lidar com tantas exigências. Nosso "talento natural" não dá conta de resolver os obstáculos que se apresentam... Hesitamos diante de tantas dúvidas, sentimo-nos inseguros, e é então que "a ficha cai": precisamos de algo a mais. Algo que nos permita tomar decisões firmes, que nos permita defender nossas escolhas com segurança. É aí que entra a fundamentação à qual nos referimos mais acima.  Queremos dominar nosso ofício, conhecê-lo a fundo, fazer nosso trabalho da melhor forma. Buscamos o desenvolvimento pessoal e profissional, o respaldo para construir uma carreira sólida.

Não queremos nivelar-nos por baixo, queremos a excelência. A nossa postura muda: admitimos que não conhecemos da missa um terço.

Não vou entrar em detalhes sobre minha formação, porque daria uma novela. Resumindo: levei mais de 17 anos para me formar, mas não me envergonho disso, pelo contrário, fui persistente, nadei contra a corrente. Estudei três anos completos de Letras Língua Portuguesa, não me formei. Anos mais tarde, formei-me em Letras Língua Espanhola, na UFSC. Depois disso, quando decidi dedicar-me à tradução, cursei uma pós-graduação em Tradução de Espanhol. No total, foram 9 anos de estudo. Mas não parei por aí, sempre que posso, faço algum curso, leio algum livro da área, porque sei que ainda tenho muito que aprender.

Se o estudo fez alguma diferença? Sim, fez muita diferença. Acreditem. Da água para o vinho. Falando nisso, dizem que tradutor é como o vinho, melhora com os anos, mas é bom lembrar que o vinho, quando se corrói, vira vinagre... Ou seja, envelhecer sim, mas com leveza, mantendo-nos ativos e buscando evoluir.

Quais seriam os conhecimentos teóricos necessários para o tradutor?

Acredito que o conhecimento profundo das línguas fonte e alvo é fundamental. O tradutor precisa conhecer a fundo as normas e padrões que regem as línguas com as quais trabalha, e ainda, suas idiossincrasias, conhecer a norma culta, mas também as variações, os regionalismos, as expressões idiomáticas, jargões, tecnicismos, gíria, quanto mais amplo seu conhecimento, melhor.  Afora a bagagem cultural. É importante ter algum conhecimento da história, geografia, manifestações culturais e costumes dos países em questão.  

Também é recomendável conhecer um pouco da teoria da tradução, as diferentes vertentes, os movimentos filosóficos por trás dessas vertentes, as tendências e os questionamentos. E conhecer, principalmente, as técnicas e estratégias de tradução.

Não acho que seja essencial, mas, sem dúvida, é enriquecedor conhecer um pouco da história da tradução: saber  como surgiram os primeiros tradutores, as primeiras escolas, o que traduziam, como o faziam, a evolução e a formalização do ofício e seu papel na sociedade, entre outros.

Não se trata de acumular conhecimento. É preciso saber aplicá-lo, servir-se dele no dia a dia. Para complementar a teoria, é aconselhável buscar oficinas ou estágios que nos permitam colocar as mãos na massa para avaliar nossas fortalezas e fraquezas.

Uma vez que tenhamos um conhecimento mínimo da tradução, precisaremos especializar-nos em alguma modalidade: tradução técnica, tradução editorial, tradução audiovisual, localização de softwares e jogos, interpretação, etc. Sem falar que cada uma dessas modalidades, se desdobra em outras especialidades.

Deixando de lado a teoria e a prática, há outro aspecto muito importante que não devemos negligenciar: o mercado. Precisamos entender como funciona o mercado da tradução, conhecer os envolvidos e as regras do jogo. E, num cenário competitivo como o mercado da tradução, é preciso dominar algumas tecnologias, como as ferramentas de auxílio à tradução, assim como cultivar nossa rede de relacionamentos através das redes sociais.

É de fato um processo trabalhoso, mas não existe reconhecimento sem esforço. Valendo-me do bordão maromba: no pain, no gain (literalmente, sem dor, sem ganho).

sexta-feira, 10 de abril de 2020

Teclas de atalho para inserir aspas retas



Queridos leitores,

Espero que estejam enfrentando esses tempos difíceis com fé, e ainda, que possamos voltar em breve à normalidade, na medida do possível...

Peço desculpas pela ausência, realmente tenho andado muito ocupada, sem falar em minha criatividade, que tem me deixado a ver navios.

Assim, estou passando rapidamente para responder à dúvida de uma leitora, que pode ser comum a outros usuários de editores de texto.

Como inserir aspas retas usando teclas de atalho?
Use o atalho Alt+34 no início e no final da palavra ou texto que deseja destacar.

Para mudar as aspas inglesas pelas aspas retas no Word:

Na guia Arquivo, clique em Opções.

Clique em Revisão de Texto e, em seguida, em Opções de AutoCorreção.

Na caixa de diálogo Autocorreção, faça o seguinte:

Clique na guia Formatação Automática ao Digitar e, em Substituir ao Digitar, marque ou desmarque a caixa de seleção "Aspas normais" por "aspas inglesas".

Clique na guia Formatação Automática ao Digitar e, em Substituir, marque ou desmarque a caixa de seleção "Aspas normais" por "aspas inglesas".

Clique em OK.

Uma boa Páscoa a todos e até breve!


segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Los sabores y las emociones en el lenguaje


El gusto es el sentido corporal que nos permite experimentar sensaciones gracias al sabor de los alimentos. Pero el gusto no se restringe a la alimentación, sino que se extiende incluso a las relaciones personales, cuando, por ejemplo, nos referimos a sabores para cualificar el carácter de una persona.

Decimos que alguien es dulce cuando lo consideramos afable, dócil y sensible. Las personas dulces se preocupan por los demás y son capaces de tragarse una ofensa por no lastimar a quien le haya ofendido. Son personas cuya compañía resulta tan placentera como el chocolate. Pero cuidado, que demasiado azúcar puede resultar empalagoso.

En España, el adjetivo salado se aplica a aquellas personas que resultan divertidas, simpáticas e ingeniosas, que cautivan fácilmente a quienes le rodean con su buen humor. Pero ¡ojo!, en Uruguay, una persona salada es alguien repelente, insoportable, es decir, todo lo contrario que en España. Y en América Central, Antillas, Bolivia, Ecuador, Perú y Venezuela, este adjetivo se aplica a una persona desafortunada.

Por otro lado, las personas ácidas son aquellas que tienen un humor sarcástico, hiriente, ofensivo, burlón. Este tipo de persona disfruta generando polémicas, así que lo mejor es no darles cuerda. Suelen tener una inteligencia refinada, pero la usan de manera ponzoñosa. El azúcar es la mejor opción para enfrentar un limón, así como en la culinaria, en las relaciones humanas, la acidez se neutraliza con dulzura.

A su vez, el adjetivo amargo, o, mejor dicho, amargado se aplica a aquellas personas de trato áspero, que suelen estar enfadadas y mantienen una actitud negativa ante la vida. Suelen ser personas heridas emocionalmente que terminan por herir a los demás. No sé si la dulzura puede corregir la amargura, pero lo cierto es que muchos amargados tratan de aplacar sus aflicciones con golosinas.

Además, se dice que alguien es soso cuando tiene poca sal, es decir, cuando carece de gracia y viveza, que es rancio cuando piensa o actúa de forma anticuada, que es empalagoso cuando causa fastidio por su zalamería y afectación, y, por último, que es intragable cuando no se puede tolerar.

La relación entre sabores, personalidad y alimentos también se ve reflejada en varias expresiones idiomáticas, como:

«Ser más bueno que el pan», para referirse a alguien dulce, tierno.

«Ser un bombón», para referirse a alguien muy guapo.

«Ser un yogurín», para referirse a alguien muy jovencito.

«Ser un melón», para referirse a alguien muy tonto.

«Estar/ser más fresco que una lechuga», se puede usar con dos sentidos: para referirse a alguien que está descansado y animado, o aun, para referirse a alguien desvergonzado, que abusa de la confianza de los demás.

«Ser un chorizo», en Argentina, significa ser un ladrón. En España ser un chorizo también significa ser un ladrón. En las manifestaciones contra el Gobierno siempre hay alguna pancarta que dice «no hay pan para tanto chorizo».

«Ser un churro», en Paraguay y en algunas partes de Colombia, significa ser atractivo. En Argentina se refiere a una persona atractiva, pero también designa un cigarrillo de marihuana, así como en México. En España y en algunas partes de Colombia, también se usa como sinónimo de chapuza, de un trabajo mal hecho, de mala calidad.

«Estar como un fideo», para referirse a alguien muy delgado.

«Estar de mala leche», se refiere a alguien que está de mal humor.

«Estar hasta en la sopa», para referirse a alguien que está en todas partes.

«Estar como zanahoria», se refiere a una persona que se encuentra sana.

«Estar como un queso», para referirse a alguien atractivo.

«Estar avinagrado», para referirse a alguien que tienen una actitud negativa, amargada.

«Ponerse como un tomate», se refiere al hecho de ponerse colorado de vergüenza. 

«Perder el mojo», se refiere a perder la esencia, el encanto.

«Estar en su salsa», se dice cuando uno disfruta de algo que está haciendo y se siente como pez en el agua o como Pedro por su casa, es decir, muy cómodo, muy a gusto.

«Tener miga», significa tener sustancia, tener contenido.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

O que é material de referência e qual a sua importância?


No texto anterior falamos do controle de qualidade de textos traduzidos ou vertidos, e hoje vamos falar de um requisito fundamental para garantir a qualidade da tradução: o material de referência.

Mas em que consiste esse material?

Basicamente o material de referência consiste em um glossário, uma memória de tradução, um guia de estilo e informação contextual.

Este tipo de material, embora nem sempre seja disponibilizado pelo cliente, é fundamental para garantir a qualidade, uma vez que contribui para uma tradução consistente e para a construção da identidade e da comunicação organizacional. A linguagem reflete a filosofia, os valores e a personalidade da empresa, razão pela qual não deve ser negligenciada.

O material de referência inclui basicamente:

Um glossário validado pelo cliente. É importante que esse glossário tenha sido validado pelo cliente, uma vez que as empresas têm suas preferências terminológicas, que nem sempre coincidem com os termos usados no mercado. É fundamental respeitar as preferências do cliente, o que não significa que o tradutor não possa contribuir com sugestões quando considerar pertinente, desde que tenha um bom embasamento para tal.

Um exemplo de uma boa justificativa:

“Observei que o Comitê Espanhol Representante de Pessoas com Deficiência (CERMI), em seu manual de estilo, recomenda usar o termo “personas con discapacidad” em lugar de “personas con diversidad funcional”, uma vez que, segundo eles, a imensa maioria das pessoas com deficiência e do seu movimento social rejeitam tal expressão por não se sentirem identificadas com um léxico sem legitimidade nem amplo respaldo social. Além disso, argumentam que não descreve a realidade e que é confuso”.

Uma memória de tradução. Isto é, um recurso das Cat Tools que serve para armazenar segmentos ou partes textuais de traduções anteriores, é como um histórico que serve para manter a consistência terminológica e agilizar o trabalho. Se você não usa Cat Tool, poderá usar as traduções anteriores do mesmo cliente como referência.

Um guia de estilo. Consite em um documento elaborado pela agência de tradução e validado pelo cliente, que contém uma série de parâmetros destinados a unificar a modalidade de escrita. Este manual estipula as convenções tipográficas quanto ao uso de maiúsculas, aspas, itálico, negrito, define a grafia de nomes de produtos, topônimos, endereços, moedas, o tratamento reservado aos usuários, o estilo de linguagem, etc. O uso deste documento não é opcional, mas sim obrigatório. É extremamente útil, principalmente em projetos de grande porte, que envolvem o trabalho de vários tradutores.

Material contextual. Refere-se a toda informação adicional à meramente linguística, como, por exemplo, página web da empresa, boletins informativos, catálogos de produtos, publicações, blog, relatórios anuais, políticas corporativas, etc.

Garanta a qualidade da tradução com um ótimo material de referência!

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Controle de qualidade de textos traduzidos ou vertidos

Embora a tradução seja uma atividade subjetiva, isso não implica que ela não possa ser avaliada de maneira objetiva. 

Quando falamos de qualidade de uma tradução, referimo-nos à aplicação de um conjunto de parâmetros que permita entregar um texto livre de erros. Em se tratando de tradução, levam-se em conta critérios como precisão (correspondência biunívoca entre o vocábulos e o conceito que se deseja expressar), correção gramatical (observância das normas gramaticais da língua para a qual se traduz), estilo (em matéria de tradução, refere-se geralmente à observância da padronização prescrita por um guia de estilo), terminologia (uso de terminologia especializada na área de conhecimento, uso de fontes consagradas, consistência e uniformidade), entre outros.

Para garantir a qualidade de uma tradução, as agências de tradução contam com procedimentos de controle de qualidade, em que o texto traduzido passa por uma revisão que avalia aspectos como a correção gramatical, a adequação vocabular, a coesão e a coerência, a padronização de estilo e terminológica, formatação, na verdade o controle de qualidade deve começar já no recebimento do texto original.

Para dar uma ideia mais precisa dos parâmetros adotados ao avaliar a qualidade de uma tradução, compilei aqui os critérios adotados por órgãos públicos como o Conselho da Justiça Federal, o Tribunal de Contas da União, entre outros, para o credenciamento de tradutores ou ainda para a contratação de serviços de tradução/versão por empresas públicas mediante pregão ou licitação.  

Cada  texto  traduzido  recebe  o  conceito  “satisfatório”  ou  “não satisfatório”. 

É considerado "não satisfatório" quando inclui, em qualquer de suas laudas: 

  1. Quatro ou mais erros básicos; ou 
  2. Dois erros básicos e mais de cinco erros complementares; ou 
  3. Nenhum básico e oito ou mais erros complementares. 


É  considerado  "satisfatório"  quando  o  número  de  erros  é  inferior  aos  limites acima. 

São considerados erros básicos

  • Erro de conjugação verbal; 
  • Erro de regência verbal
  • Erro de concordância verbal; 
  • Erro no uso de pronomes; 
  • Uso de falsos cognatos (falsos amigos); 
  • Uso de palavra e/ou expressão e/ou estrutura gramatical inexistente  na  norma culta  de  acordo  com  a  literatura  especializada  (isto é,  dicionários,  gramáticas  e obras de uso de língua  reconhecidas pelas  instituições  pertinentes,  como:  Real  Academia  Espanhola,  Academia  Brasileira de Letras, Oxford English Dictionary); 
  • Erro de ortografia; 
  • Falta  de  clareza  na  frase  ou ambiguidade  (se  o sentido estiver  claro  no  texto original, mas ambíguo na tradução ou versão, isso constituirá  um erro); 
  • Tradução excessivamente literal  (palavra por palavra) ou aquela que  não respeite a estrutura gramatical; 
  • Tradução ou versão comprovadamente retirada de alguma ferramenta  de tradução da internet (exemplo:  fragmento de texto com tradução  do  Google Translator); 
  • Uso  de  palavra  e/ou  frase  de  sentido  diferente  da  usada  no  texto  original; 
  • Erro de sintaxe (a ordem das palavras e outros elementos de uma frase  devem respeitar  as  regras  gramaticais  da  língua  para  a  qual  se  está  traduzindo); 
  • Falta  de  tradução  ou  versão  de  parte  substancial  do  texto  original,  títulos, frases; 
  • Escolha incorreta de conjunções. 


São considerados erros complementares

  • Erro de pontuação; 
  • Erro de combinação de palavras (erro de “colocações”); 
  • Erro no uso de preposições ou omissão de preposição; 
  • Erro no uso de artigos ou omissão de artigo; 
  • Escolha de classe morfológica incorreta entre um grupo de palavras de  mesma raiz  (a  raiz  da  palavra está correta, mas  a  classe morfológica  escolhida  está errada, isto é, “safe” no lugar de “safety” ou “economy”  no lugar de “economic”); 
  • Erro no uso de maiúsculas e/ou minúsculas; 
  • Adição de  texto  e/ou  palavras  não  claramente  incluídos  no  original  nos  casos em que isso não seja necessário para transmissão da ideia  original; 
  • Uso de termo inadequado no contexto, de acordo com as convenções da língua alvo. 

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

4 canais sobre tradução no YouTube

Hoje vou apresentar cinco canais sobre tradução que eu sigo no YouTube e que vale a pena conferir! 

Estes canais têm em comum o fato de terem sido criados por tradutores, e não por agências de tradução ou editoras, o que lhes dá um toque mais pessoal.

Se você tiver outras sugestões, deixe seu comentário.


Com 132 vídeos, este é um canal pessoal da tradutora Laila Rezende Compan, utilizado para complementar as dicas do blog Tradutor Iniciante para ajudar os tradutores que estão começando a carreira, e também para ajudar quem pretende ser um tradutor profissional, além de dicas para mulheres e alguns vídeos extras sobre diversos temas.




Com 44 vídeos, este é o canal da experiente tradutora Natalie Gerhardt, com dicas sobre tradução literária, mercado editorial, resenhas, etc.




Com 107 vídeos, este é o canal do tradutor Juliano Timbó Martins, onde ele compartilha dicas sobre o interessantíssimo mercado da tradução. Descubra mais sobre esta profissão e este mercado em constante crescimento.




Com 15 vídeos, este é o canal da experiente tradutora Ivone Benedetti, que atuou como tradutora durante 30 anos para grandes editoras brasileiras. Nele, Ivone dá valiosas dicas sobre a profissão. Ela também é autora do site www.editra.com.br,  dedicado a cursos e recursos para tradutores e aprendizes de tradutores.